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Paulistano tem férias, mas não do trânsito

06/07 - 13:02 - Caio Teixeira, do Último Segundo

SÃO PAULO – A semana sem rodízio reforçou o sentimento de que morar na cidade de São Paulo é conviver com duas realidades: o trânsito ruim e o trânsito caótico. Criado em outubro de 1997, o rodízio de veículos em São Paulo foi implantado para melhorar a qualidade do ar na capital paulista. A idéia inicial era, durante o inverno, quando o ar fica mais seco, diminuir a frota de carros nas ruas e, desta forma, baixar o índice de poluição. Um ano depois, em 1998, a constatação: para o meio ambiente a diferença era mínima, mas para o motorista a situação melhorava, já que, por dia, segundo a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), 20% da frota de carros é retirada da rua.

 

Quase dez anos depois, com um milhão a mais de veículos na cidade, a Prefeitura de São Paulo resolveu fazer um teste: suspender o rodízio até o dia 13 de julho por causa das férias escolares. E o paulistano, neste começo de inverno de 2007, passou da realidade de trânsito ruim para trânsito caótico. 

“No ano passado, com o rodízio, a situação já era bem ruim. Agora, com a suspensão, andar de carro em São Paulo se tornou uma piada de muito mau-gosto”, afirma o empresário Romildo Vieira, que enfrenta as lentidões diárias da Marginal do Pinheiros. "São Paulo não tem mais horário. Agora, que seria um momento de mais tranqüilidade, de tirar férias do trânsito, o rodízio é suspenso. Está um caos", disse o produtor musical Eduardo Tibiriça. Ele passa todos os dias pela Radial Leste.

Reprodução
Da esq. para a dir., trânsito de segunda, quarta e quinta-feira mostra evolução do congestionamento em SP

Segundo o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), dados preliminares mostraram que, na semana de suspensão do rodízio, houve um aumento de 20% na lentidão do trânsito. Ainda assim, a prefeitura resolveu, nesta sexta-feira, não antecipar a volta do rodízio.

2º pior congestionamento do ano

Durante a semana, o paulistano sofreu na volta para a casa. Dados divulgados pela CET mostram que quarta e quinta-feira foram os piores dias para o motorista. Na quarta-feira, o índice de congestionamento às 19h foi de 188 km (o segundo pior do ano) e, na quinta-feira, no mesmo horário, a CET registrou 160 km de lentidão. Pela manhã, apesar de ter sido mais tranqüilo, o trânsito exigiu paciência dos motoristas.

O engenheiro Cláudio Barbieri da Cunha, do Departamento de Transportes da Universidade de São Paulo (USP), avalia que a administração errou ao suspender o rodízio. “Mesmo com as férias escolares, a maior parte da população continua trabalhando e o cotidiano do trânsito paulistano é pouco alterado, logo, não há razão para a suspensão do rodízio”, afirma.

A opinião é compartilhada pelo professor de Engenharia Civil da Universidade de Campinas (Unicamp), especialista em trânsito, Carlos Alberto Guimarães. “É um fato. A malha viária da cidade não acompanha o aumento da frota de veículos”, afirma. Hoje, segundo dados do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran), a frota de veículos na capital paulista é de 5.735.808 carros. Em 1998, esse número era de 4.749.845.
 
Soluções para o trânsito
 
Para os especialistas ouvidos pelo Último Segundo, a solução no trânsito de São Paulo apenas passa pelo rodízio - outras medidas seriam necessárias.

Segundo o professor Guimarães, o problema está no planejamento estrutural da capital paulista. “Como a malha viária da cidade não acompanha o crescimento do número de veículos nas ruas, o rodízio ajuda a melhorar a situação do trânsito”, afirma.

Porém, o professor faz uma ressalva. "Provavelmente, pelo crescimento da frota, essa estratégia de rodízio vai se tornar obsoleta. O governo precisa analisar outras formas para a solução do trânsito na cidade”, diz ele.  Guimarães sugere até mesmo seguir o exemplo da Cidade do México, onde os motoristas são obrigados a deixar o carro em casa dois dias por semana.

AE
Acidente na madrugada de quarta-feira prejudicou o motorista paulistano

 
De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Monitoramento e Engenharia de Tráfego (Abramcet), Silvio Médici, “está claro que, com o aumento da frota, o sistema de rodízio implantado está se esgotando”. Segundo Médici, a situação é alarmante. “Mesmo com as férias, quando se supõe uma menor circulação de veículos, os índices de congestionamentos diferenciam muito pouco".
 
Para Médici, um conjunto de medidas deve ser tomado para amenizar o problema. “O aumento da malha viária, uma expansão dos serviços de transporte público e conscientização da população de que há um limite para as ruas. Estas ações são básicas para que a prefeitura comece a corrigir a falha no trânsito paulistano”, afirma.





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Ruim. O trânsito em São Paulo já é caótico com o rodízio, sem ele fica pior ainda



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