Implantado há apenas 20 dias pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o sistema de Troca de Informações de Saúde Suplementar (Tiss) pode já sofrer mudanças. O modelo foi criado para padronizar as informações sobre os pacientes enviadas por médicos às operadoras de planos de saúde e diminuir a burocracia.
As entidades médicas, no entanto, afirmam que a guia do Tiss abre a possibilidade de o sigilo médico ser quebrado, expondo o diagnóstico dos pacientes às operadoras, o que contraria portaria do Conselho Federal de Medicina (CFM). No modelo adotado pela ANS, há um campo para o preenchimento opcional do diagnóstico, com base na Classificação Internacional de Doenças (CID-10). A informação só pode ser preenchida com autorização do paciente.
Apesar de ser opcional, representantes do CFM e da Associação Médica Brasileira (AMB) enxergam na medida um perigo que pode se voltar contra o próprio paciente, com a utilização das informações pelas operadoras para, por exemplo, reajustar seus valores de acordo com o perfil de seus usuários.
O diretor de desenvolvimento setorial da ANS, Leoncio Feitosa, discorda, mas já admite que o modelo pode sofrer mudanças. A questão, no entanto, deve antes passar pelo órgão consultivo da agência que discutiu a implantação do Tiss. Se o comitê fizer essa recomendação, retiro da guia, afirma.
A queixa dos médicos se dirige apenas ao modelo impresso do Tiss. Em outubro de 2008 deve estar implantada a versão eletrônica, que segundo a ANS terá as informações criptografadas - com acesso apenas para a agência. Pode haver mudanças no atual modelo, mas na versão eletrônica não abro mão (da classificação), diz o diretor da ANS. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo
AE