02/08 - 15:53, atualizada às 19:16 02/08 - Eduardo Bresciani, do Santafé Idéias
Os advogados da Airbus no Brasil João Batista Rodrigues Júnior e João Geraldo Piquet Carneiro se comprometeram a trazer na próxima quinta-feira um representante da empresa para prestar esclarecimentos na CPI do Apagão Aéreo da Câmara dos Deputados. Eles acompanham o depoimento do consultor de comunicação da Airbus, Mário José Bittencourt Sampaio, que está frustrando os deputados devido à falta de informações que o convocado possui.Mário José Bittencourt Sampaio, consultor de comunicação da Airbus, prestou depoimento na CPI do Apagão Aéreo da Câmara nesta quinta-feira. Segundo Mário, não há representação da empresa no Brasil e ele seria somente um "prestador de serviços".
A CPI pediu também que os advogados tragam um técnico da empresa para falar sobre a possibilidade de falhas mecânicas no Airbus 320 da TAM que se acidentou em Congonhas. Os advogados da empresa também ofereceram aos deputados a possibilidade de que uma comissão visite a Airbus na França para conversar com técnicos da empresa.
Além do representante da fabricante da aeronave, a CPI irá ouvir na próxima semana diversos depoimentos. Na terça-feira, os parlamentares interrogarão o brigadeiro Fernando Camargo, que comanda a investigação pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa).
Nessa sessão os deputados poderão ouvir pela primeira vez o áudio da caixa-preta do Airbus. No mesmo dia, a CPI ouvirá o presidente da empresa Pantanal, Marcos Sampaio Ferreira.
Na quarta-feira, o comandante da Aeronáutica, Brigadeiro Juniti Saito, comparecerá à Comissão, e no dia seguinte os parlamentares ouvirão os quatro controladores de vôo que tiveram contato com os pilotos do vôo
3054 da TAM.
Saia justa
Segundo Mário, não há representação da empresa no Brasil e ele seria somente um "prestador de serviços". "Não sou representante da Airbus, nem engenheiro, nem piloto", declarou.
O deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP) pediu o encerramento da sessão, mas teve seu pedido negado.
Os parlamentares desejam saber por que a aeronave da TAM não possuía o último sistema de alerta sonoro sobre erros na posição das manetes, além de questioná-lo sobre a possibilidade de falhas mecânicas terem sido fator principal para a tragédia.
Rocha Loures (PMDB-PR) quer saber quantas aeronaves da Airbus estão voando hoje no País sem ter o último alerta ativado. Ele quer informações também sobre a relação da multinacional com a TAM e sobre a possibilidade de aeronaves da empresa voarem com reverso pinado, uma vez que outros dois acidentes, nas Filipinas e em Taiwan, aconteceram com equipamentos com o mesmo defeito. "Precisamos também de todo histórico do avião que se acidentou em São Paulo".
A Airbus emitiu uma norma em 2003 determinando a todas as aeronaves a instalação do último sistema de segurança. A TAM não instalou o sistema alegando que a norma da Airbus não tratava o equipamento extra como obrigatório. "Quero saber porque esse procedimento não foi feito e de quem é a culpa".
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