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Secretário de Segurança do RJ afirma que irá aumentar o policiamento

08/02 - 14:10, atualizada às 15:21 09/02 - Nara Alves, repórter iG no Rio

RIO DE JANEIRO – O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, que compareceu, nesta quinta-feira, ao funeral do garoto de 6 anos - morto ao ser arrastado do lado de fora de um carro durante um assalto -, afirmou que irá aumentar o policiamento no Estado. Entretanto, Beltrame minimizou a importância da falta de unidades policiais na hora do assalto.

 

Segundo o secretário, "se houvesse policiamento ali, o crime poderia até ter sido evitado, mas o menino não morreu só por falta de policiamento, morreu porque foi vítima de um assassinato". Beltrame disse, ainda, que não faria diferença se o garoto tivesse sido arrastado por 100 metros ou 1000 quilômetros, já que faleceu pouco tempo depois que o carro partiu com os criminosos.

A Polícia do Rio de Janeiro indiciará Diego Nascimento da Silva, de 18 anos, por crime de latrocínio (roubo seguido de morte) no caso. O garoto, João Hélio Fernandes, foi arrastado do lado de fora do carro por mais de sete quilômetros, trajeto que cruzou 14 ruas e quatro bairros da zona norte do Rio.

O outro suspeito de participação no crime é menor de idade e será encaminhado à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

João Hélio morreu na noite de quarta-feira, por volta das 21h, quando os dois assaltantes abordaram o carro onde estava sua mãe, Rosa Cristina, 41, e sua irmã Aline, 13 anos.

Os assaltantes mandaram todos sairem do carro, mas quando Rosa foi retirar o garoto do banco de trás, o cinto de segurança o prendeu. João Hélio chegou a descer, mas os assaltantes arrancaram com o carro. Com o movimento a porta traseira do veículo se fechou, fazendo com que o garoto ficasse preso pelo abdome.

Investigações

A polícia chegou a trabalhar com a hipótese de um terceiro envolvido, Thiago, de 19 anos, mas descobriu que ele não tinha relação com o crime.

Foram 24 ligações através do Disque-denúncia, que ofereceu R$ 2 mil para quem soubesse do paradeiro dos criminosos. Algumas pessoas telefonaram e se ofereceram a pagar a recompensa. À tarde, o valor subiu para R$ 4 mil.

Diego admitiu, segundo informações da polícia, que dirigia o carro que arrastou o menino, preso pelo cinto de segurança do lado de fora. Diego alegou, porém, não saber que João Hélio Fernandes, de seis anos, estava sendo arrastado. "A gente não viu o garoto amarrado no carro. Só vi quando parei", disse. Ele afirmou, ainda, ter utilizado uma arma de brinquedo na hora do assalto. Junto com Diego estava o menor de 16 anos.

Ao ser apresentado a jornalistas, Diego, que estava bastante calmo, disse que rouba carros há pouco tempo e desmentiu informações de que estaria dirigindo em ziguezague. Ele afirmou que, enquanto estavam fugindo, as pessoas gritavam para eles pararem. "Pensei que era só a perseguição", justificou.

Denúncias

Através das informações obtidas no Disque-denúncia, a polícia chegou até a casa de Diego, que não estava.

O pai dele, então, apresentou-se voluntariamente para prestar depoimento, o que ajudou a policia a chegar até Diego, o menor e Thiago. Segundo o subcomandante do 9º Batalhão da PM, Marcelo Malheiros, o pai de Diego disse estar chocado com a história e afirmou ter alertado ao filho sobre o mau caminho que ele estava seguindo.

Os três foram presos numa região chamada Beco da Vovó, no morro São José Operário, no bairro de Madureira. Thiago foi liberado por não ter tido participação na morte do menino, mas continuará a ser investigado por roubo de carros.

Enterro

O corpo do menino foi enterrado às 16h15 da última quinta-feira, no Cemitério Jardim da Saudade Sulacap, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro.

Estavam presentes familiares e amigos da criança. Entre eles, a irmã de João Hélio, Aline, de 13 anos. Chorando e gritando muito, a menina pedia desculpas ao irmão e dizia que o amava repetidas vezes. "Eu vou matar aqueles dois", desabafou.

O tio de João tentou conversar com os jornalistas, mas não conseguiu porque estava muito emocionado. Segundo ele, ninguém da família conseguiria dar declarações porque estavam todos abalados.

Também compareceram ao funeral o cononel-geral da PM, Ubiratan Ângelo.

"Monstros"

Preso ao cinto de segurança, o menino foi arrastado por sete quilômetros pelos bairros Oswaldo Cruz, Campinho, Cascadura e Madureira. O delegado Hércules Pires do Nascimento, da 30ª Delegacia Policial, em Marechal Hermes, classificou os criminosos de "monstros".

Segundo Nascimento, os dois assaltantes perceberam que João estava preso, mas não pararam o Corsa. Os criminosos ainda fizeram ziguezague com o veículo para tentar soltar o menino. Como não conseguiram, estacionaram o carro, na tentativa de esconder o veículo, e fugiram a pé.

"Testemunhas contaram que a criança quicava no asfalto. As pessoas nas ruas gritavam para que eles parassem. Acredito que estivessem drogados", afirmou.

A mãe da criança, Rosa Cristina Fernandes, de 41 anos, estava com a filha Aline, de 13 anos, ao seu lado, no banco da frente, e João Hélio no banco de trás. A família foi abordada quando o Corsa parou num sinal na esquina das ruas João Vicente com Henrique de Melo, no bairro de Oswaldo Cruz, na zona norte.

A mãe abriu a porta traseira para tirar o garoto. João Hélio, no entanto, ficou preso pelo cinto, do lado de fora do carro, um Corsa Sedan prata de quatro portas. Os criminosos arrancaram, a porta do veículo fechou e o menino foi levado pendurado pelo abdome.

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