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Relatório do caso João Hélio será entregue ao MP até amanhã

22/02 - 10:26 - Redação

RIO - O relatório que será enviado pelos policiais da 30ª DP (Marechal Hermes) ao Ministério Público estadual até a próxima sexta-feira revela que os cinco acusados da morte de João Hélio Fernandes, de 6 anos, sabiam que o menino estava preso ao cinto e sendo arrastado pelo lado de fora do carro durante sete quilômetros.

Os cinco, que serão acusados de latrocínio (roubo seguido de morte) e formação de quadrilha, disseram que não sabiam que o menino estava sendo arrastado durante o trajeto entre os bairros de Oswaldo Cruz a Cascadura, na zona norte da cidade.

Segundo o relatório, as armas usadas no assalto eram de verdade e os cinco atuaram em conjunto com o propósito de roubar o carro e desmontá-lo para vender as peças.

O delegado Hércules Nascimento, titular da 30ª DP, disse que esteve no local do crime no último domingo, onde conseguiu localizar e ouvir duas testemunhas importantes que serviram para complementar o relatório. 

“A primeira testemunha contou que viu o motorista fazendo manobras bruscas com o carro para tentar se livrar do corpo do garoto. Ouvi também outra pessoa que afirmou que, logo após o crime, dois dos acusados teriam ido a uma boate em Madureira. Eles negam tudo, mas cabe à polícia provar”, disse o delegado em entrevista à rádio CBN.

A irmã do menor, que presenciou o crime, não deve ser ouvida. Segundo os investigadores, ela não tem condições psicológicas para depor e o depoimento da mãe, na última sexta-feira, já foi suficiente.

“Foi um momento de terror. A polícia procurou respeitar o pedido da mãe. Não vamos fazer a família sofrer em dois momentos”, explicou o delegado.

Campanhas contra a violência

A família do pintor Cândido Portinari abriu mão dos direitos autorais sobre cinco mil obras do artista desde que elas sejam utilizadas em mensagens contra a violência. A idéia é lembrar a morte do menino João Hélio Fernandes

Na última terça-feira, o filho do pintor mandou um e-mail para mais de 2.100 pessoas da lista de endereços eletrônicos do projeto Portinari com três desenhos que o pai fez para os painéis Guerra e Paz, obra do pintor que está na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. Dois painéis retratam mães com filhos mortos no colo. Sobre a cópia de uma dessas gravuras, João Cândido colou uma foto de João Hélio no local do rosto da criança.

Outra campanha contra a violência, idealizada pelo publicitário Nizan Guanaes, chama a atenção da população para as ações que cada um pode tomar para diminuir a violência e também de melhoria da polícia e Justiça, além de propostas de aprimoramento da legislação penal. A primeira fase da campanha foi divulgada antes do carnaval, com o tema “E aí, nós não vamos fazer nada?”.
 





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