21/07 - 22:31 - Marcus Gusmão, especial para o Último Segundo
Desde quando o senador Antonio Carlos Magalhães teve o primeiro revés em sua saúde em 1989, que resultou no implante de duas pontes de safena, duas mamárias e correções de um aneurisma, que se especula na Bahia como seria o "Grande Funeral".
Seria feriado, hordas de funcionários públicos liberados do trabalho, prefeitos do interior às centenas, artistas da axé music, grandes empresários se juntariam a uma multidão que teria todas as facilidades de meios de transporte para participar da despedida. E faixas, muitas faixas.
Passados 16 anos, ACM foi enterrado neste sábado como senador da República. Mas em vez do poder, exercia a oposição ao prefeito de Salvador, ao Governador da Bahia e ao governo federal.
Além dos políticos, quem foi se despedir do chamado Cabeça Branca? "O povo, a nata dos que gostavam dele", diz o professor de cultura africana e presidente do Afoxé Filhos do Congo, do Bairro da Fazenda Grande, enquanto se despedia dos amigos na porta do Campo Santo, onde no final da tarde se concentram centenas de pessoas para aplaudir a chegada do corpo de ACM, sem direito de entrar no cemitério.
Poucos prefeitos do interior. Com exceção de Durval Lelis, da banda Asa de Águia, nenhuma estrela da chamada Axé Music apareceu. De artistas, os populares Chocolate da Bahia, Riachão e Marinês. As faixas também revelavam o lado anônimo das homenagens. Assinadas por Tapioca, Geni, Dinho, ilustres desconhecidos que faziam questão de levar seu recado.
Para o publicitário Fernando Barros, que comandou as principais campanhas de ACM, a presença maciça do povo, de baianas caracterizadas, de camisetas com a foto do senador comprova a autenticidade destas manifestações comuns no contato de ACM com o povo.
"A presença de muitos adversários demonstrou que ACM já havia virado uma entidade, uma marca", avalia Barros, que recomenda como estratégia tirar dividendos desta marca para manter a unidade do grupo.
No quesito autoridades, o funeral teve prensenças significativas. Aliados como José Sarney, Marco Maciel, Tasso Jereissati e Paulo Souto fizeram coro de elogios a opositores como Arlindo Chinaglia, Jaques Wagner e Lídice da Mata.
E o povo apareceu. Colou na porta do Palácio da Aclamação para esperar horas e passar por dois segundos na frente do caixão, esteve em grupos cantando nas escadas do palácio, bateu palmas, gritou e desmaiou. Fez o coro para a missa de corpo presente com hinos religiosos. Barrada na hora da missa de corpo presente, a multidão gritou uma frase estranha para quem estava dentro de um caixão.
“ACM cadê você, eu vim aqui só pra te ver", dizia. Para definir os sentimentos da multidão dos "carlistas", o motorista de táxi José Bispo Sena resumiu: "Foi uma grande perda para a Bahia".
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