02/05 - 19:29 - Agência Estado

O governador do Rio, Sérgio Cabral Filho (PMDB), reagiu às críticas do relatório da Anistia Internacional, que deu destaque para o excesso de operações violentas da polícia fluminense, defendendo a atuação das forças estaduais. Para o governador, diante da ousadia dos traficantes que aterrorizam favelas do Rio, a polícia não tem outra resposta a dar que não seja o enfrentamento.
"Eu não posso pedir por favor a um marginal munido de um fuzil que me entregue a arma. Tenho que ir para o combate", argumentou.
O governador negou que tenha defendido na campanha eleitoral o fim do uso dos carros blindados da polícia, os chamados "caveirões", como cobra o relatório da Anistia. Ele explicou que defendeu o fim do uso indiscriminado do recurso, mas observou que em muitas situações os blindados são necessários para dar segurança aos policiais no enfrentamento com bandidos. "O que deixei claro, durante todo o processo eleitoral e depois na transição é que o uso desse tipo de viatura no apoio à operações de combate deve ser utilizado, mas não banalizado. E ele não está sendo banalizado pelo meu governo", afirmou.
Cabral sustenta que o objetivo de seu governo é empregar cada vez mais a inteligência e a investigação para chegar aos criminosos. No entanto, argumenta que a polícia não pode se furtar a reagir diante da ofensiva dos criminosos. Ele admitiu que a população das favelas é refém de um pequeno grupo de traficantes que controla o território dessas comunidades, mas afirmou ter recebido manifestações de moradores pedindo a presença da polícia. "Não vamos alterar nossa estratégia de combate à criminalidade", avisou. "Para a Anistia amanhã dar outro tipo de parecer, essa fase tem de ser superada. Para darmos tranqüilidade à população, tem de haver o combate", defendeu.
Após participar da posse do novo presidente do BNDES no Rio, o governador em exercício de São Paulo, Alberto Goldman (PSDB), disse que encontrar soluções para o problema da segurança pública é uma tarefa muito difícil. Para Goldman, o combate eficaz à criminalidade cobrado pela Anistia é uma tarefa complexa, que exige "uma imensidade de recursos e grandes transformações".
"Isso é difícil para qualquer país, principalmente para um país pobre, como é o Brasil", afirmou Goldman. O ex-deputado, crítico do governo Lula, reconhece que também o PSDB teve dificuldades para implementar uma política nacional de segurança consistente, como cobra a Anistia. "Planos nós temos bastante. Foram feitos no governo anterior e no atual. Existem concepções claras a respeito disso, mas existem dificuldades estruturais", opinou Goldman.
Também no BNDES, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), disse que confia no esforço do governo federal para aprofundar o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), que, para a Anistia, foi abandonado pelo governo Lula. A região metropolitana do Recife está entre as mais violentas do País e está no alvo de um plano nacional de segurança, em elaboração pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. Campos diz apostar na integração com o governo federal e com os outros estados e, como recomenda a Anistia, defende políticas sociais e de prevenção.
"Estamos hoje convivendo nos grandes centros os efeitos da paralisia que viveu o País em três décadas perdidas. Precisamos ter uma política integrada, que vai da prevenção, da rede de proteção social, a uma polícia muito mais qualificada, treinada. É a hora de trocar a força pela inteligência", afirmou.
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