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Preso na Furacão faz exames para investigar "fuga de memória"

23/04 - 09:59, atualizada às 19:10 23/04 - Sarah Barros, Último Segundo/Santafé Idéias

BRASÍLIA - O contraventor Antonio Petrus Kalil, conhecido como "Turcão", de 82 anos, realiza exames, entre hoje e amanhã, no Hospital das Forças Armadas para investigar possível problema de fuga de memória. Ele está preso na carceragem da superintendência da Polícia Federal, em Brasília e deve ser transferido para o Rio de Janeiro junto aos outros 20 presos, na Operação Furacão (Hurricane, em inglês), que, como ele, não têm foro privilegiado. Eles são acusados de envolvimento com a máfia dos bingos.

 

A transferência dos 21 acusados deve acontecer por causa do desmembramento do inquérito pedido pelo ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) César Peluso. O processo deve correr na 6ª Vara de Justiça Federal do Rio de Janeiro. Os 21 detidos serão ouvidos na próxima quinta-feira. Até lá a Polícia Federal vai definir a logística da transferência, ou seja como e quando serão transferidos.

Após serem interrogados, os presos devem ser novamente transferidos. Eles devem ficar no presídio federal de Campo Grande (MS) pelo menos até o vencimento da prisão preventiva, daqui a um mês.

Magistrados soltos

Os advogados de defesa dos acusados contestam no Supremo Tribunal Federal a soltura dos quatro magistrados presos. Eles também questionam o desmembramento do processo, uma vez que tornaria ilegal a permanência na prisão de advogados, empresários e bicheiros, sem foro privilegiado. O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse considerar correta a decisão de mandar soltar os magistrados presos.

“A decisão do STF sobre a soltura dos magistrados tem elementos que desconfiguram a prisão temporária”, argumentou o advogado Pedro Teixeira. Segundo ele, o fato de o ministro do Supremo ter declarado que não era de sua competência o julgamento do mesmo pedido de soltura para os presos torna a prisão temporária, encerrada ontem, ilegal. “Se ele não pode julgar o caso dos 21, a partir daquele momento a prisão temporária se torna ilegal”, argumenta Teixeira, que é responsável pelas defesas do agente administrativo da Polícia Federal de Niterói, Francisco Martins (Chicão) e do delegado da PF, Carlos Pereira.

Teixeira também contesta o fato de as decisões para soltura dos três magistrados no sábado e do juiz do Tribunal Regional do Trabalho, Ernesto Dória, no domingo. “Existe plantão para os magistrados, mas o questionamento sobre a prisão temporária para os demais presos, apresentado por nós no sábado, ainda não foi respondido”, compara. Teixeira também acredita que agora haverá ainda mais dificuldades para obter informações sobre o caso com o desmembramento do inquérito.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Nacional dos Procuradores da República também criticaram a libertação dos magistrados presos na Operação Furacão. Deflagrada no dia 13 de abril, a ação resultou na prisão de 25 suspeitos de envolvimento na compra e venda de sentenças judiciais para beneficiar casas de bingo. Dentre os acusados estão magistrados, advogados, contraventores e policiais.

Afastamento do STJ

Divulgação
O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Raphael de Barros Monteiro, autorizou nesta segunda-feira o afastamento do ministro Paulo Medina por 28 dias. Medina alegou motivos de saúde para se afastar do cargo após ter sido citado nas investigações da Operação Furacão da Polícia Federal. De acordo com o STJ, o ministro ainda não será investigado porque o pedido formal de apuração do caso não foi entregue.

(Com Agência Brasil)





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