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Secretário do RJ quer usar caça-níquel como computador

23/04 - 16:53, atualizada às 19:09 23/04 - Redação com Agência Câmara

RIO DE JANEIRO - O secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Alexandre Cardoso, quer que as máquinas caça-níqueis apreendidas nas recentes operações da Polícia Federal sejam doadas ao Estado para serem transformadas em computadores. Cardoso se reúne amanhã com o ministro da Justiça, Tarso Genro, para discutir a transferência dos equipamentos.

 

O secretário também encaminhou ofício para o Tribunal de Justiça do Rio, para fazer o mesmo pedido em relação às máquinas apreendidas pela Polícia Civil.

"Tenho informações de que há 200 mil máquinas como essas no País. Pelo menos 20 mil já estão apreendidas e serão destruídas. Isso é um desperdício, já que essas máquinas podem ser usadas para democratizar o acesso à tecnologia", afirmou o secretário Alexandre Cardoso. Cardoso explica que as máquinas caça-níqueis tem os mesmos componentes que computadores, como processador e placa-mãe. "Precisamos adquirir apenas teclado, gabinete e, em alguns casos, o monitor. Nas máquinas mais modernas, o visor já é um monitor, e poderíamos aproveitá-lo", afirmou.

O custo da conversão ficaria entre R$ 100 e R$ 150, o equivalente a 10% de um computador novo, calcula o secretário. A adaptação das máquinas ficaria a cargo do Instituto Superior de Informática da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado (Faetec). De acordo com Cardoso, os alunos dos cursos profissionalizantes da Faetec fariam a conversão. "Nós formamos turmas para conserto e montagem de computadores. As máquinas seriam usadas em aulas práticas. Temos capacidade de colocar até mil técnicos para realizar esse serviço", afirma o secretário.

Se a proposta de Cardoso for aceita pelo Ministério da Justiça, a idéia é criar um laboratório para a conversão dos caça-níqueis. O secretário disse que pedirá ainda ajuda ao Ministério da Ciência e Tecnologia para equipar essa central em que os equipamentos serão transformados em computadores. A proposta inicial é preparar cinco mil computadores, mas a capacidade de processamento pode ser aumentada. "Queremos que os computadores sejam usados nas escolas estaduais e também pretendemos criar convênios com prefeituras", afirmou o secretário.

Operação Furacão

AE
O contraventor Antonio Petrus Kalil, conhecido como "Turcão", de 82 anos, realiza exames, entre hoje e amanhã, no Hospital das Forças Armadas para investigar possível problema de fuga de memória. Ele está preso na carceragem da superintendência da Polícia Federal, em Brasília e deve ser transferido para o Rio de Janeiro junto aos outros 20 presos, na Operação Furacão (Hurricane, em inglês), que, como ele, não têm foro privilegiado. Eles são acusados de envolvimento com a máfia dos bingos.

A transferência dos 21 acusados deve acontecer por causa do desmembramento do inquérito pedido pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) César Peluso. O processo deve correr na 6ª Vara de Justiça Federal do Rio de Janeiro. Os 21 detidos serão ouvidos na próxima quinta-feira. Até lá a Polícia Federal vai definir a logística da transferência, ou seja como e quando serão transferidos.

Após serem interrogados, os presos devem ser novamente transferidos. Eles devem ficar no presídio federal de Campo Grande (MS) pelo menos até o vencimento da prisão preventiva, daqui a um mês.

Magistrados soltos

Os advogados de defesa dos acusados contestam no Supremo Tribunal Federal a soltura dos quatro magistrados presos. Eles também questionam o desmembramento do processo, uma vez que tornaria ilegal a permanência na prisão de advogados, empresários e bicheiros, sem foro privilegiado. O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse considerar correta a decisão de mandar soltar os magistrados presos.

“A decisão do STF sobre a soltura dos magistrados tem elementos que desconfiguram a prisão temporária”, argumentou o advogado Pedro Teixeira. Segundo ele, o fato de o ministro do Supremo ter declarado que não era de sua competência o julgamento do mesmo pedido de soltura para os presos torna a prisão temporária, encerrada ontem, ilegal. “Se ele não pode julgar o caso dos 21, a partir daquele momento a prisão temporária se torna ilegal”, argumenta Teixeira, que é responsável pelas defesas do agente administrativo da Polícia Federal de Niterói, Francisco Martins (Chicão) e do delegado da PF, Carlos Pereira.

Teixeira também contesta o fato de as decisões para soltura dos três magistrados no sábado e do juiz do Tribunal Regional do Trabalho, Ernesto Dória, no domingo. “Existe plantão para os magistrados, mas o questionamento sobre a prisão temporária para os demais presos, apresentado por nós no sábado, ainda não foi respondido”, compara. Teixeira também acredita que agora haverá ainda mais dificuldades para obter informações sobre o caso com o desmembramento do inquérito.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Nacional dos Procuradores da República também criticaram a libertação dos magistrados presos na Operação Furacão. Deflagrada no dia 13 de abril, a ação resultou na prisão de 25 suspeitos de envolvimento na compra e venda de sentenças judiciais para beneficiar casas de bingo. Dentre os acusados estão magistrados, advogados, contraventores e policiais.

Afastamento do STJ

Divulgação
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Raphael de Barros Monteiro, autorizou nesta segunda-feira o afastamento do ministro Paulo Medina por 28 dias. Medina alegou motivos de saúde para se afastar do cargo após ter sido citado nas investigações da Operação Furacão da Polícia Federal. De acordo com o STJ, o ministro ainda não será investigado porque o pedido formal de apuração do caso não foi entregue.

(Com Agência Brasil)





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