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Meninos e meninas devem ter tratamento igual

21/01 - 23:59 - Agência Estado

Meninos e meninas devem ter tratamento igual Por Maíra Teixeira São Paulo, 18 (AE) - A fila da direita é das meninas e a da esquerda é dos meninos. Muita gente já passou por essa divisão na escola.

A diferenciação por sexo começa desde cedo e de alguma forma contribui para a uma divisão ou exclusão de grupos que pode durar a vida toda. Será que isso é positivo? Para Marilia Pinto de Carvalho, professora da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisadora da educação escolar e relações de gênero desde 1989, a resposta é não.

"Diferenciar por sexo exclui, desconsidera individualidades e padroniza o que é adequado a meninas e meninos. Não ensina que todos podem fazer de tudo se quiserem, tentarem, tiverem a chance." Marilia explica que os professores devem ter o cuidado para que tanto os resultados acadêmicos quanto os interesses e atividades de meninos e meninas não sejam diferenciados. "As diferenças devem decorrer apenas das individualidades de cada um. Caso o educador identifique que as crianças já trazem - de casa, da mídia - preconceitos a respeito do que é adequado para meninos e para meninas, precisa agir de forma diferenciada junto a cada um, para ajudar a criança a se desenvolver plenamente." Ela cita como exemplo uma experiência escolar. "Havia uma menina que gostava de jogar futebol, mas foi proibida pela mãe, que chegou a procurar a professora. Num diálogo lento e cuidadoso, ela procurou convencer a mãe da inadequação de sua atitude. Hoje, a menina é uma das melhores jogadoras do time misto da escola." Uma forma de não excluir pelo sexo é incentivar as individualidades dos alunos. "Há meninos que se recusam a ler determinados livros, pois acham que ‘poesia é coisa de menina’. Nesse caso, também cabe aos professores intervirem para abrir o leque de opções da criança." AUTORITARISMO X DISCRIMINAÇÃO Um dos motivos da discriminação é a aceitação da sociedade. "Se fizéssemos uma gincana de matemática na classe, por exemplo, em que os dois grupos competindo fossem ‘negros’ e ‘brancos’, imediatamente saltaria aos olhos que essa diferenciação é discriminatória e autoritária. Por que aceitamos uma competição ou gincana de ‘meninos contra meninas’? Em muitos casos, quando se faz a divisão usando o sexo, só se aumenta o problema." Cláudia Vianna, doutora em Educação pela USP, explica que a discriminação ocorre quando "as formas como as relações sociais se estruturam constituem um conjunto de relações hierárquicas que causam condições de inferioridade e subordinação a homens e mulheres, baseadas nas diferenças biológicas dos sexos".

ATENÇÃO NAS ATITUDES DIÁRIAS As características físicas e os comportamentos esperados para meninos e meninas são reforçados, às vezes, de forma inconsciente, nos pequenos gestos e práticas do dia-a-dia. "A forma como a família ou professores conversam com a menina, elogiando sua meiguice, ou quando justificam a atividade sem capricho do menino; o fato de pedir para uma menina a tarefa de ajudar na limpeza e ao menino para carregar algo torna possível perceber como as expectativas são diferenciadas para as meninas e os meninos. O que é valorizado para a menina não é, muitas vezes, apreciado para o menino e vice-versa", diz Cláudia.

É preciso ficar atento, porque meninos e meninas desenvolvem seus comportamentos e potencialidades no sentido de corresponder as expectativas quanto às características desejáveis socialmente. "Muitas vezes, a família e a escola orientam e reforçam habilidades distintas para meninos e meninas, transmitindo expectativas quanto ao tipo de desempenho intelectual considerado mais adequado a cada sexo, manipulando recompensas e sanções sempre que tais expectativas são ou não satisfeitas." Cláudia avalia também que há diferenças na educação em um mesmo ambiente. "A diferença está nas formas aparentemente invisíveis com que familiares e educadores interagem com as crianças."




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