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Protesto contra Bush reúne 10 mil em São Paulo e tem confronto

08/03 - 22:56 - Reuters

Por Sérgio Spagnuolo e Terry Wade SÃO PAULO (Reuters) - Um protesto de pelo menos 10 mil pessoas contra a visita do presidente norte-americano, George W.Bush, ao país paralisou o trânsito no centro financeiro da capital paulista e causou confronto entre policias e manifestantes.

Na tentativa de impedir a ocupação das duas pistas da avenida Paulista por um grupo de pessoas, a polícia fez uso de cacetetes, balas de borracha, spray de pimenta e gás lacrimogêneo, segundo testemunho de repórteres da Reuters.

Inicialmente, os manifestantes ocupavam todas as faixas de apenas uma das pistas da avenida.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Estado, 18 pessoas ficaram feridas no confronto. Desse total, 16 seriam PMs e outros dois, manifestantes. Seis pessoas acabaram presas, segundo a secretaria.

'Tinha mais de 50 pessoas atirando pedras em nós', disse o coronel Ailton Brandão Araújo, da Polícia Militar.

Nas primeiras horas da marcha, que teve início por volta das 16h, a PM informou ter mobilizado 120 homens para a segurança na área.

A PM estimou em 10 mil o número de manifestantes. A UNE (União Nacional do Estudante), uma das organizadoras do protesto, afirma que a mobilização levou 20 mil pessoas à avenida Paulista.

'Isso (a repressão policial) não vai intimidar as manifestações, que vão continuar até o momento da saída de Bush do país', afirmou Gustavo Petta, presidente da UNE, ferido na perna por estilhaços de uma bomba atirada por policiais.

A expectativa inicial do comando da PM era que a manifestação fosse pacífica, inclusive porque havia crianças acompanhando os pais. Os organizadores chegaram a informar pelo carro de som que havia 10 mil pessoas no protesto.

'Nós sempre protestamos contra o imperialismo... e contra a guerra', disse a agrônoma Miriam Nobre, 40 anos, uma das coordenadoras do protesto.

Claudia Praxedes, outra das organizadoras da manifestação, que também celebrava o Dia Internacional da Mulher e que faz parte da liderança das mulheres do MST, disse que 800 mulheres do movimento Via Campesina estavam presentes à passeata.

Na véspera, o grupo havia ocupado a entrada da sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no Rio de Janeiro e da usina de açúcar e álcool Cevasa, no interior de São Paulo.

Nesta tarde, os manifestantes levavam faixas contra a guerra do Iraque, com 'Fora Bush' e cartazes com a suástica associada ao nome do presidente dos EUA. Nestes cartazes, a letra 's', do nome de Bush, foi substituída pelo símbolo nazista.

O estudante Artur Barbosa de Queiroz, 29, estava entre os manifestantes, vestindo uma camiseta vermelha do PSTU. 'Estamos lutando contra o imperialismo e Bush, que está interessado na dominação de países nesta região', disse.

Durante o protesto, o capitão responsável pela operação, George Henrique Marques Alves, admitiu precaução com prédios de empresas norte-americanas.

'Vamos estar alertas para ataques contra bancos americanos e cadeias de restaurantes, lugares considerados ícones', disse Marques Alves. 'Haverá policiais nos McDonald's e no Citibank.'

Mais cedo, ativistas do Greenpeace subiram no barco do 'Monumento às Bandeiras', em frente ao parque Ibirapuera, com a faixa 'Lula & Bush: Etanol é pouco. Salvem o clima'.

Em Brasília, membros do MST protestaram pela manhã em frente à embaixada dos Estados Unidos, segurando cartazes e gritando palavras de ordem contra Bush.

RIO

No Rio de Janeiro, cerca de 60 manifestantes fizeram um protesto na frente do consuldado dos EUA, no centro da cidade, jogando tinta vermelha na fachada do prédio e atingindo os vidros com pedras, paus e barras de ferro.

'Eles deram um sufoco por aqui e depois seguiram em direção à Cinelândia', disse um segurança do consulado, que estava com a roupa, o rosto e o cabelo pintados de vermelho.

Uma barreira com 12 seguranças foi montada na porta do consulado para impedir a entrada dos manifestantes no prédio.

Um manifesto assinado pelo PSOL dizia 'Lula dá as mãos ao diabo-Fora Bush', o mesmo bordão gritado pelos participantes.





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