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Por que as mulheres perdem cabelos?

20/08 - 00:04 - Agência Estado



Por que as mulheres perdem cabelos? Por Ademir Júnior *, especial para a AE São Paulo, 16 (AE) - Tenho me deparado cada vez mais com mulheres que se queixam de perda capilar. Posso dizer que parece realmente que a calvície feminina deixou de ser uma coisa para poucas e ganha proporções que ultrapassam a barreira dos dois dígitos no que diz respeito à porcentagem de mulheres afetadas.

Pode parecer estranho, mas creio, com convicção, que a queda capilar em mulheres é um sinal de progresso. Poucas são as pessoas que conheço que querem ficar carecas, porém muitas destas quedas crescem, e aparecem, à medida que as mulheres se destacam na sociedade como figuras competentes, determinadas e independentes.

Entre as inúmeras causas de quedas capilares encontram-se a ansiedade e os estados de depressão (não estou falando da doença que os psiquiatras definem como depressão). As inúmeras exigências em cima da mulher que é profissional, chefe de família e, muitas vezes, mãe, sobrecarregam a parte física e psíquica do sexo feminino. O resultado é um desequilíbrio, maior ou menor, de alguns metabolismos corporais podendo inclusive repercutir na produção e secreção de determinados hormônios.

Cabelos que caem e não são repostos, afinamento ou enfraquecimento dos fios, fios quebradiços e ressecados, todos são sinais e sintomas de que algo está errado.

Mas e a alimentação? Atendo muitas mulheres que acreditam que tudo deve ser feito na busca do corpo perfeito, o da capa da revista, da passarela, das novelas. Esta também é uma causa importante de queda capilar, uma vez que algumas realmente "vivem" de dieta. Isto leva à falta de equilíbrio entre nutrientes, provocada pela redução da ingesta de muitos deles. Quem sofre? Uma das partes mais sensíveis do corpo, os cabelos.

E comer porcaria? Bobagem mesmo, fast-food, estas coisas. Pensam que não vão ter importância nenhuma para os cabelos? É o progresso chegando nas nossas vidas. Menos tempo para comer nos leva a comer qualquer coisa. A equação é matemática: má alimentação + comer porcarias = queda de cabelos.

E as escovas, as chapinhas, as tinturas, as progressivas? Também. Parece até que não existe mais cabelo cacheado nas ruas. Difícil ver quem não fez uma escova antes de sair de casa, progressiva ou não. Chapinha? Até barraquinha de camelô vende chapinha. Daqui a alguns dias será mais fácil achar uma casa sem televisão do que uma casa sem chapinha. Olha o progresso ai de novo. Conclusão, o mal uso ou o uso excessivo de secadores, chapas, prendedores de cabelos, químicas, faz cair muito cabelo. Resultado: mais mulheres ficando carecas.

Recentemente fiz um levantamento dos pacientes que me procuram com queixa de queda capilar. Para minha surpresa, cerca de 40% são mulheres. Vinte e cinco por cento delas apresentam queda por estresse ou má alimentação. Cerca de 8% por problemas hormonais. Sete por cento por conta de uso inadequado de químicas, secadores ou chapas. Números altos? Sim, elevados e em crescente.

Parece que muito em breve verei o dia em que mulheres que perdem cabelos serão maior número do que homens que ficam calvos. Se estou exagerando? Acho que não. Principalmente se mudanças de hábitos importantes e providências médicas não forem tomadas.

(*) Ademir Júnior é dermatologista e presidente do Grupo de Apoio e Pesquisa em Calvície (GAPCA). Autor do Livro: "Socorro, estou ficando careca" (Editora MG) e "É Outono para meus cabelos - Histórias de mulheres que enfrentam a queda capilar" (Editora MG). E-mail: ademirjr@ademirjr com.br .

(**) O conteúdo dos artigos médicos é de responsabilidade exclusiva dos autores.

---------------------------------------------------------------------------- CORREÇÃO: ATENÇÃO SR.EDITOR: A retranca ARTIGO/SISTEMA DE SAÚDE com artigo especial do Dr. Edgardo Vázquez, especialista em saúde pública e presidente e sócio-fundador da VinculoMedico Internacional, e enviada no dia 02/08, seguiu com erro de digitação no site da empresa. O correto é www.vinculomedico.com. Obrigada e desculpem-nos por eventuais transtornos.



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