27/06 - 10:04 - Nara Alves, repórter iG no Rio
O que você faria com R$ 32,49? Pode parecer pouco, mas para os 26% dos brasileiros que vivem com até um salário mínimo, ou seja, R$ 380, a quantia é valiosa. A verba também seria muito bem aproveitada por organizações não-governamentais que se desdobram para conseguir patrocinadores que viabilizem seus projetos sociais. O valor de R$ 32,49 é o que todo cidadão desembolsa anualmente em impostos para manter os parlamentares no Congresso Nacional.
“Com esta verba por criança, poderíamos realizar um ciclo de formação profissional, com palestras e atividades. Ou, então, levar cada uma delas para brincar no Hopi Hari”, calculou o coordenador-geral da ONG Sonhar Acordado, Thiago Gallina. O trabalho da ONG consiste em buscar crianças em risco social ou com doenças graves em orfanatos e creches com más condições financeiras e proporcionar-lhes uma formação ética e profissional para que possam entrar no mercado de trabalho.
A instituição faz parte de uma rede internacional que atende a cerca de meio milhão de crianças carentes. Em São Paulo, onde fica a sede da ONG no País, 1.200 são beneficiadas. “Não recebemos dinheiro de fora, só normas, regras e metodologia”, esclarece Gallina. Essas crianças, ao saírem da ONG, vão enfrentar uma disputa acirrada na busca por uma vaga. A taxa de desemprego em maio nas seis maiores regiões metropolitanas do País foi de 10,1% da população economicamente ativa, isto é, 2,3 milhões de brasileiros, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
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Dos que conseguem se inserir no mercado formal ou informal, 26% com mais de 10 anos de idade ganham até um salário mínimo. Até dois mínimos, encontram-se mais 22%, o que significa que 48% dos ocupados vivem com até R$ 760. Deste total de ocupados, 69,4% são empregados e 30,6% trabalham por conta própria, segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
Diante desse quadro de desemprego, a ONG Mongue Proteção ao Sistema Costeiro, de Peruíbe, no litoral sul paulista, também decidiu investir na inserção econômica. A instituição desenvolve projetos de inclusão digital voltados para os caiçaras da região da Estação Ecológica Juréia-Itatins e na Área de Proteção Ambiental (APA) Cananéia-Iguape. “Muitas vezes as pessoas não têm dinheiro para chegar até a cidade para fazer o curso, que é gratuito. Com esse dinheiro, um caiçara pode pagar passagem de ida e volta de ônibus e assistir a 10 aulas”, orçou o secretário-geral da ONG, Plínio Melo.
Outra boa utilização do dinheiro seria comprar 13 litros de gasolina para abastecer o barco que faz a travessia do rio Una dentro da APA levando crianças à escola por duas semanas. Se o cálculo fosse feito somando as quantias despendidas em impostos por pessoa envolvida na ONG, daria cerca de R$ 6,5 mil, já que são mais de 200 participantes. “Com esse total, poderíamos construir uma marcenaria para trabalhar com a caixeta, uma madeira da região, na construção de violas e artesanato caiçara para vender. Dava para gerar renda pro pessoal aqui para a vida toda”, imaginou Melo.
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