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Governadores da oposição dizem que faltou diálogo sobre o PAC

22/01 - 14:30 - Reuters

Por Natuza Nery

BRASÍLIA (Reuters) - Apesar de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter pedido o apoio político e executivo dos governadores, alguns oposicionistas reclamaram de não terem sido consultados sobre projetos e medidas do Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC.

Dos 27 governadores, 25 estiveram presentes. Não compareceram os governadores de Santa Catarina, Luis Henrique (PMDB), e de Roraima, Otomar Pinto (PSDB).

Antes do anúncio oficial nesta segunda-feira, o presidente reuniu-se com quase todos os representantes dos Estados, de governo e oposição, para apresentar, resumidamente, o conteúdo do programa.

Lula prometeu, no entanto, um novo encontro (6 de março) para discutir a reforma tributária e avaliar a implantação das medidas para acelerar o crescimento do país. O PAC prevê investimentos públicos e privados de 503,9 bilhões de reais nos próximos 4 anos.

'Todo gesto de boa vontade é importante para que o Brasilcresça. Acho que faltou apenas consultar, ter um diálogo prévio, sobre os investimentos nos Estados. O maior problema hoje é a falta de complementaridade entre os investimentos dos Estados e os investimentos da União', afirmou a jornalistas o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).

O tucano Cássio Cunha Lima, governador da Paraíba, disse que o problema do PAC é a renúncia fiscal dos Estados que dependem do fundo de participação, em relação a IPI e IR, e avaliou que essa renúncia prejudica os Estados do Nordeste e do Norte.

'Nós podemos estar fundamentalmente perdendo receita, o que anula qualquer esforço de crescimento. E novamente a cena se repete, a água vai correr para o mar. Os investimento só contemplarão as regiões mais ricas, só contemplarão o sudeste brasileiro', queixou-se.

Segundo Cunha Lima, esta renúncia pode chegar a 3 bilhões de reais para Norte e Nordeste.

'Não é possível que se façam medidas dessa envergadura sem uma discussão prévia. Nós não somos chamados para o banquete e somos convidados para pagar a conta'.

O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (PFL), foi na mesma linha e disse estar preocupado com o impacto da desoneração tributária. Ele oferecerá, ainda nesta segunda, um almoço aos colegas para avaliar o programa. A oposição prometeu comparecer em peso.

'Nossa posição é ouvir (as propostas) com todo o otimismo e, mais tarde, discutir as medidas. O mais importante é soltar o freio de mão para que o país possa crescer', disse o pefelista.

'Mas é bom saber que o presidente reconhece que o país está crescendo menos do que deveria', acrescentou Arruda.

Aliado de Lula, o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT) não considerou o pacote ruim para o Nordeste.

'É sempre assim, a moeda nunca tem só um lado. A renúncia é boa porque atende a uma demanda do setor produtivo para investir mais e baratear custos. Evidentemente, quando você diminui o bolo arrecadado você diminuiu o que vai para cada Estado', afirmou.

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), disse que não recebeu a 'cartilha' com antecedência, mas que vai fazer a 'lição de casa'.

'Não é porque sou governadora de um partido de oposição que vou criticar um programa para destravar o crescimento', disse Yeda, ressaltando que houve tempo para que os governadoresfossem ouvidos.

O petista Wellington Dias, governador do Piauí, destacou que o projeto coloca o planejamento para longo prazo e tem as condições de privilegiar as regiões menos desenvolvidas.

'É um projeto nacional com um conjunto de investimentos em todos os Estados. Nem sempre agrada a todos mas temos uma chance muito grande de ter investimentos planejados com condições de gerar emprego e renda'.

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