20/07 - 06:27, atualizada às 05:31 21/07 - Santafé Idéias e Redação do Último Segundo
SÃO PAULO - O senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA), de 79 anos, morreu às 11h40 desta sexta-feira, em São Paulo. Segundo o Incor, onde o senador estava internado desde 13 de junho, ACM teve falência múltipla de órgãos decorrente da insuficiência cardíaca. Ele teve uma significativa piora durante a madrugada e ficou em coma induzido.
O corpo do senador é velado no Palácio da Aclamação, em Salvador, desde as 22h45 desta sexta-feira. Populares formam fila para velório de ACM. Está programada para às 15h30 deste sábado um missa em homenagem ao parlamentar. O corpo deve seguir em cortejo para o Cemitério Campo Santo, em Salvador, onde será enterrado por volta das 17h.
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| Caixão com corpo de ACM deixa o Incor |
Por volta das 12h30, o corregedor do Senado, senador Romeu Tuma (DEM-SP), deixou o Incor. "É uma pena que Deus o tenha chamado antes do tempo. Ele com certeza vai fazer falta para a política", apontou.
Tuma contou que teve oportunidade de conversar com ACM na última quarta-feira. “Disse que ele precisava voltar logo ao Senado por que a situação lá se agrava mais a cada dia e que talvez a presença dele pudesse trazer um pouco mais de equilíbrio”, afirmou Tuma. “Ele [ACM] vai fazer muita falta para o Senado, para o País e para a Bahia”, completou o senador.
Abelardo Camarinha (PSB) foi prestar sua solidariedade da família em nome do partido de Ciro Gomes. “ACM foi muito importante para a Bahia e para o Brasil. Apesar de ter participado da ditadura militar ele também ajudou a derrotá-la. Ele era um cara de posição forte e personalidade firme”, afirmou Camarinha.
Camarinha contou que ainda tem três netos de ACM no hospital e a viúva de seu filho morto Luís Eduardo Magalhães, Teresa. E completou, “A família está muito abalada, mas aliviada por que ele estava sofrendo muito”, conta.
Adhemar Barros, neto do ex-governador de São Paulo de mesmo nome, também esteve no local. “O legado deixado pelo ACM é exemplo de coragem e inteligência da política brasileira”, afirmou.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Paulo Skaf, foi ao Incor, e declarou que "no Brasil existe uma carência no exercício da autoridade. ACM não abria mão da liturgia dos cargos".
O Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, declarou que "é um dia muito triste pela perda de ACM". Segundo Kassab, o senador teve uma biografia política e ajudou muito seu Estado e o País. "Estamos de luto, pois ele lutou por suas idéias e deixou muitos ensinamentos". Kassab afirma, ainda, que ACM esteve lúcido até o fim e que "o Brasil perde um líder".
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi ao Incor, mas saiu sem dar declarações. O governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), decretou luto oficial de cinco dias no Estado.
Biografia
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Sua liderança e o estilo muitas vezes truculento resultaram no “carlismo”, corrente que dominou a Bahia por cerca de três décadas, durante as quais foi três vezes governador e prefeito da capital, Salvador. No plano nacional, sempre esteve ao lado do poder. Desde os tempos da ditadura militar até Fernando Henrique Cardoso. Vinha, ultimamente, amenizando as críticas e ensaiando uma aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde que este o visitou durante uma de suas internações no Instituto do Coração, em São Paulo.
Ao lado da política, ou por causa dela, embrenhou-se no jornalismo, como redator de debates da Assembléia Legislativa da Bahia e do jornal “Estado da Bahia”. Em 1979 já tinha o seu próprio jornal, o “Correio da Bahia”, embrião de uma rede de comunicação que hoje inclui sete emissoras de televisão, pelo menos três rádios, gráfica, produtora e portal de internet. Embora não tenha exercido a profissão, foi professor-adjunto da Faculdade de Medicina.
Pela UDN elegeu-se deputado federal em 1958, 1962 e em 1966, ano
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ACM se valeu do forte crescimento, o chamado “Milagre Econômico”, para alavancar a industrialização da Bahia e sua consolidação como pólo turístico. Fez o sucessor, o então aliado Roberto Santos, a quem veio a suceder, em 1979, desta vez nomeado pelo presidente Ernesto Geisel. A essa altura, além de dominar o Estado, a prefeitura de Salvador e de mais 300 prefeituras do interior, o “carlismo” estava estabelecido, com força suficiente para levar seu líder pela terceira vez ao governo da Bahia, em 1990, dessa vez pelo voto, mas já pelo PFL.
Em 1984, época da campanha pelas “diretas já”, ACM se opôs à candidatura de Paulo Maluf e, com dissidentes da Arena, fundaram a Frente Liberal, que ajudou a eleger Tancredo Neves e José Sarney, de quem foi ministro das Comunicações.
Elegeu-se senador em 1994, presidiu o Senado, mas teve que renunciar em 2001, após envolver-se no episódio de violação do painel de votação. Reelegeu-se no ano seguinte. Seu apego ao poder, que também lhe rendeu o apelido de “Rei da Bahia”, o fez sonhar em dinastia e a projetar para o filho, Luiz Eduardo Magalhães, o sonho da Presidência da República. O filho, então líder do governo FHC, morreu antes, de infarto, aos 43 anos.
ACM, que odiava outro apelido que lhe fora posto pelo General Golbery do Couto e Silva, “Toninho Malvadeza”, sentiu profundamente esta segunda perda. A filha Ana Lúcia já havia se suicidado em 1987. O “Painho” dos baianos foi casado com a discreta Arlete Maron e deixa como suplente seu filho, Antonio Carlos Júnior, que já o havia substituído em 2001. O segundo suplente é Hélio Corrêa.
(Com reportagem de Fabio Teles)
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