05/02 - 08:09 - Agência Estado

A decisão do Campo Majoritário do PT de trabalhar pela anistia do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu foi criticada por parlamentares de vários partidos - inclusive do próprio PT. Para o senador petista Eduardo Suplicy (SP), a idéia não se sustenta enquanto houver dúvidas quanto à participação de Dirceu no mensalão.
Antes da anistia, tudo tem que ser, ainda, objeto muito maior daquilo que aconteceu e que até agora não foi inteiramente explicitado, alegou o senador. Suplicy lembrou ter defendido, no decorrer da CPI dos Correios, que José Dirceu comparecesse ao Congresso para se defender - proposta que o ex-ministro rejeitou. Suplicy filiou-se ao Campo Majoritário em maio de 2005, a convite do então tesoureiro Delúbio Soares. Meses mais tarde, o próprio Delúbio pediu sua saída, depois de ele ter assinado o requerimento para criação da CPI dos Correios.
Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (SP), a anistia seria um tapa na face do povo brasileiro. Deu a louca no PT, reforça o líder do PFL na Câmara, Rodrigo Maia (RJ). Outro pefelista, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (SP), considera a idéia uma afronta a todo o trabalho de investigação feito em defesa do Congresso e uma tentativa sem sentido de pressionar os parlamentares.
Tuma prevê que, se levada adiante, a absolvição de José Dirceu na Câmara refletirá no Judiciário, onde ele foi denunciado pelo procurador-geral da República, Antonio Fernando Souza, como um dos chefes do esquema do mensalão.
Se não foi bom para o Judiciário a anistia daqueles absolvidos pelo plenário, imagine, então, nesse caso, insistiu Tuma. Para ele, a população não vai entender, seria uma afronta, um desequilíbrio perante a sociedade.
Na avaliação de Rodrigo Maia, o assunto poderá tumultuar a agenda de votações do Congresso, trazendo para a pauta um assunto que não é de interesse de nenhum partido, apenas dos integrantes do Campo Majoritário do PT. E não faz sentido que esse pedido de anistia se torne prioridade para a Câmara. Temos assuntos muito mais importantes para discutir no Congresso.
A eleição do deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) para a 1ª Secretaria da Câmara mostra que muitos parlamentares defendem claramente a ética dentro do Congresso, prosseguiu o deputado pefelista. Serraglio foi o relator da CPI dos Correios, que recomendou a cassação de Dirceu - aprovada depois no Conselho de Ética e pelo plenário. Vi muita gente dizendo que ia votar nele justamente porque tinha sido o relator da CPI, garantiu. O tucano Virgílio apontou o favorecimento a Dirceu como um dos pontos que levaram ele e outros tucanos a rejeitarem o nome de Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a presidência da Câmara.
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