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Apesar de Vavá e crise aérea, avaliação positiva de Lula fica estável, diz CNI/Ibope

06/07 - 10:19, atualizada às 17:23 06/07 - Laryssa Borges - Santafé Idéias

BRASÍLIA - A aprovação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou estável e atingiu 50% em junho, apontou pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Instituto Ibope divulgada nesta sexta-feira. O impacto de notícias negativas, como as denúncias contra o irmão do presidente e a crise aérea, segurou em patamares estáveis a avaliação positiva do governo.

Dos entrevistados, 16% avaliaram o governo como ruim ou péssimo, enquanto 33% consideraram a administração regular. Os dados apontados pela CNI/Ibope mostram um cenário estável frente ao último levantamento, em abril, quando 49% aprovavam o governo. Para o consultor da MCI (Marketing, Estratégia e Comunicação Institucional), Amauri Teixeira, o patamar de aprovação é "sólido", apesar de já evidenciar queda substancial frente a dezembro de 2006, quando, "inflado pelo otimismo pós eleitoral", o governo obteve avaliação positiva de 57%.

Com forte apelo social, a aprovação do governo Lula é mais destacada junto à população que recebe menos de um salário mínimo por mês, vive na Região Nordeste e tem grau de instrução até a 4ª série do Ensino Fundamental.

A aprovação do modo de o presidente Lula governar atinge 66%, também "muito consistente", segundo avaliação de Teixeira. Dos entrevistados, apenas 30% desaprovam como o governo é conduzido. No geral, em uma escala de 0 a 10, a nota média do governo Lula foi 6,7.

Mesmo com problemas como a crise aérea ou questões ligadas à violência, a confiança no presidente chegou a 61%, cinco pontos percentuais a mais que dados do mesmo período de 2006. No início do primeiro mandato, o grau de confiança chegava a 76%, o maior de toda a série histórica. A desconfiança em Lula é de 35% em junho, patamar estável em relação a abril de 2007.

Reeleito em outubro de 2006, Lula havia conseguido passar expectativa de um melhor segundo governo para 57% dos entrevistados pela CNI/Ibope na ocasião. Hoje, vinte pontos percentuais a menos, 37% esperam que a segunda gestão seja melhor que a primeira e 20% têm a expectativa de que será pior. Outros 41% prevêem que será igual.

Quando avaliado por áreas específicas, o governo Lula tem maior aprovação no campo social, com destaque para o combate à fome e à pobreza (com 58% de aprovação) e para as políticas de saúde e educação (avaliação positiva de 55%). Em relação à segurança pública, no entanto, a desaprovação chega a 61%, enquanto a aprovação chega a apenas 35%.

Ainda no que diz respeito a áreas específicas, o combate à inflação é o único item no campo econômico com saldo positivo de avaliação, e a atuação do governo em relação aos impostos amarga o maior saldo negativo de todo o levantamento, com 38 pontos e 65% de rejeição.

O combate à inflação é aprovado por 50% dos entrevistados e desaprovado por 42%. As políticas voltadas à taxa de juros têm 51% de desaprovação, mesmo índice computado pelo combate ao desemprego, ainda considerado insatisfatório para a maioria da população.

Escândalos

Apesar de o Instituto Ibope não ter mensurado a opinião do público em relação aos escândalos envolvendo o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) ou os desgastes do Conselho de Ética, o caso Vavá registrou a maior percepção do noticiário negativo sobre o governo Lula. Irmão do presidente, Genival Inácio da Silva, o Vavá, foi indiciado por tráfico de influência e exploração de prestígio após investigação da Operação Xeque-Mate da Polícia Federal.

No âmbito geral, 39% dos entrevistados acreditam que o noticiário sobre o governo e sobre Lula é mais desfavorável, embora as ações do governo e a imagem do presidente não tenham sofrido desgaste. As denúncias e acusações envolvendo Vavá são lembradas por 31% dos entrevistados.

A crise dos aeroportos é destacada por 14%, enquanto as viagens do presidente Lula e as operações da Polícia Federal no combate à corrupção são citadas por apenas 3% dos entrevistados. Ao responderem quais foram as principais notícias sobre o governo Lula nas últimas semanas, apenas 2% citaram a sugestão da ministra do Turismo, Marta Suplicy, para que os passageiros "relaxassem e gozassem" frente ao caos aéreo, ou notícias sobre problemas na segurança pública.

O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a posição do governo brasileiro em relação à decisão da Venezuela de não renovar a concessão da emissora RPTV são lembrados por apenas 1% dos entrevistados.

O levantamento foi realizado com 2002 pessoas de todo País entre os dias 28 de junho e 2 de julho.

Leia mais sobre: Pesquisa Ibope 





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