16/06 - 08:28, atualizada às 09:03 16/06 - Redação
São Paulo - Oitenta e quatro dos 93 distritos policiais das oito delegacias seccionais da cidade recebiam propina de R$ 40 a R$ 4.400 por semana. O advogado Jamil Chokr tinha um mapa da propina paga à polícia em São Paulo. A informação é do jornal "O Estado de S.Paulo".
Para cada bairro, o advogado anotava em tabelas a quantidade de máquinas de caça-níqueis em operação e, com base nesse número, calculava quanto devia arrecadar como propina para entregar à polícia. Essa é a linha da investigação aberta pela Corregedoria da Polícia Civil e pelo Ministério Público Estadual sobre o escândalo. Isso porque as tabelas montadas por Chokr e apreendidas na apuração seguem o padrão das anotações feitas pelo advogado em envelopes com R$ 27 mil achados em seu carro após um acidente, no dia 25.
Cada envelope tinha anotado, como destinatário, um número ordinal para designar o DP, como 16º (Vila Mariana) e 31º (Vila Carrão). Dentro, havia um cálculo. O total de caça-níqueis era multiplicado por 40. O resultado dessa conta era igual ao valor em dinheiro do envelope. Apenas nove distritos da cidade não constam dos envelopes e das tabelas como beneficiários da propina. E dois deles - 36º DP (Paraíso) e 70º DP (Sapopemba) - eram destinatários dos envelopes com dinheiro, mas não há valores nas tabelas.
O mapa da propina mostra que a delegacia que mais deveria receber propina é justamente a de uma região conhecida por concentrar um grande número de pontos de jogo do bicho e caça-níqueis: o 7º DP, na Lapa, área dominada pelo bicheiro Ivo Noal. A delegacia lidera o ranking encontrado com Chokr. Suspeita-se que recebesse R$ 4,4 mil toda sexta-feira.
Na zona norte, onde a atividade dos caça-níqueis já provocou uma guerra, com a morte do bicheiro Francisco Plumari Junior, o Chico da Ronda, em 2003, o advogado anotou valores de R$ 3,9 mil para o 39º DP (Vila Gustavo). Essa delegacia ocupa o segundo lugar entre as que mais receberiam propina - em outra lista, porém, ela aparece como destino de R$ 3,6 mil. O terceiro lugar está com o 1º DP, da Sé. Ali a jogatina repassaria R$ 3,7 mil à polícia.
Publicidade
Funcionário de cartório vai responder a processo por cobrar para agilizar serviço
Dois policiais são presos acusados de seqüestro relâmpago em SP