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Manifestantes realizam passeata em homenagem às vítimas do vôo 3054

29/07 - 08:50, atualizada às 16:54 29/07 - Lecticia Maggi, repórter Último Segundo

SÃO PAULO - Parentes das vítimas de acidentes aéreos e pessoas solidárias aos envolvidos na tragédia com avião A-320 da TAM realizaram passeata na manhã deste domingo. O ato teve início no Monumento das Bandeiras (em frente ao parque do Ibirapuera) e foi até o local do acidente. Na terça-feira, 17 de julho, um Airbus da TAM colidiu contra um prédio da companhia e vitimou ao menos 199 pessoas.

 

Diversos familiares que estavam presentes mostraram insatisfação com as autoridades. Roberto Gomes teve de enterrar o irmão Mário Gomes, "Éramos sete, hoje a família está desfalcada. Isso não foi um acidente, foi um assassinato institucionalizado", disse ele.

Ao fim da passeata, acompanhado dos irmãos Jocimar e Thiago, Roberto mostrava sua indignação. "A coisa se agravou. São pessoas fazendo gestos obscenos. Inclusive uma revista publicou fotos de funcionários às gargalhadas, enquanto bombeiros tiravam pessoas das chamas". 

Ele afirmou que os parentes das vítimas agora lutam para que a TAM ofereça condições de pagarem um advogado e exigirem do governo a divulgação dos dados das caixas-pretas. "Já estamos destroçados. Queremos saber o que aconteceu naquela cabine".

Renata Oliveira, estudante de magistério, foi outra pessoa que teve a vida transformada com o acidente. Ela perdeu o pai, Fernando Oliveira, que trabalhava em outro estado, mas vinha visitá-la a cada 30 dias .

Acompanhada da mãe Joice e da irmã Fernanda, ela se emocionou quando chegou em frente ao prédio da TAM Express. "Muito triste estar aqui e saber que a pessoa que você ama muito morreu por uma irresponsabilidade", revoltou-se. Oliveria não conseguia conter-se diante da tragédia. "Meu pai era meu ídolo. È um pesadelo isso", afirmou.

Diante do acidente, a única coisa que conseguiu pedir foi justiça. "O que a gente queria mesmo era que nada tivesse acontecido. Mas agora que seja feita a justiça, por mim e por todos que estão sofrendo".

Para finalizar, ela agradeceu pelo apoio das pessoas e pediu que a tragédia servisse de alerta. "Porque do jeito que está pode acontecer com qualquer um", completou.  

Por pouco

A advogada Rosa Maria, de 45 anos, teve um motivo a mais para

comparecer à passeata. Ela viaja com freqüência para Porto Alegre e sempre voltava para São Paulo no vôo 3054, por uma coincidência a advogada acabou comprando sua passagem para um dia após o acidente. "Vim prestar solidariedade e agradecer por não estar naquele avião", disse Rosa Maria.

A professora Nanci Cicchi, de 50 anos, foi apoiar a iniciativa. “Passei uma semana chorando, ainda estou muito emocionada”, disse Nanci. Segundo a professora, o marido dela viaja de avião toda semana, por isso o acidente ficou mais próximo e a deixou mais apreensiva. “Os órgãos que deveriam ser responsáveis são irresponsáveis. Acredito que a sociedade nunca vai saber o que aconteceu de verdade nesta tragédia, é preciso sinceridade para resolver a questão”, afirmou descrente a professora.

Já Maria Auxiliadora, de 49 anos, perdeu o irmão, Ricardo Tarifa em um acidente aéreo, mas com outro avião, o da Gol no final de 2006. "Vim apoiar os familiares dos que morreram nesta tragédia anunciada", bradou Maria.

Iniciativa

Segundo o organizador da passeata, Márcio Neubauer, do Cria

Lecticia Maggi, repórter Último Segundo
Brasil (Cidadão responsável, informado e atuante), a iniciativa tem como objetivo apoiar as pessoas que perderam familiares no acidente, homenagear os bombeiros que participaram da operação e cobrar das autoridades respeito e maior segurança aérea.

“A sociedade está refém deste sistema insano de governo”, afirmou Neubauer. Ele diz que é preciso, sempre, também reconhecer os heróis, e não somente atacar os culpados. “Tem gente que possui a capacidade de entrar em um prédio em chamas para ajudar outras pessoas. É necessário valorizar as corporações e os indivíduos”, falou Neubauer.

Lecticia Maggi, repórter Último Segundo
Após o início da passeata foi realizada uma homenagem ao Corpo de Bombeiros, à Policia Militar e à Defesa Civil, em seguida foi feito um minuto de silêncio para as vítimas do acidente da TAM.

A manifestação foi marcada por protestos e gritos de ordem. "Fora Lula", "fora Marta" e "fora Renan" eram as palavras mais ouvidas na mutidão. Durante toda a caminhada, os organizadores questionavam: "O que a sociedade quer?". Enquanto as vozes ecoavam: "respeito". Muitos cartazes pediam o afatamento de políticos corruptos e irresponsáveis.

O único incidente relatado pelo policias civis que faziam a segurança foi um homem portando a bandeira do PSDB, que precisou ser retirado. Os organizadores reforçaram que o movimento é apartidário e em favor de uma sociedade melhor.

De acordo com a Polícia Militar, o evento reuniu mais de 5 mil manifestantes na passeata. Sete ambulâncias foram moblilizadas para garantir o pronto atendimento aos participantes caso alguém necessitasse.

Homenagens

Quando a passeata chegou em frente ao prédio da TAM Express, onde

o avião
da empresa aérea colidiu, os manifestantes se emocionaram.

Foram depositadas flores em frente ao edifício, em homenagem aos mortos da pior tragédia da aviação brasileira.

Continuação do movimento

Os organizadores informaram que no dia 17 de agosto, quando o acidente completará um mês, deve ser realizado às 13h o movimento Parar o Brasil Por Um Minuto. A ação é apoiada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Todos os brasileiros devem parar o que estarão fazendo, sair às ruas e ficar em silêncio durante um minuto.

No dia 18 de agosto, as organizações querem fazer o Dia Nacional Sem Vôo. Quem aderir ao movimento não deve agendar ou comprar passagens de avião nesta data.





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