08/02 - 21:49 - Reuters

Por Maria Pia Palermo e Rodrigo Gaier RIO DE JANEIRO (Reuters) - À frente da Secretaria de Segurança de um dos Estados mais violentos do Brasil, José Mariano Beltrame reforçou a presença das tropas na rua, mas admite que o contingente ainda é pequeno.
'O primeiro grande desafio foi a grande sensação de insegurança da população do Rio de Janeiro sente. Acho que isso e inegável', afirmou o secretário em entrevista à Reuters.
Para Beltrame, a presença da polícia nas ruas do Rio já é mais visível do que antes. 'Fizemos uma reengenharia de pessoal para aumentar a ostensividade da polícia na comunidade', afirmou.
Segundo o secretário, a Polícia Militar tem um efetivo de 10 mil homens na capital, sendo que aproximadamente 6 mil militares atuam nas ruas da cidade. Beltrame considera, no entanto, esse contigente pequeno e acha que seria necessário o dobro do efetivo para o combate à criminalidade.
'Eu acho que aqui para a capital o (ideal) seria entre 10 e 12 mil homens trabalhando na ostensividade. Hoje acredito que é a metade disso', afirmou Beltrame.
O secretário assumiu o cargo em meio a uma crise de segurança, que acabou antecipando a vinda da Força Nacional de Segurança (FNS) ao Estado, prevista inicialmente apenas para os Jogos Pan-Americanos, que ocorrem em julho.
O episódio ocorrido dias antes de sua posse, que resultou na morte de 19 pessoas, sete delas num ônibus incendiado, teve repercussão internacional e deixou a população em pânico.
A chegada da FNS em meados de janeiro, solicitada ao governo federal pelo governador Sérgio Cabral (PMDB), foi importante no momento em que a tropa estava desgastada.
'Logo após os ataques, ela vem como complementação. Naquela situação do fim do ano as nossas forças foram ao esgotamento, porque não foi só naqueles três quatro dias de ataque', afirmou Beltrame. Segundo ele, as Polícia Civil e Militar vinham trabalhando durante duas semanas.
'Passamos o réveillon sentado numa cadeira elétrica', disse. 'A Polícia Militar e a Polícia Civil estiveram dobrando plantões em áreas onde determinadas facções poderiam sair para atuar (nas ruas)', disse.
PROBLEMAS INTERNOS
Além da criminalidade, Beltrame ainda enfrenta um problema interno de desvio de conduta de policiais.
1 polícia, cuja imagem é manchada por uso excessivo da força e pelo envolvimento com o tráfico de alguns de seus membros, passou a ser alvo de outras denúncias: a formação de grupos paramilitares, integrados por policiais e ex-policiais, que expulsam traficantes das favelas e cobram dos moradores por uma suposta segurança.
As chamadas milícias vêm se expandindo na comunidades carente como um poder paralelo. Para Beltrame, é preciso melhorar a formação dos policiais para ajudar a reverter esse quadro. Segundo ele, além de cursos, é preciso ações que valorizem os profissionais.
'A polícia do Rio de Janeiro tem que melhorar. Ela tem excelentes policias, tanto civis quanto militares, temos é que melhorar tanto o serviço quanto as condições de trabalho desses policiais', afirmou o secretário.
Beltrame insistiu ainda no que chamou de 'conduta de inteligência', em que se racionalizam os recursos.
'Em época de vacas magras, quando não temos dinheiro ...
temos que racionalizar a nossa atuação. Não adianta pegar um contingente de 40, 50 mil policias para colocar num determinado local, temos que gastar bem o que se tem, gastar bem são ações planejadas', disse.
Para o secretário, no entanto, não dá para colocar a segurança pública só 'nos ombros da polícia', pois trata-se também uma questão de política social.
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