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Dê risada e desfrute de uma vida melhor

04/06 - 00:03 - Agência Estado

Dê risada e desfrute de uma vida melhor Por Mariana Segala São Paulo, 31 (AE) - Nada melhor do que dar uma bela risada depois de ouvir uma piada, assistir a uma comédia ou presenciar uma situação engraçada na rua. Para além das maravilhas que operam no estado de espírito de qualquer um, o riso e o bom humor são capazes de trazer uma série de benefícios à saúde física.

Estudos mostram que pessoas que riem favorecem suas funções cardiovasculares e gástricas e consegue se recuperar de enfermidades mais rapidamente. "Quando a pessoa sorri, ela transmite ao corpo uma onda de bem-estar", explica o médico Eduardo Lambert, especializado em homeopatia e autor do livo "A Terapia do Riso - A Cura pela Alegria".

Segundo Lambert, uma gargalhada, uma risada ou um modesto sorriso emitem ao cérebro uma ordem para que ele ative a produção de substâncias como a endorfina, um neurotransmissor, usada pelos neurônios na comunicação do sistema nervoso. "Mais precisamente é ativada a produção da beta-endorfina, substância química semelhante à morfina, que dá uma sensação imensa de bem-estar, relaxa os músculos, os vasos, melhora a oxigenação pulmonar e orgânica, protege o coração contra infartos e o cérebro contra derrames", explica o médico. É algo parecido com o que ocorre quando se pratica esporte. De acordo com o médico, a "risoterapia", como chama, pode reduzir o tempo de internação em até 20%.

Um estudo desenvolvido na Escola de Medicina da Universidade de Maryland, em Baltimore, nos Estados Unidos, indica que rir parece mesmo ser o melhor remédio - pelo menos no que diz respeito às doenças cardíacas. O pesquisador Michael Miller e sua equipe foram os primeiros a mostrar que o riso e o bom humor estão ligados ao funcionamento saudável dos vasos sanguíneos.

A partir da exibição de trechos de filmes que provocavam risos ou estresse mental, os estudiosos perceberam que os participantes submetidos às comédias tendiam a apresentar relaxamento e dilatação do endotélio - tecido que reveste o interior dos vasos -, o que permitia um fluxo maior de sangue. Quando assistiam aos outros filmes, seus vasos se contraíam, diminuindo a passagem de sangue. Os resultados, segundo Miller, indicam que rir ajuda a manter o endotélio saudável e reduz o risco de doenças cardíacas.

Para o cardiologista Carlos Vicente Serrano, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), o raciocínio "ao contrário" ajuda a entender os efeitos do bom humor na saúde. "Primeiro se notou que a depressão e a ansiedade conduziam a doenças cardiovasculares, gastrite, úlceras e até colites (inflamações no intestino grosso). Depois se percebeu que pessoas mais alegres vivem mais saudáveis", explica. Um estudo com homens de meia-idade da França e da Irlanda, desenvolvido no Hospital Paul Brousse, da cidade francesa de Villejuif, prova a tese de Serrano ao mostrar que os depressivos têm níveis maiores de sinais de inflamação associados a doenças do coração.

Segundo o cardiologista, não se sabe exatamente o que faz o bom humor beneficiar a saúde. A hipótese do estímulo à produção de endorfinas, defendida pelo médico Eduardo Lambert, é bastante aceita. Por outro lado, segundo Serrano, os bem-humorados costumam ter, de forma geral, melhores hábitos de vida: praticam exercícios, têm uma dieta mais balanceada e menos vícios. Isso seria outra razão para explicar porque justamente eles tendem a sofrer menos do coração.

MEXENDO AS BOCHECHAS - Lambert reforça que para começar a liberar as endorfinas, basta levantar as bochechas e começar a sorrir. A contração muscular é que conta mais, e em escala. "Quanto maior o sorriso, mais intenso o riso ou a gargalhada, maior será o estímulo e a síntese de substâncias químicas boas para a saúde", diz. Já Serrano pondera que o que vale é o bom humor, mais que o riso físico. Afinal, não são poucos os que vivem o chamado "estresse oculto": aquelas pessoas que parecem ser muito alegres, mas que são estressadas internamente. O estado de espírito, para o médico, é que interessa no que diz respeito à saúde.

E como se já não bastassem tantos benefícios, pesquisadores do centro médico da Universidade de Vanderbilt, na cidade norte-americana de Nashville, no Tennessee, concluíram que o ato de rir é capaz de queimar calorias. O calor e a euforia depois de uma boa dose de gargalhadas não ocorrem por acaso, afinal de contas. Maciej Buchowski, que conduziu o estudo, descobriu que rir aumenta a freqüência cardíaca em 10% até 20%. Cerca de 15 minutos de risadas podem elevar o gasto de energia do corpo em 10 a 40 calorias por dia, o que, numa continha de A por B, resulta em cerca de 1,8 kg por ano.

Para os 45 pares de pessoas que participaram, a pesquisa deve ter parecido realmente divertida. Eles assistiram a trechos de programas cômicos como "Saturday Night Live" e de filmes tão engraçados quanto "Austin Powers" e, depois, seus gastos de energia foram medidos com um calorímetro. É claro, como ressalta Buchowski, que não basta rir para queimar o chocolate de cada dia e a batata frita do fim de semana. Mas cada caloria conta, não é mesmo? PARA APRENDER - Embora pareça a coisa mais fácil do mundo, rir pode não ser assim tão simples para algumas pessoas, para quem é penoso ver graças nas situações cotidianas e dar uma gargalhada. Mas existe solução. Afinal, não se diz por aí que a tristeza de uns é a alegria de outros? Pois bem, há gente que se dispõe a ensinar pessoas a melhorar o humor e... rir! Amadeu Bernardo começou a dar cursos - hoje intitulados "Ouse e viva bem-humorado" - no Instituto CKK de Desenvolvimento Humano, de São Paulo, em 2001, e garante que os resultados são ótimos.

A idéia surgiu em 1994, quando Bernardo começou a reunir conhecidos para passar "noites alegres". Inspirado nas idas experiências de um mestre oriental chamado Meishu Sama, que na década de 1940 reunia pessoas para ler e rir de histórias hilárias criadas por elas mesmas na sua Sociedade do Riso Feliz, Bernardo fundou por aqui o Clube do Riso Feliz. O grupo se reunia - e ainda se reúne - periodicamente para contar piadas e se divertir rindo. Daí surgiram os cursos, com programas elaborados com o objetivo de substituir maus hábitos, como o "culto ao negativo", por bons. "Trata-se da busca de bons hábitos para conduzir a um nível de felicidade maior", explica.

Durante o curso, os participantes treinam comportamentos para que passem a perceber melhor o lado positivo das coisas e praticam o riso de fato. E para isso existem técnicas, como a do Papai Noel, em que se procura imitar o som da risada do bom velhinho. A gargalhada é forçada, mas, segundo Bernardo, os sinais dados ao corpo provocam mudanças fisiológicas que estimulam o riso espontâneo. "É preciso treinar e se entregar ao riso mesmo que não ache graça", diz. A reação dos alunos costuma ser meio padronizada: de início, se sentem um pouco constrangidos e não conseguem rir, mas perdem a inibição durante os dois meses de curso. "Sugiro que as pessoas treinem em casa depois, no banheiro, de frente para o espelho. Não tenha dúvida: é ridículo. Mas ao menos é você quem está rindo", conta.

A idéia de Bernardo não é usar o riso como uma muleta. Ele prefere pensar em uma ação de desenvolvimento de saúde, e não em uma terapia. "Se o riso não cura, é uma ajuda importante contra o estresse e a depressão. Mas não se pode esquecer que hábitos de comportamento levam a pessoa à situação e, por isso, é importante mais que o riso para a vida."




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