16/02 - 18:47 - Reuters

Por Renata de Freitas SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou nesta sexta-feira propostas de redução da maioridade penal em reação a movimentos na sociedade e no Congresso que buscam a punição para menores de 18 anos após a morte do garoto João Hélio na semana passada no Rio de Janeiro. O presidente afirmou que o Estado não pode tomar decisões com base em reações emocionais e deve utilizar a razão. Lula apontou o Estado brasileiro e os 190 milhões de habitantes como co-responsáveis pela falta de oportunidades que parte da juventude enfrenta.
'Fico imaginando que se aceitarmos a diminuição da idade para 16 anos depois será 15, depois 10 e, quem sabe, algum dia, queiram até punir o feto se souberem o que vai acontecer no futuro'.
O presidente participou da inauguração de uma unidade da empresa de call-center Atento, que promete gerar 6 mil vagas de trabalho com carteira registrada, principalmente para jovens que buscam o primeiro emprego.
Lula manifestou 'inquietude e angústia' com o que ocorreu na semana passada no Rio de Janeiro, com o assalto que acabou na morte violenta do menino de 6 anos.
Para o presidente, tratou-se de um 'ato da maior barbaridade', mas ele argumentou que nos últimos 25 anos o Brasil não forneceu as oportunidades para a última geração.
'Fico me perguntando se seria justo punir apenas quem cometeu a barbaridade', disse Lula. 'Quando acontece alguma coisa que choca a todos nós... muitas vezes as pessoas querem justiça pelas próprias mãos. Eu digo sempre que é exatamente nesses momentos que precisamos que não apenas a emoção aja, mas que prevaleça a razão.'
Lula fez seu discurso perante 200 a 300 funcionários contratados para a nova unidade, a maioria entre 18 e 24 anos e em seu primeiro emprego. O presidente disse que veio para ver o outro lado do Brasil, dos jovens que estão tendo oportunidades.
'Vi muita gente querer vingança a curto prazo e eu dizia que o Estado não pode reagir emocionalmente. O Estado precisa agir com as razões para que possamos criar mecanismos para evitar que isso aconteça ao mesmo tempo em que a gente puna exemplarmente', afirmou.
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