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STF determina bloqueio de bens de mais de cem pessoas

20/04 - 07:49, atualizada às 20:58 20/04 - Redação com agências

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o bloqueio de bens de mais de cem pessoas envolvidas com a máfia dos caça-níqueis. O pedido de bloqueio aconteceu após pessoas ligadas à máfia do jogo terem tentado sacar R$ 4 milhões em agências bancárias do País desde o início da operação Furacão (Hurricane, em inglês). Os 25 presos e seus familiares tiveram bens e contas bancárias bloqueados a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) na última quinta-feira.  

 

Gravações telefônicas da Polícia Federal para a Operação Furacão que desmontou uma rede de corrupção envolvendo bicheiros e representantes do Poder Judiciário, revelam que contraventores teriam financiado a campanha de cinco candidatos à Assembléia do Rio. Os candidatos envolvidos foram eleitos. As informações são do jornal “O Globo”.

Nesta sexta-feira o ex-delegado Luiz Paulo Dias de Matos deve ser ouvido novamente. Ele teria pedido à PF para prestar novo depoimento. 

Pelo menos cinco deputados estaduais teriam recebido ajuda financeira. São eles: Álvaro Lins (PMDB), ex-chefe de Polícia Civil; Domingos Brazão (PMDB); Marcos Abrahão (PSL); João Figueira (DEM), coordenador das campanhas do prefeito Cesar Maia; e Noel de Carvalho, atual secretário de Habitação do Estado. Tanto bicheiros quanto magistrados foram detidos na última sexta-feira.

Contas no exterior

Através das investigações a PF já descobriu que pelo menos um dos 25 presos pela operação tem conta bancária no exterior. Há ainda a suspeita de que outros quatro envolvidos no esquema de venda de sentenças sejam beneficiários de recursos depositados no exterior.

O primeiro indício de que os investigados teriam contas fora do Brasil apareceu em uma agenda azul achada no escritório do advogado Virgílio Medina, irmão do ministro do STJ, Paulo Medina, suspeito de favorecer a máfia do jogo. Na página do dia 22 de maio de 2006, uma anotação indicava a necessidade de “checar contas do ex”, expressão interpretada pelos investigadores da Polícia Federal como “checar contas no exterior”. Investigado, Medina estuda pedir licença médica nos próximos dias.

Cautela

O presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse na quinta-feira que é preciso "averiguar com cautela" o noticiário que tem saído a respeito de envolvimento de parlamentares com suspeitos presos na Operação Furacão. Segundo ele, a PF realiza um trabalho próprio de investigação e, até o momento, não há ainda culpa formada.

AE
Marina Maggessi chora ao se defender
O comentário de Chinaglia foi feito após a PF descobrir que o nome da deputada Marlina Maggessi (PPS-RJ) foi citado em escutas telefônicas. Suspeita-se que sua campanha tenha recebido dinheiro do bicheiro Ailton Guimarães, o Capitão Guimarães, preso pela operação. Inspetora licenciada da Polícia Civil do Rio, ela atribuiu o vazamento a inimigos que fez na polícia e na política, mas não citou nomes

"Até agora eu não vi a PF me acusando, mas sendo traída dentro dos seus quadros. Qual é o nome da PF que me acusa? O que está acontecendo é uma coisa muito suja de manipulação", disse a deputada. "Isso não é coisa de poderoso, é coisa de rato. Estão vazando relatoriozinho para alguém e sujando o nome de quem assina o relatório. É coisa de gente vendida lá dentro", afirmou na entrevista coletiva que convocou em sua casa, no Leblon, na zona sul da capital fluminense.

Outro parlamentar investigado pela PF é o deputado Simão Sessim (PP-RJ), que teria sido procurado pelo bicheiro Aniz Abrahão David, seu primo, com o objetivo de trabalhar na aprovação de projeto em favor dos bingos.

(*com informações da Agência Estado)

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