31/01 - 11:33, atualizada às 16:07 31/01 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias
O PT, o PMDB e aliados que apóiam Arlindo Chinaglia (PT-SP) para a Presidência da Câmara deram passo importante pelo poder na Casa: ao formarem bloco parlamentar com 273 deputados federais, obtiveram o direito de escolher oito dos onze cargos na Mesa Diretora da Câmara. A oposição (PSDB, PFL e PPS) reagiu e formou outro bloco, com 153 parlamentares, e terá direito aos outros três cargos, deixando legendas aliadas à candidatura de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) com apenas dois cargos.
A luta por cargos na Mesa da Câmara (cujo cargo máximo é a Presidência) é essencial para a pretensão dos partidos nas disputas políticas futuras, porque significam maior projeção e poder de barganha. O PT o PMDB e mais seis legendas - PR (fusão de PL e Prona), PP, PTB, PTdoB, PSC e PRB - saíram na frente ao se aglutinarem num mesmo bloco parlamentar, e na prática disputarão cargos como um único partido, embora possam desfazer o bloco logo após a eleição da Mesa (que será nesta quinta-feira).
O "blocão" terá direito a nada menos que seis dos 11 cargos da Mesa, e com direito a fazer as três primeiras escolhas. A aglutinação de petistas, peemedebistas e aliados deixaram os oposicionistas irados, já que pode haver um "rolo compressor" nas pretensões de outros partidos de ocuparem vagas na Mesa.
O líder do PFL na Câmara, deputado Rodrigo Maia, disse que só formou um bloco com PPS e PSDB para garantir seus direitos por cargos - esses partidos terão direito a três vagas na Mesa (a quarta, sexta e nona escolhas). "O bloco irá se desfazer logo após a eleição da Mesa, mas a oposição vai trabalhar junta nos próximos quatro anos", explicou Maia, acrescentando que o PFL não vai retirar o apoio à candidatura de Aldo Rebelo à Presidência, embora o PCdoB e outros partidos pró-Aldo estejam em outro bloco: "O PFL continua com Aldo, o bloco que formamos não tem nada a ver com a eleição da Presidência".
Os líderes do PT e PMDB procuraram não assustar os outros partidos e disseram que vão respeitar acordos feitos antes dos efeitos dos blocos, como a garantia da terceira escolha para o PSDB. Trata-se de um gesto necessário para não provocar antipatia ao bloco e tirar votos importantes da candidatura de Arlindo Chinaglia à Presidência da Câmara.
"Nós tivemos que formar um bloco porque se desencadeou um processo de desrespeito ao princípio da proporcionalidade. A democracia está sendo ferida no momento em que as duas maiores bancadas (PT e PMDB) estavam perdendo direito de disputar a presidência da Câmara", alegou o líder do PT na Casa, deputado Henrique Fontana (RS).
O petista se referiu ao bloco formado pelos principais apoiadores de Aldo Rebelo (PCdoB, PSB e PDT, além de partidos "nanicos") que tiveram objetivo de atingir número de parlamentares suficiente para ficar com uma das primeiras escolhas na Mesa e influir na disputa à Presidência. Porém, o bloco pró-Aldo obteve apenas 68 parlamentares e o tiro saiu pela culatra. O bloco de Aldo provocou a formação de dois outros blocos bem maiores, e a conseqüência foi a possibilidade de escolher apenas dois cargos sem importância (suplências) na Mesa Diretora.
O deputado federal Paulinho da Força (PDT-SP) criticou os outros dois blocos e disse que a aliança formada por seu partido não tem objetivo de disputar apenas a eleição interna.
"Estamos fazendo um bloco para atuar na Câmara entre partidos com afinidades políticas, não é um bloco de conveniência como os outros. Nossos partidos são de centro-esquerda, com tradição de luta", classificou o pedetista.
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