24/04 - 16:09, atualizada às 18:45 24/04 - Caio Teixeira, do Último Segundo
SÃO PAULO - Com o objetivo de diminuir acidentes envolvendo motos, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) de São Paulo quer multar os motoqueiros, que circulam entre os veículos, desrespeitando as faixas que dividem as pistas. Em 2006, 380 motoqueiros morreram no trânsito em todo o País.
De acordo com um levantamento da companhia, dos acidentes fatais de moto, 52% estavam relacionados com motoqueiros que dirigiam entre os veículos. “Temos de acabar com isso, é um absurdo o número de mortos e feridos”, afirmou nesta terça-feira o diretor de operações da CET, Adauto Martinez.
Segundo o diretor, iniciativas para melhorar as condições de segurança já foram criadas, como a faixa exclusiva para motociclistas na Avenida Sumaré, na região oeste de São Paulo. “Entretanto, precisamos de medidas mais drásticas. Acredito que mesmo coibindo as motos de andarem entre os veículos, é possível uma convivência pacífica”, afirmou Martinez.
Artigo 56
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que entrou em vigor em 1998, tinha - na sua versão original - um artigo que proibia a circulação de motos entre os veículos. Este artigo, porém, foi vetado pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Com o veto, a CET encaminhou uma consulta ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran) para padronizar em qual transgressão de trânsito a circulação das motos entre os veículos poderia ser encaixada.
Para Martinez, ao menos três artigos do código de trânsito são desrespeitados: direção perigosa, ultrapassagem pela direita e não guardar distância lateral. O diretor completa que, após a decisão do Contran, será possível uma uniformização da fiscalização em todo o País, não valendo apenas para o município de São Paulo.
O outro lado
| AE |
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| Acidente com motociclista em São Paulo |
O gerente-operacional de uma empresa de motoboys, Marcos Afonso, é contra a medida. “A profissão vai acabar, pois a agilidade é a alma do negócio, se não pudermos passar entre os carros, o serviço de motofretes fica sem sentido”, afirma.
O proprietário da empresa de serviços de motocicletas “J Brasil Expresso”, Jair Lemos, afirma que "em vez de multarem, deveriam criar mais faixas preferenciais para as motos”.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas da Cidade de São Paulo, Aldemir Martins de Freitas, o Alemão, “a CET deveria colaborar para a educação dos pilotos e oferecer cursos de direção defensiva gratuitos”.
Alemão pretende encaminhar ainda nesta terça-feira um ofício para o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) para manter o veto ao artigo 56. “Quero ver o que irão fazer quando mais de 100 motos ficarem enfileiradas numa Radial Leste, atrapalhando o trânsito de todo mundo por não poderem andar entre os veículos”, disse.
Segundo o presidente do sindicato, será organizada uma manifestação de motoqueiros contra a resolução e contra a volta da cobrança de pedágio às motos que trafegam pela Rodovia Dutra. A mudança na Dutra, que liga Rio de Janeiro a São Paulo, recomeçou à 0h desta terça-feira. A manifestação está prevista para o dia 1º de maio em São Paulo.
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