11/04 - 12:49, atualizada às 15:09 11/04 - Flavio Condé, repórter Último Segundo
RIO DE JANEIRO - Rádios-transmissores e celulares são constantemente apreendidos em presídios do Estado. Mas, desta vez, é o Orkut que está na mira da Corregedoria da Polícia Civil. A corregedora Ivanete Araújo afirmou nesta quarta-feira que irá investigar uma página no site de relacionamentos que estaria sendo usada por dois presos da Polinter de Neves, em São Gonçalo.
Segundo ela, uma sindicância já foi aberta para apurar o caso. Se os peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE) comprovarem que os detentos tiveram acesso aos computadores da Polinter, os policiais responsáveis deverão ser excluídos da corporação.
“Há um novo artigo na Lei de Execuções Penais, que pune o agente público que não proibir o acesso do preso aos celulares. E o acesso à internet não é diferente, pois é um meio de comunicação com o mundo fora da prisão”, explicou Ivanete em entrevista à rádio CBN.
A repercussão do caso incentivou até a criação de uma nova comunidade - "Até bandido tem Orkut". Criada por volta das 11h30 desta quinta-feira a página de protesto no site já reúne mais de 30 membros.
Uma das páginas investigadas no site de relacionamentos, criada em novembro do ano passado, pertenceria a Rodrigo Neves Torres e tinha cinco fotos tiradas no interior da Polinter. A polícia desconfia que, de dentro da unidade, o jovem estaria se comunicando com parentes amigos e até policiais.
Rodrigo, acusado de participar de um assalto, segue preso desde outubro de 2004. As fotos divulgadas foram registradas dentro da Polinter, uma delas na sala de administração. Em outra imagem, um dos presos aparece fazendo um churrasco.
O outro detento suspeito de usar o Orkut seria Bruno Bottinni, preso desde julho de 2005, sob acusação de um roubo em Marechal Hermes, subúrbio da cidade.
Em uma das mensagens, uma mulher alerta para o risco da página ser descoberta: "Cuidado hein! Vcs estão brincando! Só dando uma surra em vocês mesmo né!" Os recados dos policiais envolvidos, gravados no dia 22 de janeiro, foram apagados.
Na comunidade "Amamos o Rodrigo", criada pelos amigos, internautas indignados criticam a falta de seriedade do sistema penal e o pagamento de impostos, destinado ao sustento de presos.
A Corregedoria vai investigar a possibilidade deles terem usado a internet de uma das salas de administração. Nas fotos divulgadas, eles aparecem bem à vontade no local. A polícia agora quer que os dois suspeitos expliquem como fizeram a página e de quais computadores acessavam o Orkut.
Policiais suspeitos
De acordo com a Corregedoria, dois policiais estariam se comunicando com os presos por meio do site. Um deles, que trabalhou na Polinter entre junho de 2006 até fevereiro deste ano, já foi identificado. Nas mensagens enviadas aos presos, votos de boa sorte e um pedido de um número de celular, supostamente usado pelos detentos dentro da Polinter.
Apenas o boneco "Chucky", personagem do filme de terror "Brinquedo Assassino" aparece na página pessoal de um dos policiais supostamente envolvidos, identificado apenas como Fábio Júniorr.
Entre as nove comunidades escolhidas em sua página pessoal, duas são da Polícia Civil e uma dedicada ao "Caveirão", veículo blindado usado pela polícia em confrontos nos morros do Rio. Após a divulgação do caso, mensagens irônicas e hostis foram deixadas por aproximadamente 700 internautas.
“Não podemos tolerar essa postura de um policial civil. Eles responderão a processo administrativo e caso a culpa seja comprovada, serão excluídos. Trata-se de uma denúncia grave, que acaba manchando a imagem da instituição”, disse a corregedora.
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