21/08 - 01:07 - Santafé Idéias
Veja os perfis de Roberto Jefferson, José Dirceu, José Genoíno, Silvio Pereira, Valdemar da Costa Neto, Luiz Gushiken, João Paulo Cunha, Duda Mendonça e Pedro Corrêa, os principais acusados no escândalo do "mensalão" que serão julgados pelo Superior Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira.
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Roberto Jefferson Monteiro Francisco
Acusações: corrupção passiva; lavagem de dinheiro
O presidente do PTB, Roberto Jefferson, foi o político responsável por trazer ao conhecimento público o suposto esquema conhecido por “mensalão” – em junho de 2005, ele usou esse termo ao denunciar pagamentos que seriam feitos pelo PT a deputados aliados do governo, com objetivo de obter o apoio dos parlamentares em votações de interesse do governo.
A denúncia de Jefferson surpreendeu os analistas políticos porque representou um embate direto com o Poder – mais especificamente com o governo Lula e a coalizão de partidos apoiadores. O histórico do petebista, até então, apontava um político pragmático e de contornos fisiológicos, isto é, que procurava aumentar seu cacife político na articulação com as forças ocupantes do governo federal, independentemente de sua ideologia ou programa.
Prova disso foi a sustentação dada pelo PTB ao governo Fernando Henrique Cardoso, logo em seguida aderindo à base de apoio do governo petista de Luís Inácio Lula da Silva.
Antes do mensalão, Roberto Jefferson também já tinha apresentado uma certa tendência à polêmica. Ainda no governo do presidente Fernando Collor de Mello, ficou conhecido como principal membro da chamada “tropa de choque” de Collor, destacando-se pela defesa contundente feita ao chefe do Executivo já nos momentos de menor popularidade do governante.
Ainda hoje Jefferson é tido como um político que tem em suas mãos o PTB, não só pelo domínio da máquina partidária mas também, como dizem adversários e aliados nos bastidores, por conhecer e manipular as vulnerabilidades dos correligionários. Embora guarde rancor do presidente Lula e seu governo pela forma como foi ejetado do Congresso Nacional, tem mantido um estilo discreto e com flexibilidade suficiente para conduzir o PTB como partido da base de sustentação de Lula.
José Dirceu

Acusações: formação de quadrilha; peculato; corrupção ativa
O ex-ministro e ex-deputado petista José Dirceu era apontado como o “homem forte” do governo Lula até ser atingido pelas denúncias feitas por Roberto Jefferson de que seria um dos comandantes do esquema de pagamento de “mesada” a deputados federais para obter apoio em votações importantes no Congresso.
A imagem de Dirceu como eminência parda de Lula foi construída em fatos como reclamações de partidos aliados e até de petistas sobre a concentração de decisões na Casa Civil quando ele era o ministro-chefe desse órgão da Presidência da República. Algumas das missões estratégicas desempenhadas pelo petista era a divisão de cargos do governo pelas legendas aliadas, assim como a liberação de recursos relativa a emendas de parlamentares ao Orçamento.
Mas antes de ser ministro José Dirceu ficou conhecido por sua intensa articulação política para atingir objetivos como a própria conquista da Presidência da República pelo PT. Egresso da militância estudantil e tendo sido depois um dos políticos treinados na guerrilha de esquerda em Cuba, foi José Dirceu o maior incentivador das mudanças ocorridas no PT para tornar a legenda mais palatável ao eleitorado, com a revisão de posições históricas do partido como a defesa da suspensão do pagamento da dívida externa e a reestatização de empresas privatizadas no governo do PSDB.
Os adversários do ex-ministro inclusive se aproveitaram do perfil de articulador de bastidores e de calculista frio e obstinado, além de ideologicamente identificado com uma “revolução silenciosa” de esquerda, para fixar sua imagem de negociador do governo junto aos interesses de políticos fisiológicos, que poderiam ajudar pontualmente a gestão Lula.
Após a cassação de seu mandato como deputado federal, em novembro de 2005, Dirceu manteve o discurso no qual exaltava a necessidade de amparar o governo Lula contra as forças conservadoras do País, que teriam sido responsáveis pela sua queda. O petista continua percorrendo várias regiões brasileiras dando palestras sobre a conjuntura política e, entre outras atividades, fazendo articulações políticas para fortalecer o chamado Campo Majoritário do PT, conjunto de alas internas que comanda a legenda há anos.
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José Genoino
Acusações: formação de quadrilha; peculato; corrupção ativa
O deputado federal José Genoino (PT-SP) foi um dos pivôs do escândalo do mensalão porque era o presidente do PT quando Roberto Jefferson acusou o partido e a cúpula do governo Lula de pagar R$ 30 mil mensais a deputados federais aliados em troca de apoio em votações importantes para o Executivo no Congresso.
Genoino, na época do escândalo, era uma das principais lideranças do Campo Majoritário do PT, conjunto de alas que domina o partido há anos e responsável pelas mudanças na legenda que levaram Luiz Inácio Lula da Silva a vencer as eleições presidenciais de 2002. E foi justamente a forma de financiamento das eleições e outras atividades partidárias, como doações a partidos aliados, uma das principais acusações contra José Genoino. Ele avalizou empréstimos milionários contraídos pelo PT envolvendo o chamado “operador” financeiro do mensalão, o publicitário Marcos Valério de Souza.
Nos ataques a José Genoino na época do mensalão, oposicionistas e demais críticos acusaram sua proximidade a José Dirceu, apontado como “chefe” do esquema, e demais integrantes da cúpula do PT, como o tesoureiro Delúbio Soares e o secretário-geral Silvio Pereira.
Genoino atingiu essa posição de destaque no partido como prêmio de consolação dado pelo presidente Lula e pelas lideranças petistas, após ter disputado o governo de São Paulo nas eleições de 2002 e ter sido vencido por Geraldo Alckmin, do PSDB. Assim como José Dirceu e outros cardeais petistas envolvidos no mensalão, Genoino é fundador do PT. Antes das eleições de 2002, tinha exercido vários mandatos de deputado federal por sua legenda entre 1998 e 2002.
A prova de que ainda dispõe de toda a confiança do Campo Majoritário do PT e correligionários de outras alas foi o apoio partidário à sua campanha eleitoral em 2006. Mesmo com toda a repercussão do escândalo, e contando com o suporte financeiro petista, conseguiu se eleger mais uma vez deputado federal por São Paulo, mas tem tido atuação discreta na Câmara dos Deputados. Em função do arranhão em sua imagem, preferiu restringir a atuação aos bastidores do Congresso, embora tenha voz ativa nas decisões internas do PT e principalmente nas estratégias do Campo Majoritário.
Silvio Pereira

Acusações: formação de quadrilha; peculato; corrupção ativa
O ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, conhecido no meio político como Silvinho, foi acusado pelo Procurador-Geral da República como integrante da “quadrilha” do mensalão que tinha a responsabilidade de “tratar de cargos no governo federal”, ou seja, negociar o apoio de parlamentares no Congresso a partir da distribuição de cargos governamentais a aliados.
Por nunca ter ocupado cargos ou mandatos políticos de destaque, seu nome só ganhou notoriedade quando foi denunciado no escândalo. De acordo com as denúncias, Silvio Pereira participou ativamente das atividades financeiras ilegais do PT para financiamento de campanhas e doações a partidos aliados, e outras atividades partidárias. Isso incluiu o saque, junto com os dirigentes petistas Delúbio Soares e Marcelo Sereno, de R$ 4,9 milhões das contas bancárias do publicitário Marcos Valério, considerado o “operador” financeiro do mensalão.
Outro fato destacado na mídia envolvendo Silvio Pereira em ilícitos foi o recebimento de um automóvel importado, um jipe de luxo Land Rover, de um fornecedor da Petrobras que teria sido beneficiado em contratos da empresa pela influência do então secretário-geral do PT.
Com as repercussões desses casos, Pereira teve de deixar o partido, com todo seu histórico de fundador do PT, a exemplo de outros cardeais da legenda envolvidos na crise. Ele se desligou do partido quando foi aberto o processo interno partidário de expulsão.
Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT

Acusações: formação de quadrilha, peculato, corrupção
Figura central da maior crise do governo Lula, Delúbio Soares foi acusado pelo ex-deputado Roberto Jefferson de ser o principal operador do mensalão, esquema que distribuía mesadas de R$ 30 mil a deputados da base do governo. As investigações indicaram que era muito mais que isso. Delúbio admitiu ter utilizado cerca de R$ 55 milhões em “recursos não contabilizados” também para irrigar campanhas políticas do PT e aliados.
Nos interrogatórios, tanto nas CPIs como no Ministério Público e Polícia Federal, assumiu a responsabilidade por tudo, insistindo que não era delator. A fidelidade ao partido não impediu que fosse expulso por decisão do diretório nacional do PT, por 37 votos contra 16, que propuseram pena mais branda.
"Não haverá justiça se me for retirada a condição de militante petista. Não traí, e não sou um delator. Todos aqui sabem quantas vezes fui procurado por pessoas que me diziam que se não houvesse a contratação de shows, com grandes artistas, não seria possível ganhar a eleição. Todos sabem que, com as chamadas ondas vermelhas de 2002 e 2004 nos Estados e nos municípios, foram inúmeros os pedidos de reforço de caixa. Cada um de vocês sabe o que eu passei nas campanhas e sabe que muitos dos eleitos conseguiram atingir o objetivo graças a esse último esforço" –defendeu-se Delúbio, deixando claro que apenas cumpria uma determinação do partido.
O ex-tesoureiro defendeu-se dizendo que cumpriu uma tarefa, e não estava fazendo a sua defesa, “mas a defesa de todos os que se beneficiaram dos recursos não contabilizados, que não foram inventados por mim." Mesmo assim, o partido considerou que ele extrapolou de suas funções e o expulsou, mas continuou pagando seus advogados.
O PT arcava com os custos de carros blindados e seguranças para Delúbio, como se ele fosse um perigoso arquivo vivo a ser preservado. Já licenciado do cargo, afirmou durante churrasco na fazenda do pai, no interior de Goiás, que as denúncias contra o PT seriam esclarecidas e virariam “piada de salão”, o que deve ser decidido pelo Supremo Tribunal Federal, a partir desta quarta-feira.
Delúbio Soares começou sua militância política na década de 70 e foi um dos fundadores do PT e da CUT, da qual também foi dirigente e que o indicou para compor o Conselho Curador do Fundo de Apoio ao Trabalhador (CCFAT), do qual foi presidente, quando o patrimônio do FAT já era superior aos R$ 80 bilhões e também enfrentava denúncias de desvio de recursos.
Assim que deixou o cargo, promoveu uma festa na sua Buriti natal, em que se contaram 18 jatinhos particulares com dirigentes partidários, empresários e até do então governador de Goiás, Marconi Perilo (PSDB). Pujança que Delúbio extravasava fumando finíssimos charutos cubanos e levando vida de executivo super remunerado.
Ex-professor de Matemática da Secretaria de Educação de Goiás, Delúbio enfrenta ainda processo para devolver o salário que recebeu no período em que supostamente estava cedido ao Sindicato dos Professores do Estado de Goiás, mas, de fato, participava da direção do PT, em São Paulo. O Ministério Público também o processa por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito.
No julgamento do mensalão que começa nesta quarta-feira, Delúbio será confrontado com suas própria declarações ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, de que todas as campanhas do Partido dos Trabalhadores foram financiadas por meio de caixa-dois. Em depoimento espontâneo, Delúbio explicou ao MP que boa parte dos recursos eram provenientes de empréstimos feitos pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza.
O ex-tesoureiro não entregou nenhum nome do PT ou de partidos aliados que se beneficiaram do financiamento de campanha com “recursos não contabilizados”. “Todos” – disse, isentando, no entanto, apenas a campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. A candidatura Lula era tão forte, justificou, que havia doação regular e espontânea de dinheiro. Disse, ainda, que a prática de caixa-dois é generalizada no país e adotada por todos os partidos.
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Valdemar Costa Neto
Acusações: formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro
O deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP) foi um dos políticos cuja imagem foi atingida no auge da crise do mensalão, mas acabou dando a volta por cima ao se eleger à Câmara dos Deputados na eleição de 2006, um ano após o escândalo. Ele havia renunciado ao mandato de deputado federal em agosto de 2005 para não ser cassado.
Na época das denúncias feitas pelo então deputado federal Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto foi apontado como uma das principais lideranças partidárias que faziam parte do esquema de pagamento de parlamentares que votassem favoravelmente aos interesses do governo na Câmara dos Deputados. Na oportunidade, a própria mulher de Costa Neto, Maria Christina Mendes Caldeira, de quem estava se separando litigiosamente, confirmou a participação do deputado no mensalão e ainda o comprometeu dizendo que marido tinha "comprado" o partido nanico PMN.
Os ataques a Costa Neto ressaltaram o caráter fisiológico de seu partido (na época, o Partido Liberal - PL, que se transformou em PR com a adesão do Prona), isto é, a tendência de se agregar à base aliada para obter em troca cargos e outras vantagens de fazer parte da sustentação do governo.
Em seu depoimento à CPI dos Correios, Valdemar Costa Neto fez diversas acusações de corrupção contra o governo, e confessou ter recebido dinheiro do tesoureiro do PT, Delúbio Soares, para o PL.
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Luiz Gushiken
Acusações: quatro acusações de peculato
Luiz Gushiken, 57 anos, é amigo pessoal de Lula. Foi coordenador-adjunto da equipe de transição e atuou na equipe coordenação das quatro candidaturas do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República, inclusive a vitoriosa. É ex-bancário e sindicalista e foi deputado federal por três legislaturas (1987 a 1998), incluindo a Constituinte. É um dos Fundadores da Central Única dos Trabalhadores (CUT), ao lado de Lula, Presidiu o PT de 1998 a 1990. Cursou administração de empresas na Fundação Getúlio Vargas e especializou-se em Previdência e fundos de pensão.
Quando a crise do Mensalão estourou, Gushiken era tido como um dos mais influentes e respeitados ministros do Governo e estava à frente da Secretaria de Comunicação e Gestão Estratégica, que concentrava o poder de mando sobre toda publicidade do Governo e de órgãos ligados. Segundo a denúncia da procuradoria, foi de Gushiken a ordem para que o Banco do Brasil liberasse R$ 9 milhões para a empresa de Marcos Valério, SMP&B. Também pesa sobre ele a acusação de má gestão do Fundo de Pensão do Banco de Brasil. O ex-ministro deixou o Governo logo após as denúncias de Jefferson.
Gushiken iniciou carreira como funcionário do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) em 1970 e conheceu Luiz Inácio Lula da Silva quando ainda era secretário-geral do Sindicato dos Bancários de são Paulo. Foi presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo entre 1984 e 1986. Marxista, discípulo de Trotski, Gushiken integrava, durante o governo Geisel, a tendência trotskista Liberdade e Luta (Libelu). De saúde instável, Gushiken já combateu dois tipos de câncer, uma infecção grave, um infarto e até acidente de carro.
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João Paulo Cunha
Acusações: formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculado.
O ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), teve a cassação de mandato recomendada pelo Conselho de Ética da Câmara por ter se abastecido de “recursos não contabilizados” do valerioduto, mas salvou-se no plenário graças ao acordo feito entre o PT e os partidos beneficiados pelo mensalão. Sua esposa, Márcia Regina Milanésio Cunha, foi flagrada recebendo R$ 50 mil em dinheiro, na agência do Banco Rural em shopping de Brasília.
Cunha divulgou nota justificando que ela tinha ido ao shopping cuidar de prestações de TV a cabo, recolhendo a nota a seguir, diante da constatação do registro de sua presença no banco. Silvana Paz Japiassu secretária de Cunha, também passou pela agência do Banco Rural.
A suspeita é de que o então presidente da Câmara dos Deputados, terceiro homem na sucessão presidencial, havia direcionado a licitação para a contratação pela Câmara, da agência SMPB, de Marcos Valério. Entre setembro e outubro de 2003, período em que se realizou a licitação, Cunha teve pelo menos três encontros com Valério, o primeiro deles às vésperas da ida de sua esposa Márcia Regina ir à agência do Banco Rural, em que supostamente o mensalão era distribuído.
João Paulo Cunha responde por processo de improbidade administrativa, sob a denúncia de que o contrato da Câmara com a SMPB de Valério, no valor de R$ 11 milhões, foi superfaturado, tendo servido também para bancar despesas com pesquisas de interesse direto de Cunha e do PT de sua base eleitoral, o Grande ABC, inclusive com sondagem sobre a possibilidade de se lançar candidato ao governo de São Paulo. Cunha também teria se utilizado indevidamente da agência, paga pela Câmara, para fazer sua campanha pela presidência da Casa, embora fosse candidato único.
Cunha também nunca explicou como utilizava um carro importado, de luxo, mas registrado em nome de um funcionário do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco, que não tinha renda para tanto e tinha em seu nome apenas um fusquinha velho. Depois da denúncia, o importado sumiu da garagem de João Paulo Cunha.
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Duda Mendonça
Acusações: lavagem de dinheiro, evasão de divisas
O publicitário Duda Mendonça, marqueteiro da campanha do PT nas eleições presidenciais em 2002, foi acusado de estar envolvido no escândalo do mensalão, após dizer que tinha aberto conta nas Bahamas, por orientação do empresário Marcos Valério, principal operador do esquema, junto ao ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. A conta no exterior teria sido usada para receber R$ 10 milhões em “recursos não contabilizados”, como parte do pagamento pela campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e assessoria política ao PT.
Duda Mendonça, que ficou conhecido por executar campanhas políticas vitoriosas em várias eleições, era publicitário de Maluf, em São Paulo, quando o ainda candidato Luiz Inácio Lula da Silva, impôs ao PT sua vontade de contratá-lo. Duda fez seu primeiro trabalho com Lula nas campanhas presidenciais de 2002, quando o petista saiu vitorioso. Duda Mendonça também trabalhou nas campanhas de reeleição da ex-prefeita Marta Suplicy, em 2004, de Ciro Gomes e de Cid Gomes no Ceará, respectivamente a deputado federal e a governador, em 2006.
O seu contrato de publicidade com a Presidência da República lhe renderia um montante de R$ 150 milhões e, juntamente com as outras estatais do governo federal, o total chegaria a R$ 400 milhões. As investigações referentes às supostas irregularidades com Duda Mendonça tomaram proporções internacionais chegando aos Estados Unidos da América que forneceu dados financeiros aos parlamentares do Brasil.
Duda contou, durante a CPI dos Correios, que o empresário Marcos Valério foi autorizado pelo tesoureiro do PT, Delúbio Soares, a fazer o pagamento da dívida que o PT tinha com a sua agência de publicidade. O publicitário apresentou vários faxes que comprovariam a remessa de dinheiro do exterior. Segundo ele, foram depositados no exterior cerca de R$ 10 milhões. Os valores foram repassados aos poucos e chegavam através dos bancos Florida Bank, Banco de Israel, Banco Rural Europa e Trade Link.
Duda Mendonça, que negou várias vezes sua participação no esquema, admitiu o envolvimento, depois que sua sócia, Zilmar Fernandes disse, em depoimento, que teria recebido e sacado dinheiro pagos pelos empresário Marcos Valério. Duda alegou que sua empresa nunca tinha trabalhado com "caixa 2" antes e admitiu que, embora, pudesse ter cometido um “erro fiscal”, não cometeu um erro de caráter. “Eu não tinha opção. Era receber ou não receber pelo trabalho", disse Duda para justificar a sua atitude.
À época, Duda Mendonça também declarou que o PT ainda lhe devia R$ 14 milhões, pelos trabalhos de 2004, entre os quais estão as campanhas para prefeito dos candidatos do PT em Recife (João Paulo), São Paulo (Marta Suplicy), Goiânia (Pedro Wilson), Belo Horizonte (Fernando Pimentel), e Curitiba (Ângelo Vagnoni).
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Pedro Corrêa
Acusações: formação de quadrilha, corrupção passiva e lavagem de dinheiro
O ex-presidente do Partido Progressista, Pedro Corrêa, teve seu mandato de deputado federal cassado, após as acusações de envolvimento no esquema do mensalão. A cassação foi aprovada pelo Plenário da Câmara, por 261 votos. Corrêa foi acusado de quebra de decoro parlamentar por ter autorizado um ex-assessor do partido, João Cláudio Genu, a sacar R$ 700 mil das contas do empresário Marcos Valério de Souza, apontado como operador do mensalão.
O ex-deputado, eleito por Pernambuco, tentou se defender das acusações, argumentando que seu nome ou o de parente seu nunca havia sido citado como beneficiário de recursos provenientes do Banco Rural ou do BMG e que nunca havia ouvido falar de Marcos Valério Fernandes de Souza antes das denúncias do ex-deputado Roberto Jefferson. Segundo o deputado, ele só teria sido informado do recebimento dos recursos (referindo-se aos R$ 700 mil) por ser o presidente do partido e afirmou que os assuntos financeiros do partido eram gerenciados pelo deputado José Janene (PP-PR), também denunciado.
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Sinopse de imprensa: Zeca do PT pagava 'mensalão', diz jornal