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Com Pan sob risco, governo concede reajuste de 6% a funcionários da Infraero

05/07 - 17:24, atualizada às 20:51 05/07 - Laryssa Borges - Santafé Idéias

BRASÍLIA – Após clara possibilidade de os Jogos Pan-Americanos serem prejudicados por uma paralisação dos funcionários da Infraero, o governo decidiu ceder às pressões do sindicato dos aeroportuários e vai conceder reajuste salarial de 6% à categoria. Ao todo, 10,6 mil servidores serão beneficiados com a medida. O principal impasse para um acordo em torno do índice de aumento era a insistência do Ministério do Planejamento de garantir apenas 4%, mesmo com a própria Infraero, estatal que controla os aeroportos, ter garantido haver dinheiro em caixa para atender à demanda dos funcionários.

 

Fontes do Planejamento informaram que a reticência do ministro Paulo Bernardo não tem efeito, uma vez que o Ministério da Defesa tem completa autonomia para decidir questões ligadas à Infraero, já que se trata de uma estatal. A expectativa é que ainda nesta quinta-feira Bernardo seja comunicado oficialmente da decisão.
 
Representantes das entidades ligadas à aviação civil estiveram reunidos no Ministério da Defesa e avaliaram os riscos de comprometer o Pan, evento considerado "cartão postal" do Brasil no exterior. A situação nos aeroportos poderia se agravar ainda mais por conta de uma assembléia prevista para a próxima segunda-feira no Rio de Janeiro dispondo sobre a paralisação do aeroporto do Galeão.
 
Após três horas e meia de discussão com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com a Empresa Brasileira de Infra-Estrutura (Infraero) e com o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) anunciou que será aumentado o quadro de pessoal no centro de gerenciamento de navegação aérea além de serem aproveitadas áreas em desuso operacional nos aeroportos.

 

O governo entende que as regiões hoje ocupadas por depósitos, por exemplo, podem ser colocadas a serviço do transposrte aéreo, o que mininizaria a crise. Em nota a imprensa, o ministério voltou a se comprometer em manter os passageiros informados de todos os problemas em seus vôos, iniciativa já anunciada em meados de março, mas até hoje não colocada completamente em prática.

Anac, Infraero, Decea e companhias aéreas, informam a nota, deverão ainda "implementar procedimentos que atendam adequadamente os usuários." O ministério não detalhou que procedimentos seriam esses limitando-se a explicar que dizem respeito a "informações e assistência necessárias à execução dos serviços públicos de boa qualidade".

Greve em Cumbica

Os funcionários do Aeroporto de Cumbica, na Grande São Paulo, pretendem realizar uma greve no dia 11, próxima quarta-feira, à 0h. A decisão foi aprovada nesta quinta-feira pelo Sindicato Nacional dos Aeroportos (Sina) e, caso as reivindicações não sejam atendidas, a paralisação pode se estender por tempo indeterminado. "Teremos um novo caos", disse o secretário-geral do Sina, Samuel José dos Santos.

A decisão da greve foi aprovada nesta quinta-feira pelo Sindicato Nacional dos Aeroportos (Sina) e, caso as reivindicações não sejam atendidas, a paralisação pode se estender por tempo indeterminado. O secretário não considera que a greve às vésperas dos Jogos Pan-Americanos seja uma irresponsabilidade da categoria. Pelo contrário, a escolha da data serve para pressionar ainda mais a Infraero e o governo.

"Queremos mostrar que o Brasil não é só de beleza e futebol. Vamos apontar os problemas que os trabalhadores brasileiros têm passado", disse Santos, alegando, ainda, que tem informações de que a reivindicação dos aeroportuários não deve onerar ou desequilibrar as contas da Infraero.

Transtorno aéreo

Cerca de 70% dos serviços do terminal será afetado. "A programação dos pousos e decolagens será mais lenta e com certeza isso ocasionará um efeito cascata de atrasos", afirmou o secretário. Apenas parte dos serviços essenciais será mantida, como navegação aérea, segurança e operações como fiscalização de pátio e organização.

Reivindicações trabalhistas

Os aeroportuários pedem reajuste de 8%, mesmo porcentual que será dado para o salário mínimo, e a reposição da perda de 33%, de 1994 até hoje.

De acordo com o secretário geral, os trabalhadores também reclamam a manutenção de benefícios, o fim das terceirizações e a convocação das pessoas aprovados em concurso. Segundo Santos, a categoria apresentou uma pauta com 163 pontos que não foram discutidos pela Infraero.

Ainda segundo Santos, o Brasil precisa saber que o "apagão" aéreo não tem "nada a ver" com a Infraero e que para manter a infra-estrutura dos aeroportos também é preciso respeitar os trabalhadores. Os aeroportuários de São Paulo vão formar uma caravana para ir ao Rio de Janeiro, na segunda-feira, para promover um protesto no aeroporto de Guarulhos, durante a reunião dos aeroportuários cariocas. "A idéia é que este se torne um movimento nacional", afirmou Santos.

Leia mais sobre: greve - apagão aéreo

(Com reportagem de Lenir Camimura e Agência Estado)





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