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Familiares das vítimas do acidente com o vôo 3054 da TAM acusam IML de morosidade

22/07 - 22:33 - Ligia Helena, do Último Segundo

Transferidos hoje para um hotel no bairro de Moema, zona sul de São Paulo, ironicamente na rota dos aviões que levantam vôo em Congonhas, cerca de 50 dos 146 familiares e amigos das vítimas do acidente com o vôo 3054 da TAM falaram à imprensa em uma entrevista coletiva.

Em uníssono, leram o Manifesto às Autoridades que foi protocolado na noite de sábado no gabinete do governador de São Paulo José Serra. As principais reivindicações são o aumento da quantidade de profissionais qualificados trabalhando no reconhecimento das vítimas no IML; a ampliação da jornada de trabalho destes profissionais para 24 horas por dia, sete dias por semana; e a facilidade de acesso ao representante dos familiares para que possam fiscalizar a quantidade de profissionais comprometidos neste trabalho.

Os familiares expressaram sua indignação e contaram histórias sobre o atendimento – segundo eles falho – do IML. As irmãs Lígia e Liége Dembinski, filhas da vítima Elida Dembinski, foram ao IML em busca de um anel de ouro que a mãe usava na ocasião do acidente. Segundo elas, foram orientadas por uma funcionária a ir até os escombros do prédio da TAM Express caso quisessem encontrar a jóia com rapidez.

Já Maurício Pereira, pai de Mariana Simonetti Pereira, foi à sala dos pertences, onde se concentram os objetos encontrados pelos bombeiros que vasculham o local do acidente. “Em sacolas com classificadas como ‘não identificadas’ eu encontrei uma carta com o nome de uma das vítimas, e um medicamento manipulado, com o nome de outra vítima no rótulo. Como isso é classificado como ‘não identificado’?”, questionou Maurício.

IML justifica lentidão

Na tarde deste domingo, o odonto-legista perito criminal Ugo Frugoli disse que o IML de São Paulo está trabalhando com força total para a rápida identificação dos corpos das vítimas, mas que o trabalho é lento devido à alta complexidade do caso. “No desastre da TAM em 1996, que era mais simples, começamos os trabalhos em outubro e só conseguimos encerrar em janeiro”. O fato dos corpos terem três origens diferentes – os passageiros, os funcionários da TAM Express e os passantes da avenida Washington Luis – aumenta a complexidade, bem como o fato dos corpos estarem fragmentados devido ao alto impacto.

"Falta compaixão"

Outro objeto de críticas dos familiares reunidos foram as autoridades do governo: “Falta compaixão. O presidente Lula levou 72 horas para falar com a gente. Néstor Kirchner (presidente da Argentina) manifestou suas condolências antes. De nossas autoridades só recebemos gestos obscenos”, declarou Maurício Pereira, referindo-se ao flagra de Marco Aurélio Garcia, assessor especial da República para assuntos internacionais.

Procurando se organizar, os familiares ainda não têm planos de constituir uma associação de vítimas e não pensaram em indenizações: “Precisamos enterrar ou cremar nossos entes queridos antes de qualquer coisa. Nossa luta agora é pelo reconhecimento dos corpos. Depois vamos pensar nos próximos passos”, disse Jaqueline Smith Salgado, irmã da vítima Edmundo Smith.

Sobre a assistência que a companhia aérea TAM tem prestado a eles, também houve críticas. O pai de Mariana Simonetti soube que a filha estava na lista de vítimas pela internet. Disse: “Se eu fosse o presidente da TAM, estaria no local do acidente na noite de terça-feira, para dar apoio aos familiares e amigos das vítimas. Mas ele nos recebeu apenas uma vez, colocou-se num patamar mais alto como se fosse nos dar uma palestra, e se pôs a falar sobre os lucros da empresa. Eu tive que ir apertar a mão dele pra ele poder tocar em uma das vítimas desta tragédia”.

O acidente

Na última terça-feira, um avião da TAM com 187 pessoas a bordo apresentou problema durante o pouso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, atravessou a avenida Washington Luís e bateu em um prédio da empresa TAM Express. Foi o maior acidente aéreo da historia do País.

Até o momento 61 vítimas foram identificadas. O reconhecimento de alguns corpos depende da leitura do DNA, porque estão carbonizados. No sábado, os peritos do IML colheram 124 amostras de sangue de 84 famílias das vítimas para a realização de exames. A coleta será retomada na segunda-feira, 22 de julho, em postos espalhados por todo o País.





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