07/02 - 11:15 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias
A Transparência Brasil divulgou hoje um levantamento que apontou um “alarmante” dado sobre corrupção eleitoral: nas eleições de 2006, 8,3 milhões de eleitores sofreram tentativa de compra de votos. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem responsabilidade no processo, dizem diretores da Transparência Brasil - filial da ONG Transparência Internacional, que monitora o nível de corrupção em eleições e processos políticos em diversos países.
A pesquisa da ONG foi feita em parceria com a União Nacional dos Analistas e Técnicos de Finanças e Controle (Unacon). Foram entrevistadas mais de duas mil pessoas em 142 municípios do País, e a região onde houve mais relatos de compra de votos foi o Nordeste, onde 7% dos eleitores reclamaram desse tipo de corrupção. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, pesquisadas em conjunto, 4% dos votantes relataram compra de votos. No Sudeste e na região Sul, respectivamente, 3% e 2% acusaram o ato.
Pelos cálculos da Transparência Brasil e Unacon, os 8,3 milhões de eleitores que relataram tentativa de compra de votos são em maior número que os votos de cada um dos Estados de Roraima, Amapá, Acre, Tocantins, Rondônia, Sergipe, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Amazonas. “Na eleição de 2002, a pesquisa apontou uma média nacional de 3% de eleitores assediados, e no ano passado quase triplicou, para 8% do eleitorado. O problema está se agravando”, alertou Claudio Weber Abramo, diretor-executivo da Transparência Brasil.
Na exposição feita por Cláudio Abramo, não faltaram críticas ao Tribunal Superior Eleitoral. Para ele, a pesquisa feita pela ONG poderia ser feita em escala bem maior pelo TSE para atacar as causas do problema, sem gastar muitas verbas. “Para combater a corrupção não adianta dizer que os corruptos serão punidos, é preciso prevenir. E para prevenir você tem que saber onde e como ocorre o fenômeno. É dever do TSE fazer isso, mas não faz”, criticou, acrescentando que o Tribunal poderia usar suas urnas eletrônicas para fazer uma pesquisa de baixo custo em escala nacional, que resultaria em informações precisas sobre crimes eleitorais e outros temas.
“Apresentamos a sugestão ao TSE em 2005, após fazermos a pesquisa de compra de voto das eleições de 2004, mas não houve interesse”, observou Claudio Abramo.
Mitos derrubados
O diretor-executivo da Transparência Brasil também fez questão de derrubar alguns mitos ao comentar a pesquisa sobre compra de voto. “Ao contrário do que se pensa, os eleitores mais pobres e menos escolarizados não estão mais vulneráveis à compra de votos”, afirmou Claudio Abramo. Do público com renda até um salário mínimo, 6% relataram o crime, enquanto 7% das pessoas com renda de um a dois salários fizeram esse relato; 10% dos entrevistados com rendimento entre 2 a cinco salários e 7% com renda superior a dez salários denunciaram ter sofrido o assédio.
No aspecto da escolaridade, os eleitores com até a 4ª série primária sofreram a tentativa de compra de voto, enquanto 10% de pessoas com nível superior revelaram o crime. Mas quando a análise é feita por faixa etária, Claudio Abramo destacou que os mais jovens são mais vulneráveis à tentativa de compra de voto: 13% das pessoas entre 16 e 24 anos foram assediadas, enquanto 10% daqueles entre 25 a 29 anos relataram casos, e 4% dos eleitores acima de 50 anos indicaram o fato.
Pesquisa
O levantamento da Transparência Brasil e Unacon foi feito em 142 municípios, incluindo regiões metropolitanas e capitais. O questionário abordou compra de votos por oferta de dinheiro ou bem material e uso da máquina. Os entrevistados também foram questionados a respeito de cobrança de propinas por agentes públicos estaduais. Além disso, os eleitores avaliaram os governadores cujos mandatos se encerraram e falaram sobre as expectativas quanto à nova administração que tomou posse no início do ano. A pesquisa é realizada desde as eleições de 2000.
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