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Município do RN dá exemplo de convívio com a seca

18/03 - 17:37 - Agência Nordeste

RECIFE - Uma degradação do solo que leva à degradação do ser humano. É nessa perspectiva que o diretor de tecnologia do Instituto Tecnológico de Pernambuco (Itep) e engenheiro ambiental, Antônio Ferreira, enxerga o problema da desertificação no Semi-árido nordestino. “Esse fenômeno tem mais a ver com a forma de uso do solo, associada à condição climática adversa, que resulta em erosão. É uma degradação ambiental e humana também, já que nessas áreas inóspitas e pouco produtivas as pessoas não costumam permanecer”, explicou.

Nesses casos, o êxodo rural pode ser evitado a partir de medidas que não necessariamente signifiquem recursos para investimentos em alta tecnologia ou obras faraônicas. Um exemplo vindo do município de Parelhas, a cerca de 180 quilômetros de Natal, no Rio Grande do Norte, tem mostrado que um conjunto de ações que passam, antes de tudo, pela educação ambiental, podem surtir efeito positivo, fixando o homem à terra com a garantia de qualidade de vida, mesmo sob condições adversas.
 
A cidade de Parelhas foi eleita área piloto pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA) para a implantação do Programa de Combate à Desertificação. Reflorestamento nas margens do rio seco, educação no trato de barragens, busca de fontes alternativas de renda, como produção de doces, queijos e pastilhas medicinais, desenvolvimento de apicultura, construção de tanques para criação de peixes, dentre outros, são alguns exemplos das ações que estão sendo tocadas no município há quase dois anos, envolvendo mais de mil pessoas em três comunidades.
 
Os resultados já começaram a aparecer. “As comunidades estão mais organizadas. As pessoas sentem que estão produzindo e ficam bem com isso. Um bom indicador é que as pessoas vão atrás de projetos o tempo inteiro. A cidade está mais arborizada. O assunto (da desertificação) é mais bem assimilado, até na escola virou tema freqüente. A educação ambiental está se consolidando”, relata a coordenadora do projeto piloto no município, Vera Castro. Segundo ela, a intenção é que o projeto, que é fruto de parceria entre ONGs, Governos Federal e Estadual e outras instituições, seja ampliado e levado para outros municípios.




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