06/05 - 19:05, atualizada às 14:13 07/05 - Redação com agências
SÃO PAULO - O corpo do deputado federal e fundador do Prona (Partido de Reedificação da Ordem Nacional), Enéas Carneiro, foi cremado nesta segunda-feira no no Crematório da Santa Casa de Misericórdia do Rio. O deputado faleceu por volta das 16h deste domingo em sua residência no Rio de Janeiro em decorrência de leucemia.
De acordo com o líder do PR na Câmara, deputado Luciano Castro (RR), Enéas estava lúcido até ontem. “Ele era um nacionalista. Uma figura de muita relevância para o Partido da República, que ele ajudou a fundar. Infelizmente, ele não teve tempo de participar do partido devido à leucemia", afirmou.
Poucos políticos passaram por lá durante a manhã, entre eles o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) e o deputado estadual Edino Fonseca (PR-RJ). Muito emocionada, a ex-deputada estadual de São Paulo, Havanir Nimtz, disse que Enéas foi seu grande mentor político. Mesmo depois de ter trocado o antigo Prona pelo PSDB, a deputada disse ter conservado os ideais nacionalistas de Enéas. O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB/SP), ex-presidente da Câmara, também compareceu ao velório.
Luto
A Câmara dos Deputados decretou luto pela morte de Enéas. A sessão deliberativa prevista para esta segunda será suspensa conforme prevê o regimento interno da Câmara.
A vaga do deputado Enéas será preenchida por sua suplente Luciana Costa (Prona-SP). Ela recebeu 3.980 votos nas últimas eleições e deve ser empossada em trinta dias.
Enéas vinha fazendo tratamento de quimioterapia e estava internado num hospital até a semana passada. Há quatro dias havia voltado para sua residência.
Conhecido pelo bordão "Meu nome é Enéas" e pela barba avantajada, Enéas estava em licença médica desde 2006. Ele concorreu à Presidência da República quatro vezes, mas foi eleito em 2002 quando desistiu do cargo e tentou a Câmara dos Deputados. Ele obteve 1,7 milhão votos. Reeleito em 2006, o parlamentar ficaria no cargo até 2010.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva emitiu nota em que manifesta solidariedade à família, amigos e correligionários do parlamentar "neste momento de tristeza e pesar". A nota diz ainda que "Enéas é merecedor de nosso respeito tanto por sua trajetória como médico cardiologista como pela votação expressiva que recebeu nas diversas eleições que disputou".
Biografia
Enéas Ferreira Carneiro nasceu em cinco de novembro de 1938, em Rio Branco. Ele atuou como médico e professor universitário antes de fundar o Prona em 1989, ano em que concorreu pela primeira vez à presidência.
Seu tempo restrito na propaganda eleitoral gratuita determinou a forma como ficou conhecido pelos brasileiros. A fala rápida e o discurso inflamado, finalizados com o bordão "Meu nome é Enéas", lhe renderam fama imediata.
Enéas voltou a concorrer em 1994 e surpreendeu os especialistas ao se tornar o terceiro candidato mais votado, com mais de 4,6 milhões de votos (7%), ficando à frente de políticos consagrados, como Leonel Brizola, Orestes Quércia e Esperidião Amin. Em 1998, foi o quarto colocado nas eleições presidencias.
Sua candidatura à prefeitura de São Paulo, em 2000, não teve muito sucesso, mas conseguiu reunir votos para a eleição de sua candidata a vereadora Havanir Nimtz.
Em 2002 candidatou-se a deputado federal pelo mesmo Estado, e obteve a maior votação da história brasileira para o cargo. Através do sistema proporcional, seu partido conseguiu eleger mais três deputados.
No início de 2006 Enéas passou a enfrentar problema de saúde relacionados à leucemia, que fez com que perdesse sua folclórica barba. Ele voltou ao horário político no mesmo ano para concorrer à reeleição. Na nova campanha, mudou seu bordão para "Com barba ou sem barba, meu nome é Enéas, 5656!".
Após o primeiro turno, seu partido se fundiu com o PL e, juntos, fundaram o Partido da República. Ele foi reeleito com a quarta maior votação do Estado.
(Com Congresso em Foco)
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