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Controlador afirma que esperou manobra de piloto da TAM

09/08 - 10:56, atualizada às 23:18 09/08 - Eduardo Bresciani, do Santafé Idéias

BRASÍLIA -  O controlador de vôo Celso Domingos Alves Junior, que autorizou o pouso do Airbus A320 da TAM no Aeroporto de Congonhas (SP) no dia 17 de julho, afirmou que até o piloto tocar a pista, tudo estava “aparentemente” normal. Ele afirmou que da metade da pista em diante é que deu para notar que a velocidade do avião estava acima do normal para a operação e a partir daí esperou por uma manobra do piloto. Neste momento, a CPI ouve o vice-presidente de Segurança de Vôo da Airbus, Yannick Malinge.



“Após o pouso da aeronave, o que chamou a atenção foi a velocidade que ele mantinha ali. No meio da pista, ele ainda estava com muita velocidade para quem pousa. Ali chamou a atenção. Como operador da torre, esperei uma manobra do piloto, só que ele manteve a velocidade até o final.”

  • Alves Junior é um dos quatro controladores de vôo que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Apagão Aéreo na Câmara dos Deputados ouve hoje (9). Ele e Luana Morena Maciel Araújo são militares, enquanto Eduardo Pires Dayrel e Ziloar Miranda Pereira são Civis.

    O controlador lembrou que no horário do acidente chovia pouco, mas nenhum piloto havia relatado problemas com a pista escorregadia. “As operações estavam se dando de forma aparentemente normal”.

    Ele, que trabalha em Congonhas há dois anos e meio, contou que, na hora em que assumiu o turno soube pelo livro de ocorrências que naquele dia um piloto de um Boeing da Gol havia relatado que a pista estava escorregadia.

    Alves Junior disse, ainda, que acompanhou todo o acidente da torre de controle. Viu o avião sair à esquerda e cruzar a Avenida Washington Luiz, que margeia o aeroporto. Novamente, afirmou que o chamou a atenção o fato de o avião estar acima da velocidade considerada normal para quem vai pousar.

    Ele contou também que, depois do acidente, chegou a orientar outro piloto, que estava com a decolagem autorizada e havia cruzado a pista para levantar vôo, a abortar o procedimento, mas como ele já estava com uma velocidade alta, resolveu concluir a operação.

    Áudio das conversas

    A CPI do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados divulgou, nesta quinta-feira, o áudio da conversa entre os pilotos do vôo 3054 da TAM e os controladores de vôo minutos antes de o Airbus 320 atravessar a pista do Aeroporto de Congonhas e bater contra o prédio da TAM Express, matando 199 pessoas. Em respeito às vítimas, os parlamentares não autorizaram a divulgação dos segundos finais gravados na caixa-preta.

    No trecho disponibilizado, até o momento da aterrissagem, pilotos e controladores não relataram problemas. Somente na hora da aproximação final com a pista, os comandantes foram avisados pela torre de controle que a pista estava molhada e escorregadia. 

    Durante o depoimento na CPI, o terceiro sargento da Aeronáutica, Celso Domingos Alves Júnior, que controlou os minutos finais do vôo 3054 da TAM, afirmou que a aproximação da aeronave aconteceu dentro da "normalidade". "A aeronave tocou o solo na posição usual", afirmou. Ele disse que acompanhava o avião quando ocorreu o acidente e que todos os seus colegas assitiram à tragédia após ouvirem os gritos de "vira, vira, vira" vindos da aeronave. 

    Alves Júnior afirmou que, antes do acidente, não houve relato de pilotos sobre a pista de Congonhas estar escorregadia nos cinqüenta minutos em que estava de serviço. Ele destacou que fez o alerta de pista escorregadia, pouco antes do Airbus pousar, porque o piloto de um Boeing da Gol, que havia aterrissado às 17h05 daquele dia (cerca de duas horas do acidente com a TAM), havia reclamado

    Tráfego congestionado

    Também em depoimento na CPI, o controlador de vôo civil, Eduardo Pires Dayrel, que cuida da aproximação de aeronaves na cidade de São Paulo, afirmou que o tráfego aéreo está congestionado e várias vezes ao dia é necessário pedir a pilotos de aeronaves que voem em círculo para não sobrecarregar as torres de controle dos aeroportos de Congonhas e Cumbica. "É comum o congestionamento de aeronaves, sobretudo no horário de pico".
     
    Os controladores disseram que é comum a interferência nas freqüências vindas de rádios e telefones celulares e que "muitas vezes" é necessário trocar de freqüência para conversar com os pilotos.

    O problema também foi destacado pela controladora de vôo Luciana Pimentel. "Às vezes estamos falando com o piloto e começamos a ouvir uma música ou conversas atravessadas", contou, completando que, por causa da interferência, algumas vezes os controladores pedem para o piloto arremeter e abortar o pouso. `

    (Com Congresso em Foco e Agência Brasil)

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