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Desaparecimento de jovem muda rotina de famílias em Brasília

07/06 - 11:57 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias

O desaparecimento da adolescente Isabela Tainara Faria, 14 anos, ocorrido no dia 14 de maio num dos bairros mais nobres da capital federal, alterou hábitos das famílias de classe média. Com a ampla divulgação do caso, não só pela imprensa, mas também pelas mensagens na internet e cartazes espalhados em todo o Distrito Federal, inclusive nas cidades-satélites, pais estão restringindo o trânsito dos filhos nos locais públicos e adotando outras precauções.

A sensação de insegurança, conforme relatam os pais de vários pontos do DF, fica pior quanto mais dura o caso – quase um mês após o sumiço de Isabela Tainara, numa tarde em que ela seguiu a rotina de sair de casa para freqüentar dois cursos próximos, no Setor Sudoeste, a polícia admite que se trata de um caso difícil devido às poucas informações sobre o fato.

“Não tem como não achar que não há mudança na vida das pessoas”, observou Maria Júlia Avelar, 41, empresária e mãe de duas crianças, Maria Luíza, de 10 anos, e Miguel, de 6 anos. Ela é moradora do bairro onde Isabela Tainara mora, e diz ter percebido um cuidado muito maior dos pais após o caso. “Outro dia fui buscar minha filha no curso e comentei com meu irmão que nunca vi tantas babás e empregadas buscando as crianças”, comentou, para depois lamentar que isso possa ter comprometido uma característica “saudável” do Setor Sudoeste, os muitos grupos de crianças e adolescentes caminhando nas ruas para irem e voltarem para locais de estudo ou lazer.

A própria Maria Júlia admitiu ter mudado sua rotina. “A gente cria um pouco de terrorismo nas crianças até pela nossa sensação de insegurança”, afirmou. Sentimento parecido tem a nutricionista Andréa Santoro Coutinho, 42 anos, mãe de Beatriz, de 10 anos, e Giulia, de 6 anos. A família também mora no Setor Sudoeste. “Eu pensava em liberar a Beatriz para descer (do prédio) sozinha, porque já está fazendo onze anos, mas retrocedi. Fiquei extremamente chocada pelo caso. E as duas (filhas) ficaram assustadas também. A Giulia anda na rua grudada na mão da babá”, contou Andréa.

Mesmo em áreas afastadas do Sudoeste há relatos semelhantes. A dona de casa Ivone Couto Adantti, 41, moradora do bairro de Águas Claras (a cerca de 15 km do Sudoeste), decidiu com o marido fazer com que a filha de 7 anos, Clarissa, ande sempre com uma identificação contendo dados como o nome e a filiação. “A gente educa os filhos mas acontecem fatalidades. A gente fica pensando: se isso ocorresse em Taguatinga (cidade-satélite) teria essa mesma divulgação?”, questionou.

Investigações

A mãe de Isabela Tainara, a funcionária pública Edite Faria, disse na última quarta-feira à reportagem do Último Segundo que ainda não há “nenhuma hipótese descartada” pela família e pela polícia, como seqüestro, fuga da jovem ou outras. E ressaltou que Isabela não tinha problemas de relacionamento com familiares nem problemas psicológicos. A polícia fez ainda uma varredura no aeroporto e rodoviária interestadual da capital e não encontrou vestígios da passagem de Isabela por esses terminais.

“A gente não tem uma linha somente de investigação”, afirmou Edite. A família criou um site na internet parta ajudar a divulgar o caso e espalhou cartazes por todo o Distrito federal e até cidades vizinhas. “A comunidade tem ajudado. Isso ajuda a confortar. Mas também existe a parte negativa, que é menor, que são boatos e informações falsas”, lamentou.

O acompanhamento da mídia e sites na internet, incluindo o Orkut (comunidade virtual de relacionamento), mobilizou os brasilienses sobre o desaparecimento de Isabela. O caso ganha quase diariamente matérias jornalísticas nos meios de comunicação do DF, e também virou reportagem do programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo, e de outras emissoras de TV em cadeia nacional.





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