16/07 - 08:56 - Redação
SÃO PAULO – Os pagamentos do governo federal a empreiteiras praticamente dobraram em dois anos, consolidando um núcleo de empresas emergentes no setor. As despesas do Executivo com obras saltaram de R$ 2,4 bilhões, em 2004, para R$ 4,7 bilhões no ano de 2006. Essa multiplicação de verbas levou as construtoras, pela primeira vez no governo Lula, para o topo da lista das empresas privadas que mais recebem do Tesouro Nacional. As informações são do jornal “Folha de S.Paulo”.
Segundo o jornal, as empresas mais tradicionais – como a Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa – perderam lugares na fila dos contratos com a União. Atualmente elas estão atrás, por exemplo, da Gautama, investigada pela Operação Navalha da Polícia Federal, que desmontou um esquema de fraudes em licitações públicas, e que ocupa a 46ª colocação na lista de empreiteiras mais bem pagas.
Outras empresas menos conhecidas deixaram de ter seus ganhos medidos em centenas de milhares e passaram às dezenas de milhões de reais, de acordo com o levantamento feito pelo jornal – que inclui tanto despesas do Orçamento anual quanto gastos remanescentes de anos anteriores. Esse novo mercado se abriu quando, a partir da segunda metade do primeiro mandato de Lula, a combinação de calmaria econômica com crise política levou o governo a ampliar os gastos orçamentários.
Foi ao longo desses acontecimentos, então, que a desconhecida SPA, de Belo Horizonte (MG), se tornou líder no ranking das empresas privadas que mais recebem recursos do governo federal, posto que já foi ocupado pela Embraer e Embratel. Especializada no setor ferroviário, a empreiteira começou sua escalada quando a conclusão da ferrovia Norte-Sul foi incluída no programa de investimentos prioritários por meio de uma medida provisória. Em 2005, os pagamentos à SPA somaram R$ 150,3 milhões, quase o triplo dos R$ 53,9 milhões do ano anterior. Em 2006, o valor saltou para R$ 249,3 mi.
Empresas emergentes ocupam posições intermediárias no ranking, mas ostentam percentuais ainda mais impressionantes de aumento dos recursos recebidos pelo Tesouro nos últimos anos. Nomes como Bolognesi, Dobil, Oriente, Ivai, CMS, Sulcatarinense e Triunfo não faziam uma soma maior que R$ 1,7 milhão. Em 2006, porém, essas empresas, juntas, amealharam R$ 212,7 milhões, e todas ultrapassaram a Gaurama na fila dos contratos com o Executivo.
A empresa de Zuleido Veras, aliás, não aproveitou tanto a onda de verbas federais: no mesmo período, os pagamentos recebidos cresceram de R$ 15,2 milhões para R$ 19,9 mi, um índice de 30,9% de aumento.
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