11/07 - 15:52 - Laryssa Borges - Último Segundo/ Santafé Idéias
Brasília – O governo federal desembolsou, no primeiro semestre, quase R$ 900 mil por dia para pagar diárias de servidores. Em 180 dias foram gastos R$ 161,9 milhões com hotéis e alimentação de funcionários. Os dados são da Controladoria-Geral da União (CGU), responsável por fiscalizar o patrimônio público.
Em 2006, os gastos foram ainda maiores, atingindo a marca de R$ 442 milhões no ano, ou cerca de R$ 1,2 milhão por dia. Não há informações de quanto foi destinado a diárias somente no primeiro semestre.
No ano passado, o então titular da secretaria de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Luiz Awazu Pereira da Silva, recebeu R$ 91.219,92 em diárias em apenas quatro meses, o que corresponde a R$ 22.804,98 mensais ou a mais de 240 salários mínimos em valores de hoje. Atual chefe da Assessoria Econômica da Fazenda, Awazu fez 15 viagens em nome do governo entre 17 de janeiro e 18 de abril e recebia, na época, cerca de R$ 7.575 por mês.
Em 2007 o recorde parcial é dividido entre Palmira das Neves Bittencourt e Manoel Edilelson Madureira Batista, ambos funcionários da Gerência Regional de Administração do Ministério da Fazenda no Amapá. Cada um recebeu R$ 48.168,20 entre 19 de janeiro e 31 de maio. Apenas no primeiro dia de diária, os dois servidores foram contemplados com R$ 24.021 em seis parcelas de R$ 4.003,50. Em 31 de maio, o repasse foi de R$ 8.133,20. Nos dados da CGU, os gastos são justificados como "auxílios pecuniários ao pessoal ativo militar dos extintos territórios".
Em 2004, o Tribunal de Contas da União (TCU) classificou de "regulares com ressalvas" as contas da Gerência da Fazenda no Amapá, mas pediu a imediata revisão de vantagens concedidas apenas a aposentados e pensionistas da entidade.
Para o tribunal, os altos recursos dispensados a diárias como as apontadas pelo Último Segundo podem caracterizar fraudes ou apenas má organização do governo. O TCU sustenta que, em muitos casos, os funcionários não viajam e ficam com as diárias, têm despesas arcadas por organizações não-governamentais e embolsam o benefício, pedem auxílio mesmo em compromissos de caráter particular ou ainda são designados a uma tarefa em outra cidade quando servidores da mesma autarquia já estão na localidade e poderiam desempenhar o serviço.
Publicidade
Gastos com o Legislativo são o custo da democracia, dizem parlamentares