04/04 - 13:21 - Nara Alves, repórter iG no Rio
RIO DE JANEIRO – O coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Celso Schröder, defendeu a criação de um sistema estatal submetido ao sistema público, em entrevista ao Último Segundo. Celso Schröder é professor de jornalismo da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.
Último Segundo: O FNDC tem um posicionamento favorável ou contrário à criação de uma nova rede de TV pública?
Celso Schröder: O FNDC tem uma participação histórica no debate, desde 1988, pela idéia de um sistema público. Nosso posicionamento é que tanto o sistema estatal e o privado fossem submetidos ao sistema público. Isso não significa que o estatal seja público. O Estado tem uma natureza pública, mas precisamos fazer desde já. No Brasil não há um sistema público. Tanto é verdade que o Ministério da Cultura fez no fim do ano passado uma série de trabalhos preparando para um Fórum Nacional de TV Pública. Dentro desse debate, a principal questão era definir o que é público o que é Estado.
US: E o que é público e o que é Estado?
CS: O Estado tem que ter como “publicizar” suas ações. Logo, uma rede estatal não é contraditória à democracia. Espaço importante para as televisões públicas. Uma TV estatal tem sentido se for submetido ao poder público. Somos a favor de uma TV de Estado, desde que submetido ao controle público. Não é simplesmente um palavrório. O ministro Hélio Costa diverge do Franklin Martins, que também não define o que ele entende por TV pública. O melhor local é nesse fórum e nessa conferência. Educação formal e informal já é uma vocação clara das TVs públicas. Tem que ter um filtro do público, comissões, conselhos, esses mecanismos estão bem populares.
US: Qual é a importância da audiência para a TV pública?
CS: Tivemos um exemplo com a lei do cabo, com as TVs por assinaturas abrindo espaço para as TVs senados, assembléias, comunitárias, inclusive disputando audiência. Não pode jogar num gueto. Por isso, o financiamento do sistema precisa ser repensado. Não pode ser resumido aos orçamentos irrisórios contemplados nos orçamentos federais e estaduais para as TVs públicas. Não foi à toa que foi feito assim. É um instrumento de política pela radiodifusão. Ainda não existe um sistema público no Brasil.
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