14/02 - 16:23, atualizada às 18:27 14/02 - Nara Alves, repórter iG no Rio
RIO DE JANEIRO - Centenas de pessoas participaram na manhã desta quarta-feira de uma missa na igreja da Candelária, no centro do Rio, em memória do menino João Hélio Fernandes, morto na semana passada durante um assalto. O ato religioso foi transformado num protesto contra a violência na cidade. João, de 6 anos, morreu após ter sido arrastado por sete quilômetros pelas ruas do Rio. O menino ficou preso pelo cinto de segurança de um veículo roubado.
Os pais da criança e o governador fluminense, Sérgio Cabral, participaram da homenagem, que também contou com a presença de outras vítimas e parentes de vítimas da violência. A missa durou uma hora e meia e foi marcada por muita emoção.
O governador Sérgio Cabral voltou a defender a redução da maioridade penal e a autonomia dos Estados brasileiros não só na área penal, mas em todos os segmentos. "Chega de concentração em Brasília, chega de achar que Brasília vai resolver tudo", disse Cabral, que ouviu vaias quando teve sua presença anunciada na missa.
"Realmente temos que nos unir contra a violência, que não pára de crescer no Rio", disse a jornalista Luciana Gonçalves, estudante que ficou tetraplégica após ser atingida por uma bala perdida dentro de uma universidade em 2004.
Passeata pela paz
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O vocalista da banda Detonautas Roque Clube, Tico Santa Cruz, compareceu ao protesto. O guitarrista da banda, Rodrigo Netto, foi morto aos 29 anos em junho de 2006 após uma tentativa de assalto no Rio. "Se querem abaixar a maioridade penal, abaixa. Mas ofereçam também educação", disse Tico Santa Cruz. Ouça a entrevista completa.
Jovita Belfort, cuja filha Priscila desapareceu há três anos (ela teria sido morta por traficantes), foi uma das organizadoras do protesto. "Quando não estou em depressão, participo de todas as manifestações, faço parte de uma família da dor", disse.
A estudante Tatiana Taveira, de 20 anos, que participa de uma comunidade no Orkut intitulada "Justiça a João Hélio", contou que, apesar de não ser parente ou amiga de qualquer vítima, acha importante prestar solidariedade e "lutar para que isso não aconteça mais".
(Com Reuters e Agência Estado)
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