28/12 - 04:25 - Redação com agências
SÃO PAULO - Três novos ataques foram registrados às 21h desta quinta-feira. Dois carros com criminosos teriam feito vários disparos, contra bases do Batalhão de Policiamento de Vias Especiais (BPVE). Um dos ataques foi próximo a Ilha do Governador, na Linha vermelha. O outro foi na Linha Amarela, no acesso à Avenida Brasil. Também nesta quinta, um ônibus foi incendiado em Niterói. Não houve registro de feridos nos ataques.
Segundo a rádio CBN, por volta da 1 hora da madrugada desta sexta-feira, um grupo de criminosos fechou a Linha Vermelha, próximo a uma favela na Baixada Fluminense, e houve um tiroteio durante vinte minutos contra a polícia. Ninguém ficou ferido.
Em Niterói, no bairro do Cantagalo, um ônibus da Viação Pendotiba foi incendiado, próximo ao Largo da Batalha. Os passageiros conseguiram descer a tempo e ninguém foi ferido.
Por conta dessa onda de ataques, as 48 empresas de ônibus do Rio retiraram seus coletivos de circulação durante a noite e madrugada.Os ônibus voltaram a circular normalmente na manhã desta sexta-feira.
Criminosos realizaram 15 ataques nesta quinta-feira no Rio de Janeiro e baixada Fluminense. O balanço foi feito às 20h pela Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro.
A maioria dos ataques aconteceu durante a madrugada. Dois ônibus foram atacados durante a tarde, mas não deixaram vítimas. A última morte anunciada pela Secretaria de Segurança do Rio não foi confirmada pelo hospital. Portanto, o número oficial é de 18 pessoas mortas e 23 feridas. Entre os mortos estão dois policiais, nove civis (sete carbonizados e dois a tiros) e sete suspeitos.
O caso mais grave foi de um ônibus interestadual, da Viação Itapemirim, que foi queimado com os passageiros dentro. Sete pessoas morreram carbonizadas e doze ficaram feridas. A Viação divulgou a lista parcial dos passageiros feridos. Uma das sobreviventes é a modelo Maria Beatriz Furtado, que teve 40% do corpo queimado.
Beatriz apresenta queimaduras de segundo e terceiro grau, e as partes do corpo mais atingidas foram o rosto, as vias aéreas e o braço direito. A modelo tinha ido passar o Natal com a família no Espírito Santo e voltava para São Paulo.
De acordo com uma das vítimas do incêndio, um homem teria entrado com um saco plástico cheio de combustível e o lançou, enquanto outro ateava fogo.
As vítimas foram impedidas de sair do ônibus. Cerca de 11 pessoas sofreram queimaduras. O ônibus seguia de Cachoeira do Itapemirim (ES) para São Paulo.
A viação Itapemirim divulgou uma nota confirmando o ataque ao ônibus 6011, que levava 28 passageiros. De acordo com a empresa, o veículo foi "vítima de atos de vandalismo". A empresa disponibilizou também um número de telefone para atender familiares das vítimas.
Quinze passageiros que estavam no ônibus atacado já saíram do hospital. Seis continuam internados em estado grave. A empresa informou que só vai divulgar a lista completa com os nomes dos passageiros quando a perícia for concluída.
Ataques à polícia
Há também registros de ataques no centro, subúrbios e zona sul da capital fluminense. Cinco delegacias de polícia e um posto policial na praia de Botagofo também foram alvos de atentados. Um homem que prestava queixa foi morto. Vários feridos foram levados para o Hospital Estadual Getúlio Vargas.
Em frente ao Praia Shopping, na Praia do Botafogo, em um confronto entre policiais e traficantes, uma bala perdida atingiu uma vendedora de sorvetes. Sueli Maria Lima de Souza morreu no local. Seu filho de seis anos também foi atingido.
Dois ônibus, um no bairro de Mesquita, na Baixada Fluminense, e outro em Niterói foram incendiados. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP) do Rio não houve vítimas.
Um prédio em Itaboraí, onde estão uma agência da Caixa Econômica Federal e um restaurante popular, foi atacado com bombas de fabricação caseira, também sem vítimas.
Por volta das 17h30, mais de 80 agentes da Polícia Civil, chefiados pelo diretor do Departamento de Polícia Especializada, delegado Alan Turnowski, e com apoio da Coordenadoria de Recursos Especiais, chefiada pelo delegado Marcos Reimão, estavam em intensa troca de tiros com traficantes da Vila Cruzeiro, na Penha. Segundo a SSP, um policial ficou ferido no confronto.
No início da noite, dois policiais civis foram baleados no Complexo do Alemão, na Penha, zona norte do Rio de Janeiro. Eles participavam de operação promovida na região pelo Departamento de Polícia Especializada, Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e outras unidades da Polícia Civil, e foram atingidos nas proximidades de um campo de futebol.
Polícia pode ter sido avisada
De acordo com fontes ligadas ao Ministério da Justiça, as autoridades de segurança do Estado do Rio vinham sendo alertadas desde terça-feira, dia 26, sobre ataques que seriam feitos por criminosos para desencadear a onda de violência.
Suspeitos são identificados
A Polícia Militar do Rio de Janeiro prendeu sete suspeitos. Três deles podem estar envolvidos com o ataque ao ônibus da Viação Itapemirim. Os acusados Graciel Maurício do Nascimento Campos, de 18 anos; Cleber de Carvalho Fonseca, 23 anos, têm passagem na polícia por tráfico de drogas. Os dois estavam com documentos quando foram presos e, portanto, tiveram a identidade confirmada pelo delegado. O terceiro suspeito preso foi identificado como Elzio Guilherme de Oliveira, 23 anos.
De acordo com o delegado Eduardo Freitas, do 22º DP, os três teriam sido apontados por uma testemunha e detidos em Cidade Alta e não conseguiram justificar as queimaduras em suas mãos.
Os outros quatro foram presos na área da 38 DP e da 79 DP.
A polícia também apreendeu quatro granadas que, quando acopladas a um fuzil, podem perfurar tanques de guerra, helicópteros e até carros blindados.
Tiroteios durante a madrugada
Uma troca de tiros entre a polícia e os bandidos no morro próximo a onde os ônibus foram incendiados fez com que o comando do Corpo de Bombeiros não autorizasse as equipes de resgate da corporação a seguir para socorrer os feridos no local.
No Morro da Providência, durante o confronto com traficantes, o cabo da PM Genival Martins acabou baleado. Ele morreu ao ser socorrido no Hospital Central da Polícia Militar, no bairro do Estácio. Em outro tiroteio, na Favela da Metral, em Vila Kennedy, na zona oeste,o cabo PM Alexandre Gomes levou um tiro de raspão. Ele foi medicado e dispensado.
Segundo a "Agência Estado", a ofensiva seria uma reação à expansão dos grupos paramilitares, supostamente integrados por policiais, que vêm retirando os traficantes das favelas da cidade. A SSP do Rio nega que existam "milícias" agindo no Estado.
Rio sob tensão
Desde o início da noite de quarta-feira o Rio vive em clima de tensão, com ações de assaltantes e traficantes e represálias da PM. Em uma dessas ações, ladrões atravessaram uma perua no elevado da Av. Perimetral, na Praça Mauá, obrigando motoristas a pararem seus veículos e iniciando uma espécie de arrastão, que foi reprimido por agentes da Polícia Federal e por PMs do Batalhão de Policiamento de Vias Especiais.
Donos de empresas de ônibus haviam suspendido a circulação dos veículos que fazem o percurso entre a Baixada Fluminense e a capital do Estado do Rio de Janeiro no início da manhã.
Número de milícias em favelas do RJ dobra em 20 meses
O número de favelas controladas por milícias - grupos paramilistares formados por seguranças, policiais, bombeiros, agentes penitenciários que expulsam traficantes de favelas - mais do que dobrou, passando de 42 para 92 em 20 meses.
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