Era para ser uma viagem de pouco mais de duas horas. No entanto, levou quase o dia inteiro para Marcilene Lira Guimarães, de 27 anos, ir de Brasília até Bauru, interior de São Paulo, com seu filho C.
E.G., de 10 meses. O menino, portador de uma doença rara, precisava de um balão de oxigênio para embarcar em um vôo da Gol, domingo, às 7 horas, no aeroporto de Brasília. Esse foi o problema. Nenhum avião da empresa aérea estava pronto para receber um passageiro com necessidades especiais. O vôo ia de Brasília para São Paulo, de onde ela seguiria para Bauru.
O menino está sendo tratado no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), da USP, o Centrinho, em Bauru. Eles conseguiram embarcar só às 17 horas em um vôo da Força Aérea Brasileira (FAB), direto para a cidade do interior.
Após sair de sua casa, às 4h30, Marcilene ouviu da atendente da Gol que não poderia embarcar. De acordo com a funcionária, ela precisava de um laudo médico e de um pedido especial, feito com 78 horas de antecedência. Ela discorda. Quando a passagem foi comprada, não perguntaram nada sobre qual tipo de cuidados especiais ele precisa, diz. O menino se alimenta com uma sonda e durante o dia não pôde ser alimentado. Dei apenas chá para ele, diz.
Marcilene e seu filho foram encaminhados para a TAM. Procurada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a Assessoria de Comunicação da empresa informou que não embarcou os dois, pois o pedido deveria ter sido feito com antecedência. A assessoria da Gol informou que o embarque não foi autorizado por medida de segurança em relação à criança e que era necessária uma autorização prévia.
AE