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Maroni é a vítima número 200 da TAM, diz advogado

07/08 - 13:14, atualizada às 08:05 08/08 - Marina Vergueiro, redação do Último Segundo

SÃO PAULO - Os advogados do empresário Oscar Maroni, dono da boate de luxo Bahamas e do Oscar’s Hotel, afirmaram que seu cliente não foi notificado oficialmente sobre o pedido de prisão preventiva. Na última segunda-feira, o juiz Edson Aparecido Brandão, da 5ª Vara Criminal de São Paulo, aceitou a denúncia feita pelo promotor do Ministério Público Estadual (MPE) José Carlos Blat e decretou a prisão preventiva do empresário. "Ele se sente a vítima número 200 da TAM", afirmou um dos advogados.



Em entrevista coletiva para a imprensa nesta terça-feira, ao som de "Fera Ferida" interpretada por Maria Bethânia, os advogados disseram que o encontro não tinha sido marcado para falar sobre a polêmica envolvendo o hotel construído próximo ao Aeroporto de Congonhas, mas para anunciar os planos de seu cliente em relação a uma eventual candidatura à prefeitura de São Paulo. 

Segundo os advogados, Maroni foi pego de surpresa com o pedido de prisão preventiva e de última hora decidiu que seus advogados falariam à imprensa sobre a suposta perseguição política da qual diz ser vítima, que teria culminado com o fechamento do Oscar´s Hotel e da boate Bahamas.

Fachada do hotel lacrado de Maroni

Os lacres do hotel, construído em homenagem ao pai do empresário que possui o mesmo nome, foram retirados hoje, durante a entrevista coletiva, graças a uma liminar concedida nesta segunda-feira às 16h, antes do pedido de previsão preventiva, que permite que o estabelecimento volte a funcionar. 

Segundo os advogados, a prefeitura descumpriu uma ordem judicial ao lacrar o hotel, já que o estabelecimento tinha permissão para dar continuidade às suas obras. Por isso, eles devem tomar medidas judiciais contra a prefeitura do município. "A justiça existe para todos, inclusive para a prefeitura", afirmou Daniel Majzoub, advogado do empresário.

O prédio do hotel, construído a 600 metros da cabeceira da pista do Aeroporto de Congonhas como se fosse um prédio comercial, é, na realidade, um flat residencial e está lacrado desde a última quinta-feira.

O empresário é acusado pela MPE por formação de quadrilha, tráfico de mulheres, exploração de prostíbulo e favorecimento à prostituição. A investigação começou em 2004, quando foram apreendidos na boate documentos contendo nomes e telefones pessoais de funcionários da Prefeitura de São Paulo, policiais e de militares da Aeronáutica.

O empresário já foi autuado pela Fazenda Pública Estadual por suposta sonegação de impostos, o que lhe valeu uma multa de R$ 432 mil.

O dono da boate

Personagem conhecido da noite paulistana, Maroni gosta de afirmar que mantém relações com políticos e outras pessoas poderosas e repete em suas entrevistas que já fez sexo com mais de 1.500 mulheres. Segundo o promotor, "a casa de prostituição possui todo o equipamento e pessoal necessário para que o cliente possa manter relações sexuais efetuando o pagamento de valores fixados ou combinados com as prostitutas". 

A boate funciona do meio-dia às 4h e os homens têm de pagar para entrar e usufruir do "balneário e da boate" - o programa com as garotas é pago à parte. Elas trabalham recebendo R$ 300 pelo programa, sendo fiscalizadas para que permaneçam o menor tempo possível com os clientes. A jornada diária é de 8 horas.

(com reportagem de Marina Vergueiro)

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