Por que etiqueta ? Por Claudia Matarazzo São Paulo, 08 (AE) - ******* ATENÇÃO ************ ATENÇÃO ************* ATENÇÃO ***** ATENÇÃO, SENHORES EDITORES: COLUNA COM EMBARGO. PUBLICAÇÃO LIBERADA A PARTIR DE DOMINGO, DIA 10 DE JUNHO DE 2007.
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*************************************************************** Até pouco tempo atrás, quando se falava em etiqueta, todo mundo relacionava o assunto a um conjunto de normas rígidas a serem decoradas. E não é. Depois de mais de duas décadas relegado ao esquecimento (dos anos 60 aos 70, quando falar nisso era sinônimo de muuuuita caretice), a partir dos anos 80, houve uma retomada forte desse assunto. Não por modismo, mas por pura necessidade.
O mundo havia mudado. Com a internet e as novas tecnologias, as novas gerações aprenderam desde muito cedo a se comunicar das mais diversas maneiras. Porém, se comunicam muito e mal.
A humanidade perdeu a prática da convivência ao vivo. E, apesar de todas as maravilhas do mundo virtual, ainda vivemos em um mundo real, onde é preciso que se melhore a qualidade dos relacionamentos - tanto sociais quanto profissionais e afetivos.
Daí a necessidade de se retomar a etiqueta - não como um conjunto de regras complicadas, mas como um código de relacionamento feito para simplificar e embelezar nosso dia-a-dia.
Um conjunto de atitudes que, independente da tribo que freqüentamos ou da cultura em que fomos criados, facilite nosso trânsito e melhore a compreensão entre as pessoas.
Mas por onde começar? Calma. Bom senso, naturalidade e afetividade são, em minha opinião, os três princípios básicos da etiqueta.
Bom senso - usando o bom senso, não há como errar. É preciso confiar nele, até porque, no que se refere a etiqueta, nenhuma regra existe ao acaso. Normalmente ela foi testada ao longo do tempo e adotada por ser mais eficiente ou mais prática. Um bom exemplo disto são os talheres colocados em um lugar à mesa. Quando nos deparamos com nove talheres à nossa frente (três de cada lado e três de sobremesa) pode parecer um exagero e muita gente acaba ficando perdida: qual vou usar primeiro? E para comer com quê? Se usarmos o bom senso, logo vamos perceber que usaremos primeiro o que estiver mais próximo de nossa mão, na ordem de fora para dentro. Quanto ao que comer, sempre que um lugar é colocado assim, é sinal de que a comida nos será trazida por alguém e, portanto, basta utilizar os talheres na ordem.
Naturalidade - muitas vezes a situação é tão nova que ficamos paralisados e nosso bom senso some. Nesse caso, nada melhor do que ser natural e perguntar. Assim mesmo, sem medo. Afinal, ninguém é obrigado a nascer sabendo tudo sobre usos e costumes, principalmente de outros grupos ou culturas. Portanto, ser natural e não tentar fingir que sabe se não sabe, muito menos passar por um tipo de pessoa diferente do que se é, é uma boa receita para sair de eventuais saias justas.
Afetividade - é o terceiro princípio e o que mais tem sido esquecido. Hoje, muitas vezes as pessoas estão mais preocupadas com eficiência e praticidade e acabam atropelando a afetividade que, na verdade, deveria permear todas as relações pessoais. O simples fato de você se preocupar de verdade com o bem estar e conforto de outra pessoa automaticamente fará com que você aja dentro de qualquer regra de etiqueta. Sem dúvida, existem algumas regras e um comportamento específico para determinadas situações do nosso dia-a-dia. Há também um tipo de etiqueta que é a chamada "empresarial", para situações profissionais.
No entanto, como base para orientar nossas atitudes - não importa onde ou com quem -, é fundamental incorporar estes três princípios. Desta forma é mais difícil errar ou invadir o espaço alheio. E importante, evitar o que ninguém deseja: passar por grosso ou insensível.