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Planalto aprofunda conversas sobre trem-bala entre Rio e São Paulo

04/06 - 13:32 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, se reuniu nesta segunda-feira com representantes do Banco Europeu de Investimentos (BEI), uma das instituições interessadas em financiar o projeto do trem-bala brasileiro, entre as capitais do Rio de Janeiro e São Paulo.

Trata-se de mais um passo do projeto orçado em R$ 9 bilhões, que pode ter início já em agosto deste ano, de acordo com técnicos do governo. Se o cronograma for cumprido, o trem estará rodando em 2015, com saídas a cada 15 minutos e tarifa de US$ 60 (R$ 120).

Apesar de ainda não haver informações oficiais da reunião de Dilma Rousseff no BEI, os técnicos do Ministério dos Transportes responsáveis pelo projeto não escondem sua empolgação.

Segundo José Francisco das Neves, presidente da empresa de logística ferroviária Valec, ligada ao ministério, o projeto do trem-bala brasileiro está ganhando mais publicidade agora mas vem sendo analisado pelo governo desde maio de 2003, quando o grupo italiano Italplan fez a proposta comercial e apresentou um estudo de viabilidade do empreendimento. Desde então, o projeto cumpriu etapas importantes como a aprovação do Tribunal de Contas da União (TCU), em abril deste ano.

“O governo federal tomou uma decisão pela cultura ferroviária no País”, observou José Francisco das Neves, que também ressaltou o interesse de empresas e consórcios, nacionais e estrangeiros, quanto ao financiamento e construção do sistema. Na semana passada, houve encontro entre grupos empresariais e membros do governo na Casa Civil. Também estão adiantadas as tratativas com o Ibama, para a aprovação do projeto e a concessão das licenças ambientais. Se tudo continuar nesse ritmo, a expectativa do governo federal é publicar o edital de licitação em agosto próximo, com início das obras em 2008.

Números 

Pelo projeto governamental, a construção do sistema do trem-bala brasileiro deve levar sete anos, e a proposta dos grupos interessados é de uma concessão (exploração dos serviços) por um prazo de mais 35 anos a partir do funcionamento das duas linhas, que ligariam a Estação da Luz, no centro de São Paulo, à Central do Brasil, na capital fluminense. 

O estudo de viabilidade apontou um fluxo potencial de 32,5 milhões passageiros no primeiro ano de operação, 2015. O trem-bala tomaria boa parte do público que hoje usa ônibus (1,35 milhões de passageiros/ano), avião (3,4 milhões de passageiros/ano) ou carro (60,2 milhões de viajantes, considerando a média de duas pessoas nos veículos contabilizados pelo pedágio da rodovia Presidente Dutra).

Os técnicos alegam que, embora o consumidor consiga pagar tarifas aeroviárias promocionais inferiores à passagem estimada do trem-bala, o meio ferroviário seria mais ágil porque o trajeto pode ser feito em uma hora e 25 minutos, com trens rodando a 360 km/h. O vôo entre Rio e São Paulo dura 45 minutos mas, com o tempo de embarque e desembarque, a espera pode levar até uma hora e meia. Sem contar que haveria saídas de trens a cada 15 minutos, diferentemente das decolagens de aviões (atuais) a cada 30 minutos e das apenas 11 saídas diárias de ônibus. Cada composição ferroviária poderia transportar 855 pessoas, contra apenas 120 de aviões e 48 nos ônibus, em média.

O projeto alega outras vantagens. Na comparação de custos ambientais, os técnicos avaliaram que uma nova rodovia entre as capitais ou a potencialização de aeroportos representaria o consumo energético de 156,6 milhões de barris de petróleo no prazo da concessão (hoje equivalente a US$ 9,4 bilhões).

Além disso, a princípio o governo não gastará um centavo na construção do sistema. Na lista dos oito possíveis financiadores, se incluem bancos de fomento como o brasileiro BNDES e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), e ainda conglomerados financeiros internacionais como o BNP Paribas, o UBS e o próprio Banco Europeu de Investimentos. As obras deverão gerar 21 mil empregos.





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