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Morte de ACM não cria um novo cenário, afirma cientista político

23/07 - 03:10 - Marcus Gusmão, especial para o Último Segundo

Duas  perguntas recorrentes depois da morte do senador Antonio Carlos Magalhães: quem ocupará o seu lugar na política baiana e como se movimentarão os políticos no novo cenário criado com o seu desaparecimento físico. Para o cientista político Paulo Fábio Dantas Neto, professor da UFBA, com tese de doutorado sobre o carlismo, a mudança não é significativa: "A morte de ACM apenas deu cores mais nítidas a um cenário que já existe na Bahia desde o início da década, quando o senador perdeu o seu poder unipessoal sobre o grupo", explica Dantas.

Para Dantas, o papel do ministro da Integração Geddel Vieira Lima, apontado por analistas políticos como um virtual herdeiro da liderança exercida por ACM é superdimensionado. Geddel vinha tentando buscar uma chamada terceira via alternativa ao PT e ao carlismo desde 2002, mas na avaliação de Dantas, com a captura do ex-prefeito de Salvador e ex-PFL Antônio Imbassahy pelo PSDB ficou sem alternativa. Teve que se aliar ao PT e deverá adiar seus planos de disputar o governo e concretizar esta terceira via só depois das eleições de  2010.

O poder unipessoal de ACM, explica o professor, é apenas um de três níveis do carlismo e o único que desapareceu. Sobrevivem ainda o grupo carlista, com liderança ainda incerta, e a política carlista, como estratégia de se relacionar com o poder, que transcende ao grupo. "Nada disso é novo", diz.

Dantas lembra que a última decisão política unipessoal importante de  ACM se deu em 1998, com a morte de Luís Eduardo, quando impôs a candidatura de César Borges ao governo da Bahia contra a natural tentativa de reeleição de Paulo Souto, que vinha bem em todas as pesquisas. Desde então teve que aceitar as composições políticas, como a recente indicação de Paulo Souto para a presidência do DEM no estado.

Patrimônio eleitoral permanece

Os números demonstram, diz Dantas, que desde 94 o carlismo mantém o mesmo percentual de eleitorado nas eleições para governador, que varia de 30 a 35%. O PT venceu com a captura dos votos decorrentes da redução da abstenção, dos votos nulos e brancos. Conquistou também os votos oposicionistas do  PMDB e do PSDB.

A derrota do carlismo na Bahia nas ultimas eleições estaduais seria explicada também  por três fatores: o apoio de Lula, os projetos sociais do governo federal e o enfraquecimento da máquina carlista com a perda dos cargos federais na Bahia.

ACM, que já tinha perdido os cargos de primeiro escalão no governo de Fernando Henrique, perdeu também os cargos federais no estado, fundamentais para a sua atuação política. Portanto a aliança com o PMDB foi elemento importante mas não decisivo, explica o professor. Wagner não só derrotou ACM como também o que ele classifica como o "carlismo pós-carlista", representado por Paulo Souto, José Carlos Aleluia e Imbassahy.

Na sua avaliação, ou PT se afirma como uma nova elite política ou mantém uma composição ampla, correndo o risco de incorporar os carlistas em seu governo. Entende-se aí como carlistas não os integrantes do grupo, mas políticos com atuação e práticas semelhantes, como seria o caso de Geddel.





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