14/02 - 18:26, atualizada às 19:53 14/02 - Nara Alves, repórter iG no Rio
RIO DE JANEIRO - O único menor de idade suspeito de participar da morte de João Hélio Fernandes confessou o crime nesta quarta-feira em audiência na 2ª Vara da Infância e Juventude, no Rio de Janeiro. E., de 16 anos, alegou que não sabia que o garoto, de 6 anos, estava preso ao cinto de segurança pelo lado de fora do carro, de acordo com a 2ª Vara.
Acompanhado pelos pais, que também foram ouvidos, o menor sustentou que seu irmão, Carlos Eduardo Lima, o Dudu, de 23 anos, não participou do crime. A afirmação contraria a polícia, que concluiu que Dudu dirigia o carro na hora da fuga. Os outros três suspeitos confirmam a versão da polícia.
E. diz ter sido "coagido" por policiais da 30ª Delegacia de Polícia (Marechal Hermes) para acusar o irmão de ter sido o mentor do crime. "Elementos indicam que ele (o irmão) não participou", disse juiz Guaracy Vianna.
O adolescente contou, ainda, que teria participado de um outro roubo de um veículo em Madureira cerca de dez ou quinze dias antes da noite da morte de João Hélio.
Vianna marcou uma nova audiência para o dia 6 de março, às 14h30, quando deve convocar testemunhas e fazer uma nova acareação entre os cinco acusados. Nesta terça-feira, os envolvidos participaram de uma acareação que durou mais de cinco horas na 30ª Delegacia Policial.
A coordenadora de unidades de internação do Departamento Geral de Ações Sócio-educativas (Degase), Maria Regina Alt, contou que E. está alojado com outros quatro menores que também cometeram crimes mais graves e têm de ficar separado dos outros. Depois da acareação, segundo ela, ele jantou normalmente. Depois do depoimento, ele foi levado de volta sozinho para o Instituto Padre Severino, na Ilha do Governador.
Durante a audiência de apresentação ao juiz, seus pais estiveram presentes o tempo todo, mas não quiseram dar entrevistas, afirmando que se sentem ameaçados pela comoção que o crime causou. Diante do juiz, E, confessou um outro roubo de carro com o irmão e Diego, em Madureira, na zona norte do Rio, antes do crime.
Nesta quinta-feira, Vianna irá a Brasília se encontrar com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, e com os presidentes do Senado (Renan Calheiros) e da Câmara (Arlindo Chinaglia) para pedir que o limite de internação para menores infratores seja aumentado de três para cinco anos e a idade para liberdade compulsória seja 24 e não 21 anos.
Também na quinta-feira, a partir das 14h, o delegado Hércules Nascimento, da 30ª DP, em Marechal Hermes, fará uma reconstituição do crime, desde o local onde o carro foi roubado até o lugar em que o corpo de João Hélio foi encontrado.
O delegado afirmou que pode abrir um segundo inquérito para apurar a existência de uma quadrilha especializada em roubo de veículos. O grupo teria cerca de 20 pessoas e seria comandado por Carlos Eduardo Lima, de 23 anos, apontado pela polícia como líder dos acusados da morte do garoto.
(Com Agência Estado)
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