14/04 - 12:37, atualizada às 19:41 14/04 - Redação com agências
SÃO PAULO - A Polícia Federal apreendeu R$ 15 milhões com os 25 suspeitos presos no esquema ligado a bingos e máquinas caça-níqueis, desbaratado ontem pela Operação Hurricane (furacão, em inglês).
Além do dinheiro apreendido, em cheque e em dinheiro, a polícia encontrou US$ 300 mil, euros, libras e 51 carros.
Os acusados depõem desde a tarde deste sábado. A Polícia espera chegar a novos nomes, dentro da própria instituição, que "blindavam" o esquema de proteção ao jogo ilegal.
O depoimento, marcado para às 14 horas, atrasou porque o delegados que participaram da operação ontem estavam cansado. Advogados dos suspeitos protestaram contra a demora.
Relaxamento de prisão
Entre os presos, o desembargador José Eduardo Carreira Alvim e o advogado Silvério Nery Cabral Júnior já pediram que relaxe as prisões. O pedido será analisado pelo ministro do STF Cezar Peluso, autor da decisão que determinou a prisão do grupo das 25 pessoas. A expectativa é de que Peluso decidirá os pedidos de relaxamento de prisão apenas na próxima semana.
É o caso de Raul Ornelas, que representa Luiz Paulo Dias de Matos e a única mulher entre os 25 presos na Operação Furacão, Susie Pinheiro Dias de Matos, que trabalha na Agência Nacional de Petróleo (ANP), também poderá entrar com pedido de relaxamento de prisão de seus clientes.
"São pessoas de boa índole e excelente profissionais", afirmou o advogado. "O fundamento de uma prisão temporária é garantir a coleta de provas, o que já foi feito, não há necessidade de manter a prisão após os depoimentos", completou.
Novos nomes
Um dos suspeitos, segundo a PF, é o delegado federal aposentado Oscar Camargo Costa Filho, que já ocupou a Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo e hoje é advogado com escritório na Avenida Paulista.
As gravações da PF mostram Costa Filho intermediando conversas entre representantes de bingos e policiais federais. Na sexta-feira, o escritório e a residência do suspeito foram alvo de uma operação de busca e apreensão.
Transferidos
O delegado responsável pelo caso, Ângelo Gioia, disse que todos os 25 detidos chegaram à Brasília por volta das 6 horas da manhã e estavam sendo acomodados nas celas da carceragem da PF em Brasília. Por falta de espaço nas instalações físicas, a PF foi obrigada a transferir alguns presos que já estavam lá para a penitenciária da Papuda e, com isso, abrir espaço para os novos detidos que chegaram do Rio de Janeiro e da Bahia.
"Não havia como acomodar todo esse efetivo, e era impossível porque o espaço físico não comportava", afirmou o delegado, acrescentando que nenhum dos presos está sozinho. Os detidos estão distribuídos entre três e cinco pessoas em cada cela. O delegado contou ainda que a PF comprou novos colchões para os presos já que os que existiam no prédio foram levados para a Papuda.
Por causa da demora nas acomodações físicas, os advogados não puderam ter acesso a seus clientes e alguns desistiram para voltar à tarde. Antes, porém, chegaram a contatar o conselheiro da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Bruno Rodrigues, para reclamar da dificuldade de conversar com os clientes. O delegado Gioia negou que tenha havido cerceamento de direito do contato dos advogados, "porque essa é uma prerrogativa constitucional" e explicou que houve demora na acomodação dos presos, mas que as conversas com os advogados já estão acontecendo.
Sem privilégios
Segundo Gioia, não está havendo privilégios aos presos, embora existam juízes e delegados entre eles. "Já estão todos encarcerados e nas mesmas condições de quaisquer presos", afirmou o delegado. Ele relatou que todos serão alimentados com o "mesmo tipo de comida" e têm à disposição um médico de plantão.
Os advogados do bicheiro Antonio Petrus Kalil, o Turcão, manifestaram preocupação com a saúde do cliente e pediram para levar um médico particular e roupas. O delegado disse que a entrada de uma mala com roupas foi autorizada, mas não o médico.
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