19/04 - 14:38, atualizada às 17:17 19/04 - Redação com agências
O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o bloqueio de bens de cerca de 50 envolvidos na Operação Furacão da Polícia Federal, que aconteceu na última sexta-feira e investiga o esquema de exploração de jogo ilegal e venda sentenças judiciais. O pedido foi feito pela PF.
Na operação foram presas 25 pessoas, que estão na Superintendência da PF, em Brasília. As informações são do "Jornal Hoje". O STF não confirma a informação alegando que o inquérito corre em sigilo de Justiça. Em nota publicada neta tarde, o STF afirma que a instituição "repudia as inferências de que possa ter havido tentativa de influenciar decisões dos ministros desta Corte. O Tribunal já determinou a abertura de inquérito para apurar a responsabilidade pela quebra do segredo de justiça, fato grave, intolerável e criminoso".
Mesmo após divulgar uma nota de que todos os trabalhos seriam interrompidos durante a greve dos funcionários da Polícia Federal, na última quarta-feira, a PF colheu o depoimento dos últimos cinco, dos 25 supeitos presos na operação. A PF ouviu os detidos na madrugada desta quinta-feira. Hoje, segundo a PF, não deve haver mais depoimentos, apenas a continuação da investigação.
A maioria dos presos interrogados pela PF na madrugada desta quinta-feira preferiu não colaborar com as investigações. Os envolvidos com a máfia do jogo querem, antes, conversar com os advogados sem o monitoramento de policiais.
O advogado Thiago Bouza, que faz parte de um escritório que defende um grupo de sete presos durante a Operação Furacão (Hurricane, em inglês), entre eles o contraventor Aílton Guimarães, o Capitão Guimarães, afirmou que a orientação para que os acusados não falem durante os depoimentos visa protegê-los. Isso porque os autos do processo ainda não puderam ser analisados detalhadamente e existe a preocupação de que a Policia Federal tenha mais informações do que as que constam no inquérito.
A maioria dos 25 presos não deu informações à PF durante os depoimentos tomados até esta madrugada. Segundo Bouza, tem sido feito uma pressão psicológica sobre os acusados. “Alguns querem falar, mas até que tenhamos todas as informações, a orientação é aguardar”, afirmou.
Visitas
Nesta quinta-feira, os 25 presos recebem visitas de familiares. É permitida a entrada de dois familiares para cada preso, que podem levar itens de higiene pessoal, roupas e frutas. O encontro é feito no parlatório, por meio de interfone, sem possibilidade de contato físico, apenas visual.
Prisão preventiva
A PF também informou que irá pedir a prisão preventiva dos suspeitos detidos durante a operação. A ação será tomada, pois o período de prisão provisória acaba no domingo e a Polícia não pode requisitar uma nova prorrogação.
Na operação foram cumpridos 70 mandados de busca e apreensão e 25 mandados de prisão contra chefes de grupos ligados a jogos ilegais, empresários, advogados, policiais civis e federais, magistrados e um membro do Ministério Público Federal.
Para a Polícia, há “indícios e provas” do “pagamento rotineiro” de propina a políticos que atuariam num lobby para liberar a exploração de jogos no país.
A máfia do esquema prometia influenciar até mesmo a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ellen Gracie. Os documentos do inquérito da PF teriam indícios apontando que o advogado Virgílio Medina, irmão do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Paulo Medina, funcionou como uma espécie de coordenador da tentativa de influenciar a ministra Ellen Gracie.
Um relatório da PF ainda revelaria que os investigados pela Operação Furacão efetuaram pelo menos um pagamento de R$ 1 milhão ao ex-vice presidente do Tribunal regional Federal da 2ª Região José Eduardo Carreira Alvim em troca de decisões favoráveis a bingos no Rio de Janeiro.
Entre os itens apreendidos pela PF durante as investigações estão: 51 veículos de luxo, 523 peças de jóias, 14 pistolas de vários calibres e uma embarcação de 41 pés.
A operação
Após um ano de investigações, a Polícia Federal deflagrou na última sexta-feira a Operação Furacão nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e no Distrito Federal para deter envolvidos em esquemas de exploração de jogo ilegal.
A investigação começou há um ano na 6ª Vara Federal do Rio, com a juíza Ana Paula Vieira de Carvalho e, em setembro de 2006, foi remetida pelo procurador geral da República, Antônio Fernando de Souza, para o Supremo Tribunal Federal, devido ao surgimento do nome do ministro do Supremo Tribunal de Justiça Paulo Medina.
A partir de então, o inquérito 2.424/2006 passou a ser presidido em sigilo pelo ministro do STF Cézar Peluso. Ele autorizou a instalação de escuta, inclusive no gabinete de Carreira Alvim, cujos microfones foram descobertos no forro do teto. Alvim, que disputava a presidência do TRF, acusou na época a direção do Tribunal pelos grampos. Na eleição, ele foi derrotado por 15 votos a nove.
(Com Caio Teixeira e Sarah Barros)
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