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Cabral divulga medidas para reforçar efetivo policial

02/01 - 19:51 - Agência Estado

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB)desencadeou hoje uma série de medidas para o reforçar o efetivo de policiais civis e militares nas ruas e combater a criminalidade no Estado. A principal delas é a mudança no regime de turnos dos policiais.

Cabral anunciou que, a partir da segunda quinzena de janeiro, os batalhões e delegacias de Copacabana, na zona sul, e Ilha do Governador, na zona norte, já terão implantados um novo sistema de turno. A partir de um convênio com a prefeitura da capital, será oferecido um abono de R$ 700 aos policiais que aceitarem trocar o turno de 24 horas a cada 72 por jornadas diárias de oito horas. O plano será estendido, em seguida, a todas as unidades do Estado do Rio.

"Com a mudança e com uma remuneração, pois temos de reconhecer que há uma deficiência salarial, teremos condições de triplicar o volume de policiais nas ruas sem a contratação de um policial sequer", disse Cabral, que participou das cerimônias de transmissão de cargo da cúpula da segurança durante o dia. Entre outras medidas de impacto, o secretário de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, disse hoje que seu primeiro ato no cargo foi determinar o realocação de policias militares para intensificar o patrulhamento nas ruas e vias expressas da cidade, como as linhas Vermelha e Amarela e a Avenida Brasil, palco de tiroteios freqüentes nos últimos meses. Beltrame disse ainda que será feita uma reengenharia da distribuição do efetivo da PM, em torno de 37 mil homens, nos batalhões da cidade com o objetivo de aumentar o policiamento ostensivo.

"O problema da segurança no Rio é um problema cultural, histórico, complexo. Não vai ser uma decisão mágica, tirada ao vento, que vai resolver. O Estado precisa dar à comunidade visibilidade da segurança e isso passa pela presença do policial (nas ruas) e isso deve ser enfatizado no primeiro momento", disse Beltrame. A pedido do secretário, o governador publicou hoje decreto que convoca todos os policiais civis e militares cedidos a órgãos como o Tribunal de Justiça e Ministério Público e lotados em serviços administrativos para se apresentarem às unidades para o reforço do efetivo. O comandante da Polícia Militar, coronel Ubiratan Ângelo, estimou em cerca de cinco mil só o número de policiais militares nessas condições.

Força Nacional

Beltrame disse que a chegada da Força Nacional ao Rio dependerá da reunião que ele terá amanhã com o secretário nacional de Segurança Pública, Luiz Fernando Corrêa. O secretário indicou que pretende somar a ajuda federal ao esforço de expansão da atuação da polícia fluminense, mas em missões específicas, não apenas no aumento da chamada sensação de segurança. Esse planejamento deverá ser definido na reunião de hoje e o secretário acredita que o deslocamento da tropa poderá ser feito rapidamente. "A Força Nacional é composta por integrantes de grupamentos táticos, pessoas especializadas. Temos que avaliar com muito critério a utilização desse pessoal", disse Beltrame.

Cabral afirmou que, para conter novos ataques, a Força Nacional estará no Rio ainda antes do carnaval. "Com isso teremos um ambiente de maior segurança, uma racionalização da presença das polícias Civil e Militar. O cidadão deseja caminhar nas ruas com tranqüilidade", disse o governador. A pedido dele, uma reunião será marcada ainda esta semana entre Beltrame e os três comandantes das Forças Armadas no Rio. Cabral quer que os homens do Exército, Marinha e Aeronáutica ampliem sua atuação próximo às suas unidades, reforçando a segurança nas ruas. Cabral também defendeu o endurecimento do código penal.

Beltrame explicou que a alteração do sistema de turnos dos policiais que será iniciada será pautada na negociação com a categoria. O abono será pago pela prefeitura do Rio e o governo estadual arcará com vales-transporte. O convênio será assinado na próxima segunda-feira. "Como é um processo de adesão, o policial é que vai ver se a proposta que o Estado e a Prefeitura estão fazendo lhe serve", disse o secretário, que confia num resultado favorável. Segundo ele, hoje, enquanto um policial está de serviço, há dois de folga.

O coronel Ubiratan Ângelo também acredita que a adesão será grande. "No revéillon, o policial foi empregado no seu horário de folga, mesmo sem uma gratificação. Imaginem se ele, no seu horário de folga, tivesse uma gratificação? Ficaria mais satisfeito", afirmou. O comandante da PM afirmou ainda que a chegada da Força Nacional não constrangerá os policiais do Rio. Ao contrário, facilitará o descanso da tropa, há uma semana com folgas suspensas. Ele disse também que o fato de a força federal ter recebido treinamento do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da PM do Rio favorecerá a atuação. Ele também afirmou que os ensaios em relação à segurança dos Jogos Pan-Americanos poderão ser adiantados.




 
 

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