21/05 - 18:35 - Agência Estado

Campanha quer popularizar diagnóstico do glaucoma Por Vítor Cavalcanti São Paulo, 21 (AE) - Umas das principais causas de cegueira irreversível, o glaucoma atinge, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 100 milhões de pessoas em todo o mundo. O Brasil não possui estatísticas locais, mas, ao adotar os padrões internacionais para medir a incidência, estima-se que entre 6 e 10 milhões de pessoas tenham a doença.
Embora seja um mal crônico, isto é, não tem cura, o glaucoma, quando diagnosticado e tratado precocemente, pode ser controlado. Para conscientizar a população sobre a necessidade de exames periódicos e fazer um alerta sobre a gravidade da situação, a Sociedade Brasileira de Glaucoma realiza, pela primeira vez, nos dias 22 e 23 de maio, a "Campanha Brasil Contra o Glaucoma". A iniciativa vai atingir 11 cidades brasileiras distribuídas entre as cinco regiões do País. Apoiada pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia e pelo Laboratório Alcon, a ação realizará, gratuitamente, dois exames capazes de diagnosticar ou verificar a predisposição ao desenvolvimento do problema (exame de pressão ocular e fundoscopia, que avalia o fundo do olho). Além disso, as pessoas receberão panfletos explicativos e, quando necessário, serão encaminhadas para a realização de exames mais complexos e início da terapia. "O tratamento dessa doença é caro. Além de alertar a população para exames periódicos, falaremos também ao poder público sobre a distribuição gratuita da medicação", informa Paulo Afonso Batista dos Santos, coordenador nacional da campanha e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia. A base do tratamento são os colírios, cujos preços variam entre R$ 6 e R$ 100. Esses valores fazem com que muitos pacientes abandonem o tratamento, abrindo espaço para a progressão da doença. "Fica cego quem não tem acesso ao diagnóstico ou não adere ao tratamento - seja por não usar o colírio ou por não ter condições para comprá-lo. Alguns Estados distribuem alguma coisa, mas não é algo regular", afirma Fabíola Mansur, médica oftalmologista e vice-coordenadora da campanha. Apesar do custo e do acesso ao tratamento estarem entre as questões centrais da campanha, o alerta em relação ao diagnóstico precoce é, sem dúvida, o principal ponto. Os dois exames que estarão disponíveis durante a campanha são baratos, simples e indolores e os equipamentos utilizados nesses testes estão disponíveis na rede de atendimento do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, falta informação às pessoas. "O glaucoma é uma doença silenciosa e só é descoberto em exames de rotina. As pessoas passam até quatro anos sem fazer um exame oftalmológico. Outro problema que enfrentamos é a má distribuição dos equipamentos, o que gera dificuldade de acesso para uma parcela da população", diz Santos. HISTÓRICO - A "Campanha Brasil Contra o Glaucoma" foi inspirada em uma iniciativa que nasceu em Salvador (BA). A capital baiana teve já abrigou três edições do evento batizado de "Glaucoma no Pelô". A primeira, em 2004, realizou 700 atendimentos. Na última edição, no ano passado, 4.100 pessoas foram examinadas. "O que nos motivou a começar esse movimento em Salvador foi a alta concentração de pessoas negras na cidade (os negros têm maior propensão a desenvolver o problema)", lembra Santos. Neste ano, com caráter nacional, a expectativa é realizar 30 mil atendimentos. Para esse mutirão, serão mobilizados mais de 500 oftalmologistas voluntários. Apesar de a doença atingir pessoas de qualquer idade, a campanha será voltada para indivíduos com mais de 45 anos - idade em que a incidência aumenta. "Vamos pedir um documento de identificação no dia do evento para que o atendimento seja focado nesta faixa etária. Não podemos atender a todos, por isso adotamos esse foco. Através da ação, vamos estimular a procura pelo oftalmologista", completa Fabíola.
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