iG - Internet Group

iBest

brTurbo

 

publicidade

 

iG BUSCA

enhanced by


Home > Notícia
  • Tamanho do texto
  • A
  • A

“É equívoco conceitual jogar todo mundo no mesmo saco”, diz presidente da TAL sobre TV pública

04/04 - 13:39 - Nara Alves, repórter iG no Rio

RIO DE JANEIRO – O presidente da Televisão América Latina (TAL) e da Associação Brasileira de Televisões Universitárias (ABTU), Gabriel Priolli, disse ao Último Segundo que a nova rede deve priorizar a diversidade da programação. Segundo ele, seria um “equívoco conceitual jogar todo mundo no mesmo saco”. Priolli é ex-presidente da TVE do Rio Grande do Sul, foi diretor da TV PUC e editor de diversos telejornais da TV Globo.

Último Segundo: Como a TAL enxerga a iniciativa do governo de criar uma nova rede de TV púlica?
 
Gabriel Priolli: No ponto de vista da TAL, observamos a iniciativa como uma iniciativa legitima do governo federal e coerente com o que está disposto no decreto 5820 que criou o padrão de TV digital japonês, que cria quatro novos canais estatais, entre os quais um do Poder Executivo. É coerente que o governo organize esses canais em uma rede, para operacionalizar custos, porque as concessões de TV aberta são locais. Teoricamente vamos ter aí em cerca de 5 mil municípios, pelo menos 4 mil canais especificamente pro Poder Executivo. A União querer programar esse canal, acho normal.

US: Como o governo poderia controlar essa TV? Com um operador de rede?
GP: O operador de rede não foi contemplado na lei da TV digital. Foi utilizado na Europa e racionalizou o espectro, aumentando o número de canais. É possível que a gente, tendo canais públicos e estatais mais ou menos agrupados em determinada faixa do espectro, tenha canais operados por um operador de rede público. A idéia era um operador para todos, mas perdemos. O operador não foi contemplado na lei. Agora, a TAL tem a expectativa de que o debate sobre TV pública e TV digital favoreça a abertura de espaços de novos canais porque estamos montando a TV, nosso projeto tem 150 parceiros em 21 países. É um canal cooperativo, montado por parceiros, como canais de TV, produtores independentes. Gostaríamos muito, pelo caráter público, voltado apenas para a integração, de ter espaço. A TAL olha para o debate com expectativa para que resulte na utilização do espectro.

US: Esse debate está muito segmentado, acontecendo em diferentes momentos, quando poderia ser unificado?

GP: Interesses políticos nunca permitem que a gente tenha um debate integrado sobre comunicações no Brasil. Há anos precisamos de uma Lei Geral de Comunicação Eletrônica, mas não tem sido possível politicamente, sobretudo por causa de interesses privados. O problema é que o debate está muito desfocado. Cerca de 99% das pessoas falam e não sabem o que estão falando. TV pública virou slogan para setores da TV estatal que se sentem culpados em fazer TV estatal. Eu não vejo problema nenhum nisso. Tem espaço para TV privada, pública e estatal. Não só espaço como necessidade. Na tão citada BBC, paradigma de todo mundo, os diretores não são indicados pelo governo e o dinheiro não é gerido pelo governo. Há independência de gestão e financeira, sem ter dinheiro de publicidade. Isso sim é TV pública. Quem tem o controle da torneira tem o poder. Cultura é em transição para esse modelo. Estamos muito longe de um modelo inglês.

US: Cada um defende seus interesses e não se chega a conclusão nenhuma. Qual é o interesse da TAL e da ABTU?

GP: Cada qual na sua praia. Esse debate está uma barafunda. Ninguém se entende, tem gente que ta falando e não tem a menor idéia. Pela TAL e pela ABTU, o sistema de TV público e estatal tem que ser o mais diversificado possível. Uma grande rede estatal ou pública não é nosso interesse. Se não, é o mesmo problema da privada, a uniformidade. Um “redão” com esse sonho utópico, de que vai dar audiência, com programação diversificada que possa rivalizar as redes comerciais, acho que é um delírio e um equívoco. Não vai acontecer isso nas condições do mercado brasileiro. Simplesmente não há base objetiva para que isso aconteça. Depois, é um equívoco conceitual jogar todo mundo no mesmo saco. Pra quê fazer isso se você pode ter vários sacos diferentes?





US Multimídia


Publicidade


Enquete